ENCICLOPÉDIA ASTROLÓGICA · SIGNO
Áries
Áries é o primeiro signo do zodíaco tropical: começa no ponto em que o Sol está no equinócio de março. Na astrologia, é o signo do começo, da coragem e da iniciativa, associado a Marte, ao fogo e ao início da primavera do hemisfério norte.
Ser o primeiro não foi um acaso nem uma descoberta: foi uma escolha dos astrônomos e astrólogos antigos, que precisavam de um ponto de partida para um círculo que não tem começo. Este verbete explica essa escolha, a origem da regência de Marte, a história do carneiro e o que, em tudo isso, é astronomia e o que é construção simbólica.

- Símbolo
- Glifo de Áries
- Elemento
- Fogo
- Modalidade
- Cardinal
- Polaridade
- Masculina (diurna), na classificação clássica
- Regente tradicional
- Marte
- Posição
- 1º signo do zodíaco tropical (0°–30°)
- Período solar
- Por volta de 20–21 de março a 19–20 de abril, conforme o ano.
Neste verbete
01Tradição astrológica · História · Interpretação simbólica
O que Áries significa e de onde vêm essas ideias
Na astrologia, Áries é o signo do impulso inicial: começar, enfrentar, ir na frente. É associado à coragem, à pressa, à competição, à independência e à vontade de agir antes de pensar demais.
Essas ideias se apoiam em três peças do sistema astrológico, que o verbete explica uma a uma:
- O lugar de Áries no calendário: o signo que começa no equinócio e, por isso, abre o zodíaco (seção “Cardinal e Fogo”).
- Marte, o planeta vermelho, ligado pelos antigos à guerra, à força e ao fogo (seção “Marte”).
- A imagem do carneiro, um animal que avança de cabeça baixa e que os gregos ligaram ao mito do velo de ouro (seção “História e mito”).
Há também uma camada moderna. O retrato do ariano esquentado e briguento, comum em horóscopos, é um exagero da astrologia popular do século XX. Os textos antigos falam de um signo de comando e de iniciativa; astrólogos de hoje falam sobretudo de coragem e de começo.1,2
02Astronomia · História · Tradição astrológica
Por que Áries é cardinal e de Fogo
Por que Áries é o primeiro signo?
Um círculo não tem começo. O zodíaco também não: é uma faixa do céu que dá a volta completa. Para contar os signos, porém, era preciso escolher um ponto de partida, e os antigos escolheram o equinócio de março, o dia em que o Sol cruza o equador celeste e dia e noite ficam iguais.
Ptolomeu, no século II, diz isso com todas as letras: embora o zodíaco “não tenha começo natural, por ser um círculo”, toma-se como ponto de partida o signo que começa no equinócio de primavera, Áries. A justificativa dele vem da física da época: a primavera, como a infância, seria úmida e cheia de crescimento.3
Por que cardinal?
Os quatro signos que começam nas estações (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) são hoje chamados de cardinais. Ptolomeu chama Áries e Libra de “equinociais”, porque o Sol, ao entrar neles, iguala o dia e a noite.3
Do fenômeno veio a metáfora. Se Áries abre a estação, abriria também as coisas: daí a leitura moderna de signo da iniciativa, de quem dá o primeiro passo. É uma imagem construída sobre o calendário, não uma propriedade observada nas pessoas.
Por que Fogo?
Áries forma com Leão e Sagitário o grupo de signos que hoje chamamos de fogo. Ptolomeu não usa o nome do elemento: descreve um “triângulo” de três signos masculinos, que reúne as casas do Sol, de Marte e de Júpiter.3
Há um detalhe curioso. Quem governa o triângulo, para Ptolomeu, não é Marte, o dono de Áries, mas o Sol de dia e Júpiter de noite. Marte fica de fora porque não pertence à “seita” do Sol, a divisão dos astros entre diurnos e noturnos. O sistema antigo tinha sua própria lógica, que nem sempre coincide com a intuição de hoje.3
O adjetivo “ígneo” aparece em Vettius Valens, também do século II, nas descrições de Áries, Leão e Sagitário. A ideia de que o fogo é quente e seco vem da filosofia natural grega, cuja história está no verbete de Capricórnio. A leitura do fogo como entusiasmo e ação é uma interpretação de temperamento do século XX.1,4
03Astronomia · História · Tradição astrológica
Marte, regente de Áries
O planeta vermelho
Marte é o único planeta visível a olho nu com uma cor tão marcada. A NASA explica o motivo: o tom avermelhado vem da oxidação, a ferrugem, do ferro presente em seu solo. Leva 687 dias para dar a volta ao Sol e, quando está do lado oposto ao Sol no céu, perto da Terra, torna-se um dos astros mais brilhantes da noite.5
Os gregos o chamavam de Piroeis, “o ígneo”, como registra Cícero. Os romanos lhe deram o nome do deus da guerra porque a cor lembrava sangue. Repare que o nome nasceu de algo que qualquer um podia ver.5,6
Por que Marte rege Áries?
No esquema clássico, os astros recebem casas a partir do Sol e da Lua, que ficam com Leão e Câncer, e os planetas vêm em seguida, pela ordem de suas esferas. Marte, que fica abaixo de Júpiter, recebe dois signos: Escorpião e Áries.3
Ptolomeu dá dois motivos. O primeiro é a natureza de Marte, que para ele “seca e queima, conforme sua cor ígnea”. O segundo é geométrico: Áries e Escorpião estão em quadratura, um ângulo de 90°, com as casas do Sol e da Lua. Como a quadratura era considerada um aspecto tenso, ela combinaria com a qualidade “destrutiva e desarmônica” de Marte.3
A cor de Marte é um fato; a distribuição dos signos é uma construção do sistema. O raciocínio de Ptolomeu mostra como os antigos procuravam coerência entre o que viam no céu e as regras que criavam, mas não demonstra que um planeta afete um signo.
Signo em que um planeta é considerado “em casa”. Marte tem dois: Áries, de fogo, e Escorpião, de água. Ptolomeu os explica pela mesma geometria, a quadratura com os luminares.3
Por que Marte significa coragem e conflito?
Na Grécia e em Roma. O planeta recebeu o nome de Ares, o deus grego da guerra, e depois de Marte, seu equivalente romano. A astrologia herdou esse vínculo com a força e com o combate.5
Em Ptolomeu. Marte é classificado entre os maléficos: sua qualidade é secar e queimar, um excesso de calor, assim como Saturno representa um excesso de frio.3
Em Valens. A lista é longa e não é só sombria. Marte indica força, guerras, violência, raiva e brigas, mas também “comandos, campanhas e liderança”, a caça, os ofícios com fogo e ferro. É o planeta de quem age, para o bem ou para o mal.1
A leitura moderna de Marte como coragem, iniciativa e desejo de afirmação é uma versão suavizada e psicológica dessa herança. Ela aproveita o lado de ação e deixa em segundo plano o de violência.2
Para Ptolomeu, o Sol se exalta em Áries porque é ali que começa a subir para o hemisfério norte e os dias e o calor aumentam. Pelo mesmo motivo, Saturno, o astro frio, fica enfraquecido no signo: “onde o calor aumenta, o frio diminui”.3
04História · Mitologia
História e mitologia do carneiro
Do trabalhador ao carneiro
A surpresa começa aqui: na Mesopotâmia, essa região do céu não era um carneiro. No catálogo MUL.APIN, ela se chamava LÚ.ḪUN.GÁ, “o Trabalhador Rural”, ou “o Assalariado”.7,8
Como o trabalhador virou carneiro? Ninguém sabe ao certo. Uma hipótese é que, na tradição babilônica tardia, a figura tenha sido associada a Dumuzi, o deus pastor; outra, que tenha havido um trocadilho ou um mal-entendido na passagem para os gregos. As fontes consultadas tratam as duas como possibilidades, não como fatos.7,8
O carneiro do velo de ouro
Na Grécia, o carneiro celeste foi identificado com o animal do mito de Frixo e Hele. Os dois irmãos estavam prestes a ser sacrificados quando a mãe, Néfele, enviou um carneiro voador de lã dourada para salvá-los. Hele caiu no mar, no estreito que passou a se chamar Helesponto; Frixo chegou à Cólquida.8,9
O mito é antigo: o carneiro de velo de ouro já aparece em fragmentos atribuídos a Hesíodo e na quarta Ode Pítica de Píndaro, do século V a.C., onde Jasão parte em busca do velo. Já a ideia de que o carneiro foi transformado em constelação está documentada mais tarde, nos Catasterismos atribuídos a Eratóstenes e na Astronomia de Higino.9
- Para Eratóstenes, o carneiro era imortal: tirou o próprio velo, deu-o a Frixo e subiu ao céu. Os mitógrafos usavam isso para explicar por que a constelação é tão apagada: falta-lhe a lã brilhante.
- Higino diz que a imagem foi posta no céu por Néfele e que “marca a época do ano em que se semeia o grão”.
- Higino registra ainda versões ligadas a Hamon, o Amon egípcio, deus representado com chifres de carneiro.
- Fontes: 9,10,11
05Interpretação simbólica · História · Ciência
Do Áries antigo ao ariano dos horóscopos
Valens, no século II, descreve Áries como “casa de Marte, masculino, trópico, governante, ígneo, livre”. Os nascidos sob o signo seriam “brilhantes, ilustres”, “ousados no pensamento”, “de grande coração”, mas também “inquietos, instáveis” e orgulhosos.1
Na mesma passagem, Valens diz que Áries é, quanto ao clima, “úmido, com trovões e granizo”. O detalhe mostra como os antigos usavam o signo: não só para descrever pessoas, mas para prever o tempo, as colheitas e os acontecimentos de cada região.1
O ariano dos horóscopos de hoje nasceu no século XX, quando a astrologia de signo solar transformou as qualidades dos signos em retratos de personalidade. Astrólogos contemporâneos costumam falar de coragem, de começar, de velocidade, de independência e de liderar indo na frente; e, como sombra, de impaciência e de raiva rápida, que passa sem deixar rancor.2,12
A caricatura do ariano agressivo e explosivo é um exagero dessas leituras. Ela pega um lado do simbolismo de Marte, o conflito, e o transforma em traço fixo de caráter, o que nem os textos antigos nem a astrologia contemporânea sustentam.
É o que se costuma chamar de “ser de Áries”: o Sol estava no signo no nascimento, por volta de 20 de março a 19 de abril. Na própria astrologia, o signo solar é só uma parte do mapa natal, que inclui a Lua, o ascendente, os planetas e as relações entre eles.
06Astronomia · História
A constelação Aries
Para o signo que abre o zodíaco, a constelação é modesta. Aries é uma das 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional, mas é pequena (a 39ª em tamanho) e tem poucas estrelas brilhantes. O poeta Arato, no século III a.C., já a chamava de “fraca e sem estrelas, como numa noite de lua”.8,14,15
Estrelas principais
As posições abaixo vêm do mesmo catálogo usado no Atlas Celeste. A mais brilhante, Hamal, tem nome árabe que significa “cordeiro”. Com Sheratan e Mesarthim, forma a cabeça do carneiro, um pequeno arco fácil de achar depois que se sabe onde olhar.10,16
| Designação | Nome | Ascensão reta | Declinação | Magnitude |
|---|---|---|---|---|
| α Ari | Hamal | 02h 07m 10.4s | +23° 27′ 45″ | 2,00 |
| β Ari | Sheratan | 01h 54m 38.4s | +20° 48′ 29″ | 2,64 |
| 41 Ari | Bharani | 02h 49m 59.0s | +27° 15′ 38″ | 3,63 |
| δ Ari | Botein | 03h 11m 37.8s | +19° 43′ 36″ | 4,35 |
| γ² Ari | — | 01h 53m 31.8s | +19° 17′ 37″ | 4,75 |
É o ponto do céu em que o Sol está no equinócio de março, origem das coordenadas astronômicas e do zodíaco tropical. Quando Hiparco o definiu, por volta de 130 a.C., ele ficava dentro da constelação Aries, daí o nome. Por causa da precessão, hoje está em Pisces e deve chegar a Aquarius por volta do ano 2600; o nome ficou.10,17
07Respostas breves
Perguntas frequentes
O que significa ser de Áries?
Na linguagem da astrologia, é ter nascido com o Sol no signo, aproximadamente entre 20 de março e 19 de abril. O signo é associado ao começo, à coragem, à iniciativa e à independência.
São associações simbólicas, e mesmo dentro da astrologia o signo solar é só uma parte do mapa natal.
Qual é o planeta regente de Áries?
Marte. No esquema clássico, Marte, de natureza seca e ardente, recebeu os dois signos em quadratura com as casas do Sol e da Lua: Áries e Escorpião.3
Por que Áries é o primeiro signo?
Porque os antigos escolheram o equinócio de março como ponto de partida de um círculo que não tem começo natural. Ptolomeu explica a escolha e a justifica comparando a primavera à infância.3
Por que o símbolo de Áries é um carneiro?
A figura do carneiro é grega. Na Mesopotâmia, a mesma região do céu era “o Trabalhador Rural”, e não se sabe ao certo como virou carneiro. Os gregos a ligaram ao carneiro do velo de ouro, do mito de Frixo e Hele.7,9
O equinócio ainda acontece em Áries?
No signo, sim, por definição: o zodíaco tropical começa no equinócio. Na constelação, não: por causa da precessão, o ponto do equinócio está hoje em Pisces.10
Qual é o período de Áries?
No zodíaco tropical, o Sol percorre Áries aproximadamente de 20–21 de março a 19–20 de abril. As datas variam um pouco de ano para ano.
08Fontes e aprofundamento
Referências
Cada referência indica o que ela sustenta no texto. Interpretações contemporâneas sem fonte indicada são redação do Arcanista, apresentadas como leitura simbólica.
Vettius Valens, Antologia (séc. II). Trad. inglesa de Mark T. Riley. Livro I, cap. 2 (a natureza dos doze signos).
- Capricórnio é “casa de Saturno, feminino, trópico, terroso”; Touro e Virgem também são descritos como terrosos; Áries, Leão e Sagitário, como ígneos.
- Testemunho antigo, contemporâneo de Ptolomeu, do esquema de domicílios e da associação dos signos aos elementos.
- Touro: feminino, sólido, “no trópico de primavera do Sol”; terroso, rústico, ligado à agricultura e à ordem.
- Virgem: “casa de Mercúrio, feminino, alado, de forma humana”, “de pé como a figura da Justiça”; bicorpóreo, terroso; nativos ligados à administração, às contas e à gestão de bens alheios.
- I.1: Vênus é “desejo e amor”, indica a mãe e a nutrição, amizade, música, pintura e beleza; Mercúrio indica educação, letras, argumentação, raciocínio, interpretação, número, contas, geometria e mercados.
- Áries: “casa de Marte, signo masculino, trópico, terrestre, governante, ígneo, livre”; “meio do céu do universo”; nativos “brilhantes, ilustres”, “ousados no pensamento”, “de grande coração”, “inquietos, instáveis”, “orgulhosos”; quanto ao clima, “por natureza úmido, com trovões e granizo”.
- Leão: “masculino, casa do Sol, livre, ígneo, temperado, intelectual, régio, estável, nobre”, “sólido”, “irascível”; nativos “ilustres, nobres, firmes, justos, inimigos do mal, independentes, inimigos da bajulação, benfeitores, inflados por seus pensamentos elevados”; “Leão é quente: a estrela brilhante do peito [Regulus] é ígnea e sufocante”.
- Sagitário: “casa de Júpiter, masculino, ígneo”, “nobre, alado, mutável, bicorpóreo, de duas naturezas, misterioso”, “governante, régio”; nativos “nobres, justos, de grande coração, juízes, generosos, que amam os irmãos e os amigos”, que “perdem muito do que tinham, mas recuperam”, “buscam uma reputação nobre”.
- Câncer: “casa da Lua, feminino, solsticial, o Ascendente do universo”, “aquoso, nobre, mutável”, “prolífico, anfíbio”; nativos ambiciosos, populares, “sempre mudando”, teatrais, alegres e “facilmente abatidos”, amantes da festa, que se tornam viajantes.
- Escorpião: “casa de Marte, feminino, sólido, chuvoso, fecundo, destrutivo”, “imutável”; o retrato dos nativos é extremamente duro (ladrões, traidores, envenenadores, “que odeiam a própria família”).
- Peixes: “feminino, úmido, bastante molhado, bicorpóreo”, “de duas formas”, “em conflito consigo mesmo, porque um Peixe é do norte e o outro do sul”, “mutável”, “causa de errância, variado”; nativos “instáveis”, que mudam “da má para a boa sorte”, populares.
- I.1: a Lua, de luz emprestada do Sol, indica a vida, o corpo, a mãe, a concepção, a aparência, a vida em comum (o casamento legítimo), a nutrição, o cuidado da casa, a senhora da casa, os bens, a cidade e o povo, as viagens e errâncias; rege o estômago, os seios e a prata.
- Gêmeos: “masculino, bicorpóreo, articulado, casa de Mercúrio”; sob ele nascem “estudiosos, os que trabalham com educação e letras, poetas”, amantes da música, oradores, administradores, tradutores, comerciantes, “pessoas sensatas”, praticantes de “artes curiosas” e buscadores de saberes místicos.
- Libra: “casa de Vênus, masculino, equinocial, de forma humana”, “aéreo”, “vocal, nobre, mutável”, supervisor das colheitas, das vinhas, dos olivais, das medidas e dos artesãos; nativos “nobres e justos”, mas também invejosos dos bens alheios, de sorte mediana, que vivem “altos e baixos” e cuidam das medidas e do abastecimento de grãos.
- Aquário: “masculino, sólido, de forma humana, um tanto úmido”, “bastante frio, livre”, “imutável”; o retrato dos nativos é duro (“maliciosos”, “obstinados”, “misantropos”, “às vezes generosos”).
- I.1: Saturno faz os nativos mesquinhos, preocupados, solitários e austeros; indica obstáculos, demoras, prisões e luto, mas também grandes cargos, supervisões e a gestão de bens alheios; rege o chumbo, a madeira e a pedra.
- I.1: o Sol, “fogo da natureza e luz intelectual”, indica realeza, comando, inteligência, beleza, julgamento, reputação pública, o pai, a amizade, honras; rege o coração e o ouro. Marte indica força, guerras, violência, raiva, brigas, mas também “comandos, campanhas e liderança”, caça, trabalhos com fogo ou ferro; é “vermelho”. Júpiter indica geração, desejo, amizades com os grandes, prosperidade, presentes, justiça, cargos, arbitragens, confiança, herança, fraternidade, beneficência, “alívio dos problemas, libertação das amarras, liberdade”.
- Discussão contemporânea: Áries como signo da coragem, do início, da iniciativa, da velocidade, da independência e da liderança de quem “vai na frente com a cabeça”; sombra de impaciência, impulsividade e raiva rápida, sem guardar rancor; Marte como movimento e rapidez; o começo da primavera no hemisfério norte.
Ptolomeu, Tetrabiblos. Trad. F. E. Robbins. Cambridge (MA): Harvard University Press, Loeb Classical Library, 1940. Livro I, caps. 2, 4, 5, 10, 11, 12, 13, 17, 18 e 19; Livro IV, cap. 10.
- I.2: um poder vindo da substância etérea se espalha pela região da Terra; o Sol produz as estações, a Lua afeta marés e seres vivos; a previsão é possível, mas falível, como a medicina e a navegação.
- I.10: as estações têm qualidades (primavera úmida, verão quente, outono seco, inverno frio), começando pelo equinócio de março, em Áries.
- I.11: nos signos solsticiais e equinociais o Sol “se volta”, invertendo seu movimento em latitude; seguem-se os signos sólidos e os bicorpóreos.
- I.17: Câncer e Leão vão aos luminares por serem os mais setentrionais e próximos do zênite; os demais planetas recebem pares de signos por ordem de esfera (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter) e Saturno, o mais alto e frio, os signos opostos.
- I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam um triângulo de signos femininos, predominantemente do sul (vento Noto), governado pela Lua e por Vênus; os triângulos são descritos por ventos e qualidades, não pelos nomes dos elementos.
- I.4: Vênus tem a natureza temperada de Júpiter; aquece moderadamente, por estar perto do Sol, mas sobretudo umedece. Mercúrio ora seca, por estar perto do Sol, ora umedece, por estar logo acima da esfera da Lua.
- I.11: os signos sólidos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) são assim chamados porque, quando o Sol está neles, os efeitos da estação “nos tocam mais firmemente”; os bicorpóreos (Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes) compartilham, no fim e no começo, as propriedades de duas estações.
- I.17: Vênus recebe Libra e Touro, signos “extremamente férteis” em sextil com as casas dos luminares, porque nunca se afasta mais de dois signos do Sol; Mercúrio recebe Gêmeos e Virgem, porque nunca se afasta mais de um signo do Sol.
- I.19: a Lua tem em Touro sua exaltação, por ali começar a crescer em luz; Mercúrio tem em Virgem sua exaltação, por ser mais seco, como o outono, e sua depressão em Peixes; Vênus tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem.
- IV.10: a Saturno cabe a última idade, a velhice, quando movimentos e desejos se tornam mais lentos.
- I.4: Saturno tem por qualidade sobretudo esfriar e, moderadamente, secar, por estar longe do calor do Sol e das exalações úmidas da Terra.
- I.5: Saturno e Marte são classificados como planetas de efeito oposto ao dos benéficos (maléficos); em Saturno, pelo excesso de frio.
- I.11: Capricórnio é signo solsticial, o primeiro a partir do solstício de inverno (do ponto de vista do Mediterrâneo).
- I.12: os signos alternam masculino e feminino a partir de Áries; Capricórnio, o décimo, cai entre os femininos (por dedução da regra; o capítulo não o nomeia).
- I.17: Câncer e Leão aos luminares; Saturno, o mais frio e o mais distante, recebe os signos opostos a eles, Capricórnio e Aquário, frios e invernais.
- I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam o segundo triângulo, de signos femininos, governado pela Lua (de noite) e por Vênus (de dia). Ptolomeu não chama esse triângulo de 'terra'.
- I.13: trígono e sextil são aspectos harmônicos, por unirem signos do mesmo tipo; quadratura e oposição, desarmônicos.
- I.19: Marte tem em Capricórnio sua exaltação, por estar ali mais ao sul; Câncer é sua depressão. Júpiter, exaltado em Câncer, tem em Capricórnio sua depressão.
- I.4: o Sol aquece e, em certo grau, seca; Marte “sobretudo seca e queima, conforme sua cor ígnea”, por estar perto do Sol; Júpiter tem força temperada, entre o frio de Saturno e o calor de Marte, aquece e umedece e produz ventos fertilizantes.
- I.10: embora o zodíaco, sendo um círculo, não tenha começo natural, toma-se como ponto de partida o signo que começa no equinócio de primavera, Áries, porque a primavera, como a infância, é úmida.
- I.11: Áries é equinocial, o primeiro a partir do equinócio de primavera; Leão é sólido; Sagitário é bicorpóreo.
- I.12: os signos alternam masculino (diurno) e feminino (noturno) a partir de Áries, que é masculino.
- I.17: Leão, masculino, cabe ao Sol, e Câncer, feminino, à Lua, por serem os mais setentrionais e próximos do zênite, os que mais produzem calor; Marte, seco, recebe Escorpião e Áries, em quadratura com as casas dos luminares, de acordo com sua qualidade “destrutiva e desarmônica”; Júpiter, temperado, recebe Sagitário e Peixes, ventosos e férteis, em trígono com as casas dos luminares, configuração “harmoniosa e benéfica”.
- I.18: Áries, Leão e Sagitário formam o primeiro triângulo, de três signos masculinos, que contém as casas do Sol, de Marte e de Júpiter; é governado pelo Sol de dia e por Júpiter de noite (Marte fica de fora por não ser da seita solar); é predominantemente do norte, por causa de Júpiter, fecundo e ventoso.
- I.19: o Sol tem em Áries sua exaltação, porque ali começa a subir para o hemisfério norte e os dias e o calor aumentam; Saturno, por isso, tem em Áries sua depressão: “onde o calor aumenta, o frio diminui”.
- I.11: Libra é o signo equinocial que começa no equinócio de outono (do hemisfério norte); Gêmeos é bicorpóreo; Aquário é sólido.
- I.18: Gêmeos, Libra e Aquário formam o terceiro triângulo, de três signos masculinos, sem relação com Marte, mas com Saturno e Mercúrio, por suas casas; Saturno o governa de dia, por sua seita, e Mercúrio de noite; o triângulo é sobretudo de constituição oriental (do leste).
- I.19: Saturno tem em Libra sua exaltação e em Áries sua depressão, o inverso do Sol, porque “onde o calor aumenta, o frio diminui” e vice-versa: em Libra o Sol começa a descer para o sul e os dias encurtam.
- I.9 (nota do tradutor 47): “as Garras do Escorpião” é o nome antigo de Libra (em grego, Zygós, “a balança”); Ptolomeu usa os dois nomes.
- I.4: “a maior parte do poder da Lua consiste em umedecer”, por sua proximidade da Terra e das exalações úmidas que sobem dela.
- I.11: Câncer é solsticial, o primeiro intervalo de 30° a partir do solstício de verão; Escorpião é sólido; Peixes é bicorpóreo.
- I.17: Câncer, feminino, é dado à Lua (e Leão, masculino, ao Sol); Escorpião e Áries, contíguos às casas dos luminares, a Marte; Sagitário e Peixes, “ventosos e fecundos”, a Júpiter.
- I.18: Câncer, Escorpião e Peixes formam o quarto triângulo, de signos femininos; Marte participa dele por sua casa, Escorpião; a Lua o governa de noite e Vênus de dia, como corregentes de Marte; o triângulo é sobretudo ocidental.
- I.19: Júpiter tem em Câncer sua exaltação, porque ali chega ao ponto mais setentrional e completa seu poder; Marte, exaltado em Capricórnio, tem em Câncer sua depressão. Vênus, úmida por natureza, tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem; Mercúrio, mais seco, tem a depressão em Peixes. A Lua tem a depressão em Escorpião, oposto de sua exaltação em Touro.
- Representa a leitura psicológica dos elementos (fogo, terra, ar e água) como linguagens de temperamento, contrária ao fatalismo.
NASA, Goddard Space Flight Center. Mars Fact Sheet (NSSDCA); NASA Science, “Mars: Facts”.
- Período orbital de 687 dias; magnitude visual máxima de −2,94 (Fact Sheet).
- Marte parece avermelhado pela oxidação, a ferrugem, do ferro em seu solo; os romanos lhe deram o nome do deus da guerra porque a cor lembrava sangue (NASA Science).
Cícero, Sobre a natureza dos deuses (De natura deorum). Trad. H. Rackham, Loeb Classical Library, 1933. II.52–53 e II.64.
- II.52: a estrela de Júpiter, chamada Faetonte (“a resplandecente”), percorre os doze signos do zodíaco em doze anos. II.53: abaixo dela, Piroeis (“a ígnea”), chamada estrela de Marte, completa a volta em cerca de vinte e quatro meses.
- Saturno designa quem mantém o curso das estações e dos períodos de tempo; o nome grego Cronos seria o mesmo que chronos, “tempo” (exposição atribuída ao estoico Balbo).
“Babylonian star catalogues”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- No MUL.APIN: MUL.GU4.AN.NA, “o Touro do Céu” (Taurus e as Híades); MUL.MUL, “o aglomerado” (as Plêiades); MUL.ABSIN, “o Sulco” (Virgo), associado à deusa Šala, representada segurando grãos.
- O caminho da Lua no MUL.APIN tem 17 ou 18 constelações, antecessoras diretas do zodíaco de doze signos.
- No MUL.APIN: AL.LUL, em acádio alluttu, “o Lagostim” (Cancer); GIR.TAB, em acádio zuqaqīpu, “o Cortador”, isto é, o escorpião (Scorpius); ŠIM.MAḪ, “a Grande Andorinha” (sudoeste de Pisces e parte de Pegasus); Anunitu, “a deusa Anunitu” (nordeste de Pisces e parte de Andromeda); KUN.MEŠ, “as Caudas” (Pisces); em fonte babilônica tardia, DU.NU.NU, “a Corda dos Peixes”.
- No MUL.APIN: MAŠ.TAB.BA(.GAL.GAL), “os (Grandes) Gêmeos” (Gemini); ZI.BA.AN.NA, em acádio zibānītu, “a Balança” (Libra); GU.LA, “o Grande” (Aquarius), que o artigo diz representar Ea, deus das águas (afirmação sem nota no artigo).
- No MUL.APIN: (LÚ.)ḪUN.GÁ, em acádio agru, “o Trabalhador Rural” (Aries); não está claro como o Trabalhador virou o Carneiro grego, talvez por trocadilho ou mal-entendido. UR.GU.LA (com UR.MAḪ, “o Leão”) corresponde a Leo. PA.BIL.SAG, o deus Pabilsag, “comparativamente obscuro”, depois identificado com Ninurta, corresponde a Sagittarius.
“Aries (constellation)”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- 441 graus quadrados (39ª em tamanho); o MUL.APIN a chama “o Trabalhador Rural” ou “o Assalariado”; a mudança para carneiro provavelmente veio na tradição babilônica tardia, por associação com Dumuzi, o pastor (Rogers, 1998).
- Hoje o Sol atravessa a constelação do fim de abril a meados de maio.
- O carneiro de velo de ouro que salvou Frixo e Hele já aparece em Hesíodo (fragmento, séc. VIII–VII a.C., citado no epítome dos Catasterismos) e em Píndaro (Pítica 4, séc. V a.C.).
- Pseudo-Higino, Astronomia II.20: a imagem do carneiro, posta entre as constelações por Néfele, “marca a época do ano em que se semeia o grão”; segundo Eratóstenes, o próprio carneiro tirou o velo de ouro e o deu a Frixo como lembrança. Ovídio, Fastos III: chegando à terra, o carneiro vira estrela, e o velo vai para a Cólquida.
I. Ridpath, “Aries”. Star Tales (versão online), s.d.
- Para Eratóstenes, o carneiro era imortal, tirou o velo e subiu ao céu; os mitógrafos explicavam assim a fraqueza da constelação, que “não é nada destacada” no céu.
- Em tempos gregos, Aries continha o equinócio de março; quando Hiparco definiu sua posição, por volta de 130 a.C., ela ficava perto de γ Arietis, daí o nome “ponto de Áries”; pela precessão, hoje está em Pisces e chegará a Aquarius por volta de 2600. Hamal vem do árabe “cordeiro”.
- II.20: versões alternativas do carneiro celeste relatadas por Higino: segundo Hermipo, Líber (Dioniso) fundou um templo de Júpiter Hamon com uma estátua de chifres de carneiro; segundo Leão, um certo Hamon trouxe da África um grande rebanho de ovelhas.
L. Goodman, Linda Goodman’s Sun Signs. 1968; ed. Pan Macmillan (Bluebird), 2019.
- Marco da astrologia popular de signo solar no século XX, que difundiu os retratos de personalidade por signo.
S. Carlson, “A double-blind test of astrology”, Nature, 318, p. 419–425, 1985. DOI 10.1038/318419a0.
- Em teste duplo-cego, astrólogos não associaram mapas natais aos perfis de personalidade corretos acima do acaso.
União Astronômica Internacional (IAU). The Constellations.
- As 88 constelações reconhecidas, com limites oficiais publicados pela IAU, entre elas as 12 do zodíaco (Capricornus, por exemplo, tem abreviatura Cap e genitivo Capricorni).
Arato, Fenômenos. Trad. G. R. Mair, Loeb Classical Library, 1921 (texto no Theoi Project).
- Leão: ali está “o caminho mais quente do Sol no verão”, quando o Sol se encontra com o Leão e sopram os ventos etésios.
- Carneiro: tem os cursos mais rápidos, mas é “fraco e sem estrelas, como numa noite de lua”; o equador celeste o atravessa.
- Arqueiro: quando o Sol “queima o Arco e o Portador do Arco”, é tempo de evitar o mar (inverno).
- Posições (J2000) e magnitudes das estrelas das 12 constelações zodiacais usadas no Atlas Celeste e nos verbetes.
- O eixo da Terra oscila como um pião; o ciclo da precessão axial dura cerca de 25.771,5 anos (≈ 1° a cada 72 anos).
Dados das estrelas e figura da constelação: os mesmos do Atlas Celeste (Bright Star Catalogue; traçado próprio do Arcanista). Créditos e licenças das ilustrações.
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