ENCICLOPÉDIA ASTROLÓGICA · SIGNO
Escorpião
Escorpião é o oitavo signo do zodíaco tropical e ocupa o meio do outono do hemisfério norte. Na astrologia, é o signo da intensidade, da profundidade e do que fica escondido: associado ao elemento Água, a Marte, seu regente tradicional, e a Plutão, que a astrologia moderna passou a ligar a ele.
É também o signo com a fama mais carregada do zodíaco. Parte dela vem de Marte, parte de Plutão, um astro descoberto em 1930, e parte de uma forma do século XX de ler os signos como casas do mapa. Este verbete separa essas camadas e mostra quando cada uma apareceu.

- Símbolo
- Glifo de Escorpião
- Elemento
- Água
- Modalidade
- Fixo
- Polaridade
- Feminina (noturna), na classificação clássica
- Regente tradicional
- Marte
- Posição
- 8º signo do zodíaco tropical (210°–240°)
- Período solar
- Por volta de 23 de outubro a 21–22 de novembro, conforme o ano.
Neste verbete
01Tradição astrológica · História · Interpretação simbólica
O que Escorpião significa e de onde vêm essas ideias
Na astrologia de hoje, Escorpião é o signo de quem vai ao fundo das coisas: intensidade, concentração, privacidade, lealdade, confiança conquistada aos poucos, interesse pelo que está oculto. Como sombra, fala de desconfiança, de necessidade de controle e de dificuldade em largar o que já acabou.1
Essas ideias vêm de épocas muito diferentes:
- Marte, o regente antigo, planeta da força, do corte e do conflito (seção “Marte e Plutão”).
- A Água e a posição fixa, no meio do outono do hemisfério norte (seção “Fixo e Água”).
- Plutão, descoberto em 1930 e associado ao signo ao longo do século XX, de onde vêm as ideias de poder, crise e transformação (seção “Marte e Plutão”).
- A equivalência moderna entre Escorpião e a casa 8 do mapa, ligada à morte, de onde vem a imagem do renascimento (seção “Morte e renascimento”).
Astrólogos contemporâneos lembram que a fama sexual do signo “vai longe demais” e que a batalha de Marte em Escorpião muitas vezes é interna. Os retratos de “vingativo” e “manipulador” são caricaturas populares, e não descrições de pessoas.1
02Astronomia · História · Tradição astrológica · Interpretação simbólica
Por que Escorpião é fixo e de Água
Por que fixo?
Escorpião fica no meio do outono do hemisfério norte, quando a estação já está firme. Ptolomeu chama esses signos de “sólidos”, e Valens descreve Escorpião como “sólido” e “imutável”. A leitura moderna dos fixos como persistentes e concentrados nasce dessa ideia.2,3
Água fixa
Escorpião é o signo do meio do triângulo de Água, com Câncer e Peixes. Ptolomeu dá a Marte uma participação nesse triângulo justamente por causa de Escorpião, sua casa; Valens descreve o signo como “chuvoso” e “fecundo”. (A história completa do elemento Água, da filosofia grega à leitura emocional moderna, está no verbete de Câncer.)2,3
Astrólogos de hoje usam imagens próprias para a água fixa: a água parada e funda, a que se acumula sob a superfície, ou o gelo, água que tomou forma e não escorre. São metáforas modernas, construídas a partir da classificação antiga.1
03Astronomia · História · Tradição astrológica · Interpretação simbólica
Marte e Plutão, os regentes de Escorpião
Por que Marte rege Escorpião?
No sistema de Ptolomeu, Marte recebe dois signos, Áries e Escorpião, ambos em quadratura com as casas do Sol e da Lua, uma geometria considerada tensa. A explicação completa da lógica está no verbete de Áries.2
A diferença entre as duas casas é de natureza. Áries é masculino, diurno e de Fogo; Escorpião é feminino, noturno e de Água. Astrólogos de hoje resumem a diferença dizendo que o Marte de Áries luta para fora e o de Escorpião luta para dentro: estratégia, resistência, autodomínio.1,2
Escorpião é também o lugar mais fraco da Lua. Ptolomeu põe ali a sua depressão, no signo oposto a Touro, onde ela é exaltada.2
A chegada de Plutão
Em 18 de fevereiro de 1930, Clyde Tombaugh, do Observatório Lowell, nos Estados Unidos, encontrou um astro muito tênue além de Netuno. O nome Plutão, o deus do mundo subterrâneo, foi sugerido por uma menina de 11 anos, Venetia Burney. Plutão leva 248 anos para dar a volta ao Sol e, em 2006, a União Astronômica Internacional o reclassificou como planeta anão.4,5
Como Plutão chegou a Escorpião?
Não de uma vez. Pelo que historiadores da astrologia moderna reconstituem:5,6
- Logo depois da descoberta, os astrólogos debateram a que signo Plutão deveria pertencer. Em meados do século XX, as duas candidatas principais eram Escorpião e Áries, as casas de Marte.
- Até meados dos anos 1970, os significados de Plutão variavam bastante de autor para autor.
- A convergência veio com obras como Planets in Transit, de Robert Hand (1976). A partir daí, Plutão, Escorpião e a casa 8 passaram a ser lidos juntos, e a opção por Áries praticamente desapareceu.
- Fontes: 6
Os que deram o planeta a Escorpião acabaram sendo maioria. Quem foi o primeiro a propor essa regência, e em que ano, é um ponto que este verbete ainda não conseguiu documentar.5
De onde vieram poder, crise e transformação?
De três fontes, todas do século XX. A primeira é o mito: Plutão, ou Hades, senhor do mundo dos mortos, tornou-se a principal porta de entrada para os significados do planeta. A segunda é a época da descoberta, os anos 1930 dos movimentos de massa, do fascismo e, pouco depois, da bomba atômica. A terceira é a observação dos astrólogos ao longo de décadas.5
Reinhold Ebertin, em 1940, resumia Plutão como “a vontade de exercer poder”. Robert Hand, em 1976, escrevia que Plutão “começa por destruir uma estrutura e depois cria uma nova” e que “não significa morte no sentido literal”.5
Na astrologia tradicional, que segue Ptolomeu e Valens, o regente de Escorpião é Marte, e só ele. Na astrologia moderna, o regente mais citado é Plutão. Entre os modernos, há escolas que mantêm Marte como regente e tratam Plutão apenas como planeta associado ao signo, e escolas que usam os dois, chamando Plutão de corregente. Em nenhum caso Plutão é um regente antigo: ele só foi visto em 1930.1,2,5
04História · Tradição astrológica · Interpretação simbólica
Intensidade, segredo, poder e renascimento: o que é antigo e o que é moderno
A fama de Escorpião é feita de camadas de épocas diferentes. Vale separá-las.
O que é marciano e antigo. Valens descreve Escorpião como “destrutivo” e traça dos nativos um retrato extremamente duro, de ladrões, traidores e envenenadores. É o Marte temido da Antiguidade, o planeta do corte e da violência, projetado sobre o signo. A mesma lista chama o signo de “fecundo”.3
O que é da casa 8. No século XX, ganhou força a ideia de que signos, planetas e casas formam um mesmo “alfabeto de doze letras”: o oitavo signo equivaleria à oitava casa do mapa. Como a casa 8 era tradicionalmente a da morte, Escorpião passou a carregar o tema da morte.5,6
O que é plutoniano. Poder, crise, destruição e reconstrução, morte e renascimento chegaram com Plutão e com o mito do mundo subterrâneo. Dane Rudhyar foi um dos autores que falaram de morte e renascimento; Ebertin, de poder; Hand, de destruir para reconstruir.5
O que é leitura contemporânea. Profundidade, privacidade, lealdade emocional, necessidade de confiança, desejo de fusão no amor e controle entendido também como autodomínio são temas da astrologia atual, que combina todas as camadas anteriores.1
Na astrologia do século XX, sobretudo a partir de Alan Leo, cada signo passou a ser lido como equivalente de uma casa do mapa e de um planeta. A equivalência Escorpião = casa 8 = Plutão é moderna.6
A sexualidade segue o mesmo padrão. Os antigos chamavam o signo de fecundo, o que é uma qualidade de fertilidade, e não de comportamento. A fama de signo “sexual” é moderna, e mesmo astrólogos que trabalham com ela dizem que foi exagerada.1,3
05História · Mitologia
História e mitologia do escorpião
O Cortador da Babilônia
Escorpião é uma das figuras mais estáveis do zodíaco. No catálogo babilônio MUL.APIN, a constelação já se chama GIR.TAB, em acádio zuqaqīpu, literalmente “o Cortador”, nome do escorpião.7,8
O escorpião e Órion
Na Grécia, o escorpião é o animal que matou o caçador Órion. A história tem várias versões, e elas não concordam sobre quem mandou o escorpião nem por quê:9
- Num fragmento atribuído a Hesíodo, citado nos Catasterismos, Órion ameaça matar todos os animais da terra; a Terra envia o escorpião, e Zeus põe os dois no céu.
- Em Arato (século III a.C.), é Ártemis quem manda o escorpião, porque Órion lhe puxou o manto na ilha de Quios.
- Em Higino, Órion se gaba diante de Ártemis e Leto de que pode matar qualquer coisa que a terra produza, e a Terra, irritada, envia o escorpião.
- Em Ovídio, a Terra solta o escorpião, e Órion morre ao proteger Ártemis; Leto o põe no céu.
- Fontes: 9
O mito descreve algo que se vê no céu. Órion e Escorpião ficam em lados opostos: quando o Escorpião nasce a leste, Órion se põe a oeste, como se fugisse. Arato já registrava essa perseguição.9
As garras que viraram Libra
Para os gregos, o escorpião celeste era maior do que o de hoje: as estrelas de Libra eram as suas garras. Higino registra que o signo se dividia em dois por causa das grandes garras, e que uma parte foi chamada de Balança. A história completa está no verbete de Libra.10
06Interpretação simbólica · História · Ciência
Do Escorpião antigo ao escorpiano dos horóscopos
O retrato de Valens é, possivelmente, o mais duro de todo o zodíaco antigo. Ele não fala de profundidade nem de mistério: fala do mal que Marte poderia fazer. Seria um erro ler esse retrato como descrição de pessoas, e outro erro ler o Escorpião moderno como herdeiro direto dele.3
O escorpiano de hoje foi construído no século XX, com a Água como emoção, o signo fixo como concentração, a casa 8 como morte, e Plutão como poder e transformação. Astrólogos contemporâneos o descrevem pela intensidade, pela busca da verdade, pela privacidade e pela lealdade; e, como sombra, pela desconfiança e pela necessidade de controle.1
É o que se costuma chamar de “ser de Escorpião”: o Sol estava no signo no nascimento, por volta de 23 de outubro a 21–22 de novembro. Na própria astrologia, o signo solar é só uma parte do mapa natal, que inclui a Lua, o ascendente, os planetas e as relações entre eles.
07Astronomia · História
A constelação Scorpius
Scorpius é uma das 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional e a 33ª em tamanho. Ao contrário de Câncer e Peixes, é uma das figuras mais fáceis de reconhecer: uma longa curva de estrelas brilhantes que termina no ferrão.8,12
A estrela mais brilhante de Scorpius, no coração do escorpião. É uma supergigante vermelha, e o nome grego quer dizer “rival de Ares (Marte)”, por causa da cor avermelhada que a faz parecer o planeta.8
Estrelas principais
As posições abaixo vêm do mesmo catálogo usado no Atlas Celeste.13
| Designação | Nome | Ascensão reta | Declinação | Magnitude |
|---|---|---|---|---|
| α Sco | Antares | 16h 29m 24.4s | -26° 25′ 55″ | 0,96 |
| λ Sco | Shaula | 17h 33m 36.5s | -37° 06′ 14″ | 1,63 |
| θ Sco | Sargas | 17h 37m 19.2s | -42° 59′ 52″ | 1,87 |
| ε Sco | Larawag | 16h 50m 09.8s | -34° 17′ 36″ | 2,29 |
| δ Sco | Dschubba | 16h 00m 20.0s | -22° 37′ 18″ | 2,32 |
| κ Sco | — | 17h 42m 29.3s | -39° 01′ 48″ | 2,41 |
| β¹ Sco | Acrab | 16h 05m 26.2s | -19° 48′ 20″ | 2,62 |
| υ Sco | Lesath | 17h 30m 45.8s | -37° 17′ 46″ | 2,69 |
| τ Sco | Paikauhale | 16h 35m 53.0s | -28° 12′ 58″ | 2,82 |
| σ Sco | Alniyat | 16h 21m 11.3s | -25° 35′ 35″ | 2,89 |
| π Sco | Fang | 15h 58m 51.1s | -26° 06′ 51″ | 2,89 |
| ι¹ Sco | — | 17h 47m 35.1s | -40° 07′ 37″ | 3,03 |
| μ¹ Sco | Xamidimura | 16h 51m 52.2s | -38° 02′ 51″ | 3,08 |
| G Sco | — | 17h 49m 51.6s | -37° 02′ 35″ | 3,21 |
| η Sco | — | 17h 12m 09.2s | -43° 14′ 21″ | 3,33 |
O signo de Escorpião é o setor de 210° a 240° da eclíptica, contado a partir do equinócio de março. A constelação Scorpius é uma região do céu com limites fixados pela IAU, e a eclíptica só passa por uma pequena parte dela. Pelos limites oficiais, o Sol fica em Scorpius apenas cerca de seis dias, no fim de novembro, e depois atravessa Ophiuchus.8,12,14
08Respostas breves
Perguntas frequentes
O que significa ser de Escorpião?
Na linguagem da astrologia, é ter nascido com o Sol no signo, aproximadamente entre 23 de outubro e 21 de novembro. O signo é associado à intensidade, à profundidade, à privacidade e à transformação.
São associações simbólicas, e mesmo dentro da astrologia o signo solar é só uma parte do mapa natal.
Quem rege Escorpião, Marte ou Plutão?
Depende da escola. Na astrologia tradicional, Marte, que recebeu Áries e Escorpião no sistema de Ptolomeu. Na astrologia moderna, Plutão, descoberto em 1930 e associado ao signo ao longo do século XX, muitas vezes ao lado de Marte.2,6
Os antigos já ligavam Escorpião à morte e ao renascimento?
Não nas fontes consultadas. A transformação e o renascimento entraram no simbolismo do signo no século XX, com Plutão e com a equivalência entre Escorpião e a casa 8.5,6
Plutão deixou de ser planeta. Isso muda alguma coisa?
Para a astronomia, Plutão é um planeta anão desde 2006. Muitos astrólogos modernos continuam usando-o no mapa, e os tradicionais nunca o usaram como regente.4
Qual é o mito do escorpião?
Na Grécia, é o escorpião que matou o caçador Órion, enviado pela Terra ou por Ártemis, conforme a versão. Na Babilônia, a constelação já era um escorpião, GIR.TAB.7,9
O que Ophiuchus tem a ver com Escorpião?
Pelos limites oficiais da IAU, o Sol passa só cerca de seis dias na constelação Scorpius e depois cruza Ophiuchus. Isso diz respeito às constelações; o signo de Escorpião é um setor de 30° do zodíaco tropical e não muda.8
Qual é o período de Escorpião?
No zodíaco tropical, o Sol percorre Escorpião aproximadamente de 23 de outubro a 21–22 de novembro. As datas variam um pouco de ano para ano.
09Fontes e aprofundamento
Referências
Cada referência indica o que ela sustenta no texto. Interpretações contemporâneas sem fonte indicada são redação do Arcanista, apresentadas como leitura simbólica.
- Discussão contemporânea: Escorpião como signo noturno de Marte, cuja batalha “muitas vezes é interna”; intensidade, profundidade, ir “ao fundo das coisas”, privacidade e segredo, verdade e confiança, lealdade emocional, necessidade de controle (inclusive como autodomínio), desejo de fusão no amor; o estereótipo sexual “vai longe demais”.
- Um convidado não usa os planetas modernos como regentes, mas reconhece que Plutão entrou no vocabulário do signo; a imagem da fênix pode ser recente (talvez teosófica); a transformação é um tema central na leitura atual.
Ptolomeu, Tetrabiblos. Trad. F. E. Robbins. Cambridge (MA): Harvard University Press, Loeb Classical Library, 1940. Livro I, caps. 2, 4, 5, 10, 11, 12, 13, 17, 18 e 19; Livro IV, cap. 10.
- I.2: um poder vindo da substância etérea se espalha pela região da Terra; o Sol produz as estações, a Lua afeta marés e seres vivos; a previsão é possível, mas falível, como a medicina e a navegação.
- I.10: as estações têm qualidades (primavera úmida, verão quente, outono seco, inverno frio), começando pelo equinócio de março, em Áries.
- I.11: nos signos solsticiais e equinociais o Sol “se volta”, invertendo seu movimento em latitude; seguem-se os signos sólidos e os bicorpóreos.
- I.17: Câncer e Leão vão aos luminares por serem os mais setentrionais e próximos do zênite; os demais planetas recebem pares de signos por ordem de esfera (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter) e Saturno, o mais alto e frio, os signos opostos.
- I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam um triângulo de signos femininos, predominantemente do sul (vento Noto), governado pela Lua e por Vênus; os triângulos são descritos por ventos e qualidades, não pelos nomes dos elementos.
- I.4: Vênus tem a natureza temperada de Júpiter; aquece moderadamente, por estar perto do Sol, mas sobretudo umedece. Mercúrio ora seca, por estar perto do Sol, ora umedece, por estar logo acima da esfera da Lua.
- I.11: os signos sólidos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) são assim chamados porque, quando o Sol está neles, os efeitos da estação “nos tocam mais firmemente”; os bicorpóreos (Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes) compartilham, no fim e no começo, as propriedades de duas estações.
- I.17: Vênus recebe Libra e Touro, signos “extremamente férteis” em sextil com as casas dos luminares, porque nunca se afasta mais de dois signos do Sol; Mercúrio recebe Gêmeos e Virgem, porque nunca se afasta mais de um signo do Sol.
- I.19: a Lua tem em Touro sua exaltação, por ali começar a crescer em luz; Mercúrio tem em Virgem sua exaltação, por ser mais seco, como o outono, e sua depressão em Peixes; Vênus tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem.
- IV.10: a Saturno cabe a última idade, a velhice, quando movimentos e desejos se tornam mais lentos.
- I.4: Saturno tem por qualidade sobretudo esfriar e, moderadamente, secar, por estar longe do calor do Sol e das exalações úmidas da Terra.
- I.5: Saturno e Marte são classificados como planetas de efeito oposto ao dos benéficos (maléficos); em Saturno, pelo excesso de frio.
- I.11: Capricórnio é signo solsticial, o primeiro a partir do solstício de inverno (do ponto de vista do Mediterrâneo).
- I.12: os signos alternam masculino e feminino a partir de Áries; Capricórnio, o décimo, cai entre os femininos (por dedução da regra; o capítulo não o nomeia).
- I.17: Câncer e Leão aos luminares; Saturno, o mais frio e o mais distante, recebe os signos opostos a eles, Capricórnio e Aquário, frios e invernais.
- I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam o segundo triângulo, de signos femininos, governado pela Lua (de noite) e por Vênus (de dia). Ptolomeu não chama esse triângulo de 'terra'.
- I.13: trígono e sextil são aspectos harmônicos, por unirem signos do mesmo tipo; quadratura e oposição, desarmônicos.
- I.19: Marte tem em Capricórnio sua exaltação, por estar ali mais ao sul; Câncer é sua depressão. Júpiter, exaltado em Câncer, tem em Capricórnio sua depressão.
- I.4: o Sol aquece e, em certo grau, seca; Marte “sobretudo seca e queima, conforme sua cor ígnea”, por estar perto do Sol; Júpiter tem força temperada, entre o frio de Saturno e o calor de Marte, aquece e umedece e produz ventos fertilizantes.
- I.10: embora o zodíaco, sendo um círculo, não tenha começo natural, toma-se como ponto de partida o signo que começa no equinócio de primavera, Áries, porque a primavera, como a infância, é úmida.
- I.11: Áries é equinocial, o primeiro a partir do equinócio de primavera; Leão é sólido; Sagitário é bicorpóreo.
- I.12: os signos alternam masculino (diurno) e feminino (noturno) a partir de Áries, que é masculino.
- I.17: Leão, masculino, cabe ao Sol, e Câncer, feminino, à Lua, por serem os mais setentrionais e próximos do zênite, os que mais produzem calor; Marte, seco, recebe Escorpião e Áries, em quadratura com as casas dos luminares, de acordo com sua qualidade “destrutiva e desarmônica”; Júpiter, temperado, recebe Sagitário e Peixes, ventosos e férteis, em trígono com as casas dos luminares, configuração “harmoniosa e benéfica”.
- I.18: Áries, Leão e Sagitário formam o primeiro triângulo, de três signos masculinos, que contém as casas do Sol, de Marte e de Júpiter; é governado pelo Sol de dia e por Júpiter de noite (Marte fica de fora por não ser da seita solar); é predominantemente do norte, por causa de Júpiter, fecundo e ventoso.
- I.19: o Sol tem em Áries sua exaltação, porque ali começa a subir para o hemisfério norte e os dias e o calor aumentam; Saturno, por isso, tem em Áries sua depressão: “onde o calor aumenta, o frio diminui”.
- I.11: Libra é o signo equinocial que começa no equinócio de outono (do hemisfério norte); Gêmeos é bicorpóreo; Aquário é sólido.
- I.18: Gêmeos, Libra e Aquário formam o terceiro triângulo, de três signos masculinos, sem relação com Marte, mas com Saturno e Mercúrio, por suas casas; Saturno o governa de dia, por sua seita, e Mercúrio de noite; o triângulo é sobretudo de constituição oriental (do leste).
- I.19: Saturno tem em Libra sua exaltação e em Áries sua depressão, o inverso do Sol, porque “onde o calor aumenta, o frio diminui” e vice-versa: em Libra o Sol começa a descer para o sul e os dias encurtam.
- I.9 (nota do tradutor 47): “as Garras do Escorpião” é o nome antigo de Libra (em grego, Zygós, “a balança”); Ptolomeu usa os dois nomes.
- I.4: “a maior parte do poder da Lua consiste em umedecer”, por sua proximidade da Terra e das exalações úmidas que sobem dela.
- I.11: Câncer é solsticial, o primeiro intervalo de 30° a partir do solstício de verão; Escorpião é sólido; Peixes é bicorpóreo.
- I.17: Câncer, feminino, é dado à Lua (e Leão, masculino, ao Sol); Escorpião e Áries, contíguos às casas dos luminares, a Marte; Sagitário e Peixes, “ventosos e fecundos”, a Júpiter.
- I.18: Câncer, Escorpião e Peixes formam o quarto triângulo, de signos femininos; Marte participa dele por sua casa, Escorpião; a Lua o governa de noite e Vênus de dia, como corregentes de Marte; o triângulo é sobretudo ocidental.
- I.19: Júpiter tem em Câncer sua exaltação, porque ali chega ao ponto mais setentrional e completa seu poder; Marte, exaltado em Capricórnio, tem em Câncer sua depressão. Vênus, úmida por natureza, tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem; Mercúrio, mais seco, tem a depressão em Peixes. A Lua tem a depressão em Escorpião, oposto de sua exaltação em Touro.
Vettius Valens, Antologia (séc. II). Trad. inglesa de Mark T. Riley. Livro I, cap. 2 (a natureza dos doze signos).
- Capricórnio é “casa de Saturno, feminino, trópico, terroso”; Touro e Virgem também são descritos como terrosos; Áries, Leão e Sagitário, como ígneos.
- Testemunho antigo, contemporâneo de Ptolomeu, do esquema de domicílios e da associação dos signos aos elementos.
- Touro: feminino, sólido, “no trópico de primavera do Sol”; terroso, rústico, ligado à agricultura e à ordem.
- Virgem: “casa de Mercúrio, feminino, alado, de forma humana”, “de pé como a figura da Justiça”; bicorpóreo, terroso; nativos ligados à administração, às contas e à gestão de bens alheios.
- I.1: Vênus é “desejo e amor”, indica a mãe e a nutrição, amizade, música, pintura e beleza; Mercúrio indica educação, letras, argumentação, raciocínio, interpretação, número, contas, geometria e mercados.
- Áries: “casa de Marte, signo masculino, trópico, terrestre, governante, ígneo, livre”; “meio do céu do universo”; nativos “brilhantes, ilustres”, “ousados no pensamento”, “de grande coração”, “inquietos, instáveis”, “orgulhosos”; quanto ao clima, “por natureza úmido, com trovões e granizo”.
- Leão: “masculino, casa do Sol, livre, ígneo, temperado, intelectual, régio, estável, nobre”, “sólido”, “irascível”; nativos “ilustres, nobres, firmes, justos, inimigos do mal, independentes, inimigos da bajulação, benfeitores, inflados por seus pensamentos elevados”; “Leão é quente: a estrela brilhante do peito [Regulus] é ígnea e sufocante”.
- Sagitário: “casa de Júpiter, masculino, ígneo”, “nobre, alado, mutável, bicorpóreo, de duas naturezas, misterioso”, “governante, régio”; nativos “nobres, justos, de grande coração, juízes, generosos, que amam os irmãos e os amigos”, que “perdem muito do que tinham, mas recuperam”, “buscam uma reputação nobre”.
- Câncer: “casa da Lua, feminino, solsticial, o Ascendente do universo”, “aquoso, nobre, mutável”, “prolífico, anfíbio”; nativos ambiciosos, populares, “sempre mudando”, teatrais, alegres e “facilmente abatidos”, amantes da festa, que se tornam viajantes.
- Escorpião: “casa de Marte, feminino, sólido, chuvoso, fecundo, destrutivo”, “imutável”; o retrato dos nativos é extremamente duro (ladrões, traidores, envenenadores, “que odeiam a própria família”).
- Peixes: “feminino, úmido, bastante molhado, bicorpóreo”, “de duas formas”, “em conflito consigo mesmo, porque um Peixe é do norte e o outro do sul”, “mutável”, “causa de errância, variado”; nativos “instáveis”, que mudam “da má para a boa sorte”, populares.
- I.1: a Lua, de luz emprestada do Sol, indica a vida, o corpo, a mãe, a concepção, a aparência, a vida em comum (o casamento legítimo), a nutrição, o cuidado da casa, a senhora da casa, os bens, a cidade e o povo, as viagens e errâncias; rege o estômago, os seios e a prata.
- Gêmeos: “masculino, bicorpóreo, articulado, casa de Mercúrio”; sob ele nascem “estudiosos, os que trabalham com educação e letras, poetas”, amantes da música, oradores, administradores, tradutores, comerciantes, “pessoas sensatas”, praticantes de “artes curiosas” e buscadores de saberes místicos.
- Libra: “casa de Vênus, masculino, equinocial, de forma humana”, “aéreo”, “vocal, nobre, mutável”, supervisor das colheitas, das vinhas, dos olivais, das medidas e dos artesãos; nativos “nobres e justos”, mas também invejosos dos bens alheios, de sorte mediana, que vivem “altos e baixos” e cuidam das medidas e do abastecimento de grãos.
- Aquário: “masculino, sólido, de forma humana, um tanto úmido”, “bastante frio, livre”, “imutável”; o retrato dos nativos é duro (“maliciosos”, “obstinados”, “misantropos”, “às vezes generosos”).
- I.1: Saturno faz os nativos mesquinhos, preocupados, solitários e austeros; indica obstáculos, demoras, prisões e luto, mas também grandes cargos, supervisões e a gestão de bens alheios; rege o chumbo, a madeira e a pedra.
- I.1: o Sol, “fogo da natureza e luz intelectual”, indica realeza, comando, inteligência, beleza, julgamento, reputação pública, o pai, a amizade, honras; rege o coração e o ouro. Marte indica força, guerras, violência, raiva, brigas, mas também “comandos, campanhas e liderança”, caça, trabalhos com fogo ou ferro; é “vermelho”. Júpiter indica geração, desejo, amizades com os grandes, prosperidade, presentes, justiça, cargos, arbitragens, confiança, herança, fraternidade, beneficência, “alívio dos problemas, libertação das amarras, liberdade”.
- Descoberto em 1930; o nome foi sugerido por uma menina de 11 anos, Venetia Burney, de Oxford; reclassificado como planeta anão pela União Astronômica Internacional em 2006; órbita de 248 anos.
- Plutão foi descoberto em 18 de fevereiro de 1930 por Clyde Tombaugh, no Observatório Lowell; os astrólogos debateram a que signo atribuí-lo, e os que o deram a Escorpião acabaram sendo maioria; Escorpião e a casa 8 se fundiram na astrologia do século XX.
- Os significados de Plutão vieram do mito do mundo subterrâneo, do contexto dos anos 1930 (bomba atômica, fascismo, movimentos de massa) e da observação: Ebertin (1940) fala de “vontade de exercer poder”; Rudhyar, de morte e renascimento; Hand (1976): Plutão “começa por destruir uma estrutura e depois cria uma nova” e “não significa morte no sentido literal”.
- Pesquisa de Kenneth Miller: em meados do século XX, astrólogos debatiam se Plutão regia Escorpião ou Áries; até meados dos anos 1970, os significados de Plutão eram pouco consistentes; a convergência veio com obras como Planets in Transit, de Robert Hand (1976), quando Plutão, Escorpião e a casa 8 passaram a ser lidos juntos.
- A equivalência entre signos e casas (Escorpião = casa 8, tradicionalmente ligada à morte) é atribuída a Alan Leo e ao “alfabeto de doze letras” da astrologia do século XX; antes de Plutão, revistas britânicas debatiam onde Netuno deveria reger, e uma lógica de sequência apontava Peixes como o próximo signo.
“Babylonian star catalogues”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- No MUL.APIN: MUL.GU4.AN.NA, “o Touro do Céu” (Taurus e as Híades); MUL.MUL, “o aglomerado” (as Plêiades); MUL.ABSIN, “o Sulco” (Virgo), associado à deusa Šala, representada segurando grãos.
- O caminho da Lua no MUL.APIN tem 17 ou 18 constelações, antecessoras diretas do zodíaco de doze signos.
- No MUL.APIN: AL.LUL, em acádio alluttu, “o Lagostim” (Cancer); GIR.TAB, em acádio zuqaqīpu, “o Cortador”, isto é, o escorpião (Scorpius); ŠIM.MAḪ, “a Grande Andorinha” (sudoeste de Pisces e parte de Pegasus); Anunitu, “a deusa Anunitu” (nordeste de Pisces e parte de Andromeda); KUN.MEŠ, “as Caudas” (Pisces); em fonte babilônica tardia, DU.NU.NU, “a Corda dos Peixes”.
- No MUL.APIN: MAŠ.TAB.BA(.GAL.GAL), “os (Grandes) Gêmeos” (Gemini); ZI.BA.AN.NA, em acádio zibānītu, “a Balança” (Libra); GU.LA, “o Grande” (Aquarius), que o artigo diz representar Ea, deus das águas (afirmação sem nota no artigo).
- No MUL.APIN: (LÚ.)ḪUN.GÁ, em acádio agru, “o Trabalhador Rural” (Aries); não está claro como o Trabalhador virou o Carneiro grego, talvez por trocadilho ou mal-entendido. UR.GU.LA (com UR.MAḪ, “o Leão”) corresponde a Leo. PA.BIL.SAG, o deus Pabilsag, “comparativamente obscuro”, depois identificado com Ninurta, corresponde a Sagittarius.
“Scorpius”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- Os babilônios a chamavam MUL.GIR.TAB, “o Escorpião”; 497 graus quadrados (33ª em tamanho); Antares, “rival de Marte (Ares)”, pela cor avermelhada; pelos limites da IAU, o Sol passa só cerca de seis dias na constelação, de 23 a 28 de novembro, e boa parte da diferença em relação ao signo se deve a Ophiuchus.
- Arato (séc. III a.C.): Ártemis mandou o escorpião contra Órion, que lhe tinha puxado o manto em Quios; quando o Escorpião nasce a leste, Órion “foge” no horizonte oeste.
- Higino II.26: Órion se gabou diante de Ártemis e Leto de que podia matar tudo o que a terra produzisse; a Terra, irritada, enviou o escorpião, que o matou. Em Ovídio (Fastos V), a Terra solta o escorpião, e Órion morre ao proteger Ártemis. O fragmento de Hesíodo citado nos Catasterismos fala da ameaça de matar todos os animais e de Zeus pondo os dois no céu.
Theoi Project, “Skorpios” (compilação de fontes: Pseudo-Higino, Astronomia II.26).
- Higino II.26: o signo do Escorpião “é dividido em duas partes por causa da grande extensão das garras”, e “uma parte dele nossos escritores chamaram de Balança (Libra)”.
S. Carlson, “A double-blind test of astrology”, Nature, 318, p. 419–425, 1985. DOI 10.1038/318419a0.
- Em teste duplo-cego, astrólogos não associaram mapas natais aos perfis de personalidade corretos acima do acaso.
União Astronômica Internacional (IAU). The Constellations.
- As 88 constelações reconhecidas, com limites oficiais publicados pela IAU, entre elas as 12 do zodíaco (Capricornus, por exemplo, tem abreviatura Cap e genitivo Capricorni).
- Posições (J2000) e magnitudes das estrelas das 12 constelações zodiacais usadas no Atlas Celeste e nos verbetes.
- O eixo da Terra oscila como um pião; o ciclo da precessão axial dura cerca de 25.771,5 anos (≈ 1° a cada 72 anos).
Dados das estrelas e figura da constelação: os mesmos do Atlas Celeste (Bright Star Catalogue; traçado próprio do Arcanista). Créditos e licenças das ilustrações.
Versão preliminar, em revisão editorial · Atualizado em