ENCICLOPÉDIA ASTROLÓGICA · SIGNO
Gêmeos
Gêmeos é o terceiro signo do zodíaco tropical e ocupa os últimos 30 graus antes do solstício de junho. Na astrologia, é o signo da curiosidade, da palavra e da troca: associado a Mercúrio, ao elemento Ar e à passagem da primavera para o verão no hemisfério norte.
A figura dos gêmeos é antiga, mas os gêmeos não foram sempre os mesmos. Na Babilônia eram dois deuses guerreiros que guardavam portas; na Grécia, dois irmãos que dividiam a imortalidade. Este verbete conta essa transformação e explica de onde vêm Mercúrio e o elemento Ar, que Gêmeos divide com Libra e Aquário.

- Símbolo
- Glifo de Gêmeos
- Elemento
- Ar
- Modalidade
- Mutável
- Polaridade
- Masculina (diurna), na classificação clássica
- Regente tradicional
- Mercúrio
- Posição
- 3º signo do zodíaco tropical (60°–90°)
- Período solar
- Por volta de 20–21 de maio a 20–21 de junho, conforme o ano.
Neste verbete
01Tradição astrológica · História · Interpretação simbólica
O que Gêmeos significa e de onde vêm essas ideias
Na astrologia, Gêmeos é o signo da mente em movimento: perguntar, conversar, aprender um pouco de tudo, ligar uma ideia a outra. É associado à curiosidade, à linguagem, à versatilidade, ao humor e a uma certa dificuldade de ficar parado.
Essas ideias vêm de três peças do sistema astrológico:
- Mercúrio, o planeta mais rápido, que os gregos ligaram a Hermes, o mensageiro, e os astrólogos às letras e ao raciocínio (seção “Mercúrio”).
- A posição de Gêmeos no fim de uma estação, que os antigos chamavam de “bicorpórea”, e a ideia de Ar, que só mais tarde virou sinônimo de pensamento (seção “Mutável e Ar”).
- A figura de dois irmãos, que mudou de identidade ao passar da Babilônia para a Grécia (seção “História e mito”).
A fama do geminiano “de duas caras” é uma leitura negativa e moderna da figura dupla. Os textos antigos falam de estudiosos, poetas e tradutores; astrólogos de hoje falam de curiosidade e comunicação, e discutem a fama de falsidade justamente para desmontá-la.1,2
02Astronomia · História · Tradição astrológica · Interpretação simbólica
Por que Gêmeos é mutável e de Ar
Por que mutável?
Gêmeos fecha a primavera do hemisfério norte: quando o Sol sai dele, chega o solstício de junho. Ptolomeu chamava os signos que encerram as estações de “bicorpóreos”, porque compartilham as qualidades de duas estações ao mesmo tempo.3
Em Gêmeos, o “corpo duplo” do calendário encontra um corpo duplo no céu: dois irmãos lado a lado. Valens também descreve o signo como “bicorpóreo”. A leitura moderna dos mutáveis como adaptáveis e versáteis nasce dessa ideia de passagem.1,2
De onde vem a ideia de Ar?
Esta é a pergunta que vale para os três signos de Ar, e a resposta tem camadas.
Na filosofia grega. Empédocles, no século V a.C., propôs que tudo é feito de quatro “raízes”: fogo, ar, água e terra. Aristóteles deu a cada uma duas qualidades. O ar, para ele, era quente e úmido. Não havia aqui nada de pensamento ou conversa: era física.4
Em Ptolomeu. No século II, Ptolomeu agrupa os signos de quatro em quatro, em triângulos. Gêmeos, Libra e Aquário formam um triângulo de três signos masculinos, governado por Saturno de dia e por Mercúrio de noite. Ele não usa a palavra “ar”: fala de planetas, de sexo dos signos e de ventos.3
Em Valens. Na mesma época, Vettius Valens já chama Libra de “aéreo”. É um dos testemunhos de que o nome do elemento estava ligado a esse grupo de signos na astrologia do século II.1
Na astrologia moderna. A ideia de que os signos de Ar são intelectuais, comunicativos e sociáveis é uma interpretação de temperamento desenvolvida sobretudo no século XX. Ela combina o elemento com o que já se dizia dos regentes (Mercúrio, Vênus e Saturno) e com as figuras humanas do grupo.5
Nem os antigos concordavam entre si. Num modelo estoico lembrado por astrólogos contemporâneos, o ar era frio, e não quente. A classificação dos elementos é uma construção histórica, e a equação “Ar = intelecto” é uma metáfora, não uma conclusão sobre pessoas.2
03Astronomia · História · Tradição astrológica
Mercúrio, regente de Gêmeos
Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol e o mais rápido: dá a volta em 88 dias e, visto da Terra, nunca se afasta mais de 28° do Sol. Aparece pouco, rente ao horizonte, logo antes do nascer ou logo depois do pôr do Sol, e some depressa.6,7
Por que Mercúrio rege Gêmeos e também Virgem?
No esquema clássico, os signos são distribuídos a partir das casas do Sol e da Lua, Leão e Câncer. Mercúrio, que nunca fica a mais de um signo do Sol, recebe os dois vizinhos imediatos dessas casas: Gêmeos, ao lado de Câncer, e Virgem, ao lado de Leão.3
A observação é real: Mercúrio de fato anda colado ao Sol. O passo seguinte, ligar isso a dois signos, é uma regra do sistema, elegante e simétrica, mas sem relação física com as estrelas de Gemini.7
O Mercúrio de Gêmeos é o mesmo de Virgem?
O planeta é o mesmo, mas o sistema o coloca em ambientes diferentes. Gêmeos é masculino, de Ar e fecha a primavera; Virgem é feminino, de Terra e fecha o verão. Em Virgem, Mercúrio ainda está exaltado; em Gêmeos, está dentro do triângulo do Ar, que ele governa de noite.3
Os textos antigos já sugerem a diferença. Para Valens, sob Gêmeos nascem estudiosos, poetas, músicos, oradores, tradutores, comerciantes e praticantes de “artes curiosas”; sob Virgem, administradores e contadores. A astrologia de hoje resume: em Gêmeos, o Mercúrio da conversa e da curiosidade; em Virgem, o da análise e do método.1,2
Signo em que um planeta é considerado “em casa”. Mercúrio tem dois, Gêmeos e Virgem, os únicos vizinhos das casas do Sol e da Lua. A explicação mais longa sobre Mercúrio está no verbete de Virgem.3
Por que Mercúrio significa palavra e troca?
O planeta recebeu o nome de Hermes, o mensageiro dos deuses, e depois de Mercúrio, seu equivalente romano: o deus dos caminhos, do comércio e das palavras. Valens o liga à educação, às letras, à argumentação, aos números e aos mercados. O movimento rápido e esquivo do planeta combinava com a figura do mensageiro.1
04História · Mitologia
História e mitologia dos gêmeos
Os Grandes Gêmeos da Babilônia
No catálogo babilônio MUL.APIN, as duas estrelas brilhantes da constelação já formavam um par: MAŠ.TAB.BA.GAL.GAL, “os Grandes Gêmeos”.8
Mas esses gêmeos não eram Castor e Pólux. Os textos os identificam com Lugal-irra e Meslamta-ea, dois deuses guerreiros ligados a Nergal, o senhor do mundo dos mortos. Eram protetores de portas: estatuetas deles eram enterradas sob as entradas dos edifícios para afastar o mal.9
Castor e Pólux
Na Grécia, o par recebeu outra história. Higino conta que “muitos astrônomos” chamavam as estrelas de Castor e Pólux, os Dióscuros, “os mais afetuosos” de todos os irmãos, que nunca disputaram a liderança.10
O mito é delicado. Castor era mortal; Pólux, filho de Zeus, imortal. Quando Castor morreu, Pólux escolheu dividir com ele a imortalidade, e os dois passaram a viver em dias alternados, um dia entre os deuses, outro sob a terra. A história está em Píndaro e nos antigos Cantos Cíprios. Os gêmeos também eram invocados pelos marinheiros nas tempestades.10
Também houve quem visse no par outros irmãos e companheiros: Apolo e Héracles, ou Triptólemo e Iásion, dois favoritos de Deméter.11
05Interpretação simbólica · História · Ciência
Do Gêmeos antigo ao geminiano dos horóscopos
Valens descreve Gêmeos como “masculino, bicorpóreo, articulado, casa de Mercúrio”. A lista de quem nasce sob o signo parece uma biblioteca: estudiosos, professores, poetas, amantes da música, oradores, tradutores, comerciantes, “pessoas sensatas” e “buscadores de saberes místicos”.1
Astrólogos contemporâneos mantêm o fio: curiosidade, comunicação em todas as formas (fala, escrita, gesto), adaptabilidade, inteligência rápida, humor. Como sombra, a inquietude, a dispersão e a sensação de estar sempre em vários lugares ao mesmo tempo.2
O estereótipo do geminiano falso é outra coisa: uma leitura moralista da figura dupla. No episódio consultado, os próprios astrólogos rejeitam a ideia de que a dualidade de Gêmeos signifique falsidade.2
É o que se costuma chamar de “ser de Gêmeos”: o Sol estava no signo no nascimento, por volta de 21 de maio a 20 de junho. Na própria astrologia, o signo solar é só uma parte do mapa natal, que inclui a Lua, o ascendente, os planetas e as relações entre eles.
06Astronomia · História
A constelação Gemini
Gemini é uma das 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional, a 30ª em tamanho. Duas estrelas próximas e brilhantes, Castor e Pólux, marcam as cabeças dos irmãos; duas fileiras de estrelas desenham os corpos lado a lado.13,14
Estrelas principais
As posições abaixo vêm do mesmo catálogo usado no Atlas Celeste. Pólux é a mais brilhante, embora leve a letra β; Castor, a α, é na verdade um sistema de seis estrelas. Todo dezembro, a chuva de meteoros Geminídeas parece sair da constelação.14,15
| Designação | Nome | Ascensão reta | Declinação | Magnitude |
|---|---|---|---|---|
| β Gem | Pollux | 07h 45m 18.9s | +28° 01′ 34″ | 1,14 |
| γ Gem | Alhena | 06h 37m 42.7s | +16° 23′ 57″ | 1,93 |
| α Gem | Castor | 07h 34m 36.0s | +31° 53′ 18″ | 1,98 |
| μ Gem | Tejat | 06h 22m 57.6s | +22° 30′ 49″ | 2,88 |
| ε Gem | Mebsuta | 06h 43m 55.9s | +25° 07′ 52″ | 2,98 |
| η Gem | Propus | 06h 14m 52.6s | +22° 30′ 24″ | 3,28 |
| ξ Gem | Alzirr | 06h 45m 17.4s | +12° 53′ 44″ | 3,36 |
| δ Gem | Wasat | 07h 20m 07.4s | +21° 58′ 56″ | 3,53 |
| κ Gem | — | 07h 44m 26.8s | +24° 23′ 53″ | 3,57 |
| λ Gem | — | 07h 18m 05.6s | +16° 32′ 25″ | 3,58 |
| θ Gem | — | 06h 52m 47.3s | +33° 57′ 40″ | 3,60 |
| ζ Gem | Mekbuda | 07h 04m 06.5s | +20° 34′ 13″ | 3,79 |
| ι Gem | — | 07h 25m 43.6s | +27° 47′ 53″ | 3,79 |
Uma curiosidade liga Gêmeos a outro signo de Ar: foi aqui, perto da estrela η Geminorum, que William Herschel encontrou Urano em 13 de março de 1781, o planeta que a astrologia moderna associaria a Aquário.14,16
O signo de Gêmeos é o setor de 60° a 90° da eclíptica, contado a partir do equinócio de março. A constelação Gemini é uma região do céu com limites fixados pela IAU. Por causa da precessão, hoje o Sol a atravessa de cerca de 21 de junho a 20 de julho, um mês depois do signo.13,14,17
07Respostas breves
Perguntas frequentes
O que significa ser de Gêmeos?
Na linguagem da astrologia, é ter nascido com o Sol no signo, aproximadamente entre 21 de maio e 20 de junho. O signo é associado à curiosidade, à comunicação, à versatilidade e ao movimento das ideias.
São associações simbólicas, e mesmo dentro da astrologia o signo solar é só uma parte do mapa natal.
Qual é o planeta regente de Gêmeos?
Mercúrio. Por nunca se afastar mais de um signo do Sol, ele recebeu no esquema clássico os dois signos vizinhos das casas do Sol e da Lua: Gêmeos e Virgem.3
Por que Gêmeos é um signo de Ar?
Porque pertence ao triângulo de Gêmeos, Libra e Aquário, que a astrologia associou ao Ar, um dos quatro elementos da filosofia grega. A ligação do Ar com o pensamento e a comunicação é uma interpretação moderna, não uma propriedade comprovada.3,4
Quem são os gêmeos do signo?
Para os gregos, Castor e Pólux, os irmãos que dividiram a imortalidade. Na Babilônia, as mesmas estrelas eram os “Grandes Gêmeos”, identificados com dois deuses guardiões ligados a Nergal.9,10
Gêmeos tem “duas caras”?
Essa é uma fama popular, construída sobre a figura dupla do signo. Os textos antigos não a sustentam, e astrólogos contemporâneos a tratam como estereótipo. Nenhum signo define o caráter de alguém.2
Qual é o período de Gêmeos?
No zodíaco tropical, o Sol percorre Gêmeos aproximadamente de 20–21 de maio a 20–21 de junho. As datas variam um pouco de ano para ano.
08Fontes e aprofundamento
Referências
Cada referência indica o que ela sustenta no texto. Interpretações contemporâneas sem fonte indicada são redação do Arcanista, apresentadas como leitura simbólica.
Vettius Valens, Antologia (séc. II). Trad. inglesa de Mark T. Riley. Livro I, cap. 2 (a natureza dos doze signos).
- Capricórnio é “casa de Saturno, feminino, trópico, terroso”; Touro e Virgem também são descritos como terrosos; Áries, Leão e Sagitário, como ígneos.
- Testemunho antigo, contemporâneo de Ptolomeu, do esquema de domicílios e da associação dos signos aos elementos.
- Touro: feminino, sólido, “no trópico de primavera do Sol”; terroso, rústico, ligado à agricultura e à ordem.
- Virgem: “casa de Mercúrio, feminino, alado, de forma humana”, “de pé como a figura da Justiça”; bicorpóreo, terroso; nativos ligados à administração, às contas e à gestão de bens alheios.
- I.1: Vênus é “desejo e amor”, indica a mãe e a nutrição, amizade, música, pintura e beleza; Mercúrio indica educação, letras, argumentação, raciocínio, interpretação, número, contas, geometria e mercados.
- Áries: “casa de Marte, signo masculino, trópico, terrestre, governante, ígneo, livre”; “meio do céu do universo”; nativos “brilhantes, ilustres”, “ousados no pensamento”, “de grande coração”, “inquietos, instáveis”, “orgulhosos”; quanto ao clima, “por natureza úmido, com trovões e granizo”.
- Leão: “masculino, casa do Sol, livre, ígneo, temperado, intelectual, régio, estável, nobre”, “sólido”, “irascível”; nativos “ilustres, nobres, firmes, justos, inimigos do mal, independentes, inimigos da bajulação, benfeitores, inflados por seus pensamentos elevados”; “Leão é quente: a estrela brilhante do peito [Regulus] é ígnea e sufocante”.
- Sagitário: “casa de Júpiter, masculino, ígneo”, “nobre, alado, mutável, bicorpóreo, de duas naturezas, misterioso”, “governante, régio”; nativos “nobres, justos, de grande coração, juízes, generosos, que amam os irmãos e os amigos”, que “perdem muito do que tinham, mas recuperam”, “buscam uma reputação nobre”.
- Câncer: “casa da Lua, feminino, solsticial, o Ascendente do universo”, “aquoso, nobre, mutável”, “prolífico, anfíbio”; nativos ambiciosos, populares, “sempre mudando”, teatrais, alegres e “facilmente abatidos”, amantes da festa, que se tornam viajantes.
- Escorpião: “casa de Marte, feminino, sólido, chuvoso, fecundo, destrutivo”, “imutável”; o retrato dos nativos é extremamente duro (ladrões, traidores, envenenadores, “que odeiam a própria família”).
- Peixes: “feminino, úmido, bastante molhado, bicorpóreo”, “de duas formas”, “em conflito consigo mesmo, porque um Peixe é do norte e o outro do sul”, “mutável”, “causa de errância, variado”; nativos “instáveis”, que mudam “da má para a boa sorte”, populares.
- I.1: a Lua, de luz emprestada do Sol, indica a vida, o corpo, a mãe, a concepção, a aparência, a vida em comum (o casamento legítimo), a nutrição, o cuidado da casa, a senhora da casa, os bens, a cidade e o povo, as viagens e errâncias; rege o estômago, os seios e a prata.
- Gêmeos: “masculino, bicorpóreo, articulado, casa de Mercúrio”; sob ele nascem “estudiosos, os que trabalham com educação e letras, poetas”, amantes da música, oradores, administradores, tradutores, comerciantes, “pessoas sensatas”, praticantes de “artes curiosas” e buscadores de saberes místicos.
- Libra: “casa de Vênus, masculino, equinocial, de forma humana”, “aéreo”, “vocal, nobre, mutável”, supervisor das colheitas, das vinhas, dos olivais, das medidas e dos artesãos; nativos “nobres e justos”, mas também invejosos dos bens alheios, de sorte mediana, que vivem “altos e baixos” e cuidam das medidas e do abastecimento de grãos.
- Aquário: “masculino, sólido, de forma humana, um tanto úmido”, “bastante frio, livre”, “imutável”; o retrato dos nativos é duro (“maliciosos”, “obstinados”, “misantropos”, “às vezes generosos”).
- I.1: Saturno faz os nativos mesquinhos, preocupados, solitários e austeros; indica obstáculos, demoras, prisões e luto, mas também grandes cargos, supervisões e a gestão de bens alheios; rege o chumbo, a madeira e a pedra.
- I.1: o Sol, “fogo da natureza e luz intelectual”, indica realeza, comando, inteligência, beleza, julgamento, reputação pública, o pai, a amizade, honras; rege o coração e o ouro. Marte indica força, guerras, violência, raiva, brigas, mas também “comandos, campanhas e liderança”, caça, trabalhos com fogo ou ferro; é “vermelho”. Júpiter indica geração, desejo, amizades com os grandes, prosperidade, presentes, justiça, cargos, arbitragens, confiança, herança, fraternidade, beneficência, “alívio dos problemas, libertação das amarras, liberdade”.
- Discussão contemporânea: Gêmeos como signo da curiosidade, da comunicação (fala, escrita, gesto), da adaptabilidade, da inteligência rápida e do humor; o lado de inquietude, dispersão e fragmentação; a fama de “duas caras” é discutida e rejeitada como leitura necessária do signo.
- Mercúrio como o planeta visível mais rápido e como mensageiro; os signos mutáveis como “bicorpóreos” nos textos helenísticos; num modelo estoico citado no episódio, o ar seria frio.
Ptolomeu, Tetrabiblos. Trad. F. E. Robbins. Cambridge (MA): Harvard University Press, Loeb Classical Library, 1940. Livro I, caps. 2, 4, 5, 10, 11, 12, 13, 17, 18 e 19; Livro IV, cap. 10.
- I.2: um poder vindo da substância etérea se espalha pela região da Terra; o Sol produz as estações, a Lua afeta marés e seres vivos; a previsão é possível, mas falível, como a medicina e a navegação.
- I.10: as estações têm qualidades (primavera úmida, verão quente, outono seco, inverno frio), começando pelo equinócio de março, em Áries.
- I.11: nos signos solsticiais e equinociais o Sol “se volta”, invertendo seu movimento em latitude; seguem-se os signos sólidos e os bicorpóreos.
- I.17: Câncer e Leão vão aos luminares por serem os mais setentrionais e próximos do zênite; os demais planetas recebem pares de signos por ordem de esfera (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter) e Saturno, o mais alto e frio, os signos opostos.
- I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam um triângulo de signos femininos, predominantemente do sul (vento Noto), governado pela Lua e por Vênus; os triângulos são descritos por ventos e qualidades, não pelos nomes dos elementos.
- I.4: Vênus tem a natureza temperada de Júpiter; aquece moderadamente, por estar perto do Sol, mas sobretudo umedece. Mercúrio ora seca, por estar perto do Sol, ora umedece, por estar logo acima da esfera da Lua.
- I.11: os signos sólidos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) são assim chamados porque, quando o Sol está neles, os efeitos da estação “nos tocam mais firmemente”; os bicorpóreos (Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes) compartilham, no fim e no começo, as propriedades de duas estações.
- I.17: Vênus recebe Libra e Touro, signos “extremamente férteis” em sextil com as casas dos luminares, porque nunca se afasta mais de dois signos do Sol; Mercúrio recebe Gêmeos e Virgem, porque nunca se afasta mais de um signo do Sol.
- I.19: a Lua tem em Touro sua exaltação, por ali começar a crescer em luz; Mercúrio tem em Virgem sua exaltação, por ser mais seco, como o outono, e sua depressão em Peixes; Vênus tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem.
- IV.10: a Saturno cabe a última idade, a velhice, quando movimentos e desejos se tornam mais lentos.
- I.4: Saturno tem por qualidade sobretudo esfriar e, moderadamente, secar, por estar longe do calor do Sol e das exalações úmidas da Terra.
- I.5: Saturno e Marte são classificados como planetas de efeito oposto ao dos benéficos (maléficos); em Saturno, pelo excesso de frio.
- I.11: Capricórnio é signo solsticial, o primeiro a partir do solstício de inverno (do ponto de vista do Mediterrâneo).
- I.12: os signos alternam masculino e feminino a partir de Áries; Capricórnio, o décimo, cai entre os femininos (por dedução da regra; o capítulo não o nomeia).
- I.17: Câncer e Leão aos luminares; Saturno, o mais frio e o mais distante, recebe os signos opostos a eles, Capricórnio e Aquário, frios e invernais.
- I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam o segundo triângulo, de signos femininos, governado pela Lua (de noite) e por Vênus (de dia). Ptolomeu não chama esse triângulo de 'terra'.
- I.13: trígono e sextil são aspectos harmônicos, por unirem signos do mesmo tipo; quadratura e oposição, desarmônicos.
- I.19: Marte tem em Capricórnio sua exaltação, por estar ali mais ao sul; Câncer é sua depressão. Júpiter, exaltado em Câncer, tem em Capricórnio sua depressão.
- I.4: o Sol aquece e, em certo grau, seca; Marte “sobretudo seca e queima, conforme sua cor ígnea”, por estar perto do Sol; Júpiter tem força temperada, entre o frio de Saturno e o calor de Marte, aquece e umedece e produz ventos fertilizantes.
- I.10: embora o zodíaco, sendo um círculo, não tenha começo natural, toma-se como ponto de partida o signo que começa no equinócio de primavera, Áries, porque a primavera, como a infância, é úmida.
- I.11: Áries é equinocial, o primeiro a partir do equinócio de primavera; Leão é sólido; Sagitário é bicorpóreo.
- I.12: os signos alternam masculino (diurno) e feminino (noturno) a partir de Áries, que é masculino.
- I.17: Leão, masculino, cabe ao Sol, e Câncer, feminino, à Lua, por serem os mais setentrionais e próximos do zênite, os que mais produzem calor; Marte, seco, recebe Escorpião e Áries, em quadratura com as casas dos luminares, de acordo com sua qualidade “destrutiva e desarmônica”; Júpiter, temperado, recebe Sagitário e Peixes, ventosos e férteis, em trígono com as casas dos luminares, configuração “harmoniosa e benéfica”.
- I.18: Áries, Leão e Sagitário formam o primeiro triângulo, de três signos masculinos, que contém as casas do Sol, de Marte e de Júpiter; é governado pelo Sol de dia e por Júpiter de noite (Marte fica de fora por não ser da seita solar); é predominantemente do norte, por causa de Júpiter, fecundo e ventoso.
- I.19: o Sol tem em Áries sua exaltação, porque ali começa a subir para o hemisfério norte e os dias e o calor aumentam; Saturno, por isso, tem em Áries sua depressão: “onde o calor aumenta, o frio diminui”.
- I.11: Libra é o signo equinocial que começa no equinócio de outono (do hemisfério norte); Gêmeos é bicorpóreo; Aquário é sólido.
- I.18: Gêmeos, Libra e Aquário formam o terceiro triângulo, de três signos masculinos, sem relação com Marte, mas com Saturno e Mercúrio, por suas casas; Saturno o governa de dia, por sua seita, e Mercúrio de noite; o triângulo é sobretudo de constituição oriental (do leste).
- I.19: Saturno tem em Libra sua exaltação e em Áries sua depressão, o inverso do Sol, porque “onde o calor aumenta, o frio diminui” e vice-versa: em Libra o Sol começa a descer para o sul e os dias encurtam.
- I.9 (nota do tradutor 47): “as Garras do Escorpião” é o nome antigo de Libra (em grego, Zygós, “a balança”); Ptolomeu usa os dois nomes.
- I.4: “a maior parte do poder da Lua consiste em umedecer”, por sua proximidade da Terra e das exalações úmidas que sobem dela.
- I.11: Câncer é solsticial, o primeiro intervalo de 30° a partir do solstício de verão; Escorpião é sólido; Peixes é bicorpóreo.
- I.17: Câncer, feminino, é dado à Lua (e Leão, masculino, ao Sol); Escorpião e Áries, contíguos às casas dos luminares, a Marte; Sagitário e Peixes, “ventosos e fecundos”, a Júpiter.
- I.18: Câncer, Escorpião e Peixes formam o quarto triângulo, de signos femininos; Marte participa dele por sua casa, Escorpião; a Lua o governa de noite e Vênus de dia, como corregentes de Marte; o triângulo é sobretudo ocidental.
- I.19: Júpiter tem em Câncer sua exaltação, porque ali chega ao ponto mais setentrional e completa seu poder; Marte, exaltado em Capricórnio, tem em Câncer sua depressão. Vênus, úmida por natureza, tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem; Mercúrio, mais seco, tem a depressão em Peixes. A Lua tem a depressão em Escorpião, oposto de sua exaltação em Touro.
“Classical element”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- Empédocles (c. 450 a.C.) propôs pela primeira vez os quatro elementos como conjunto, as quatro “raízes”; em Sobre a geração e a corrupção, Aristóteles atribui a cada elemento duas qualidades: o fogo é quente e seco; o ar, quente e úmido; a água, fria e úmida; a terra, fria e seca (Lloyd, 1968).
- Representa a leitura psicológica dos elementos (fogo, terra, ar e água) como linguagens de temperamento, contrária ao fatalismo.
NASA, Goddard Space Flight Center. Mercury Fact Sheet (NSSDCA).
- Período orbital de 88 dias.
“Elongation (astronomy)”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- Afastamento máximo do Sol: Mercúrio, de 18° a 28°; Vênus, de 45° a 47°.
“Babylonian star catalogues”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- No MUL.APIN: MUL.GU4.AN.NA, “o Touro do Céu” (Taurus e as Híades); MUL.MUL, “o aglomerado” (as Plêiades); MUL.ABSIN, “o Sulco” (Virgo), associado à deusa Šala, representada segurando grãos.
- O caminho da Lua no MUL.APIN tem 17 ou 18 constelações, antecessoras diretas do zodíaco de doze signos.
- No MUL.APIN: AL.LUL, em acádio alluttu, “o Lagostim” (Cancer); GIR.TAB, em acádio zuqaqīpu, “o Cortador”, isto é, o escorpião (Scorpius); ŠIM.MAḪ, “a Grande Andorinha” (sudoeste de Pisces e parte de Pegasus); Anunitu, “a deusa Anunitu” (nordeste de Pisces e parte de Andromeda); KUN.MEŠ, “as Caudas” (Pisces); em fonte babilônica tardia, DU.NU.NU, “a Corda dos Peixes”.
- No MUL.APIN: MAŠ.TAB.BA(.GAL.GAL), “os (Grandes) Gêmeos” (Gemini); ZI.BA.AN.NA, em acádio zibānītu, “a Balança” (Libra); GU.LA, “o Grande” (Aquarius), que o artigo diz representar Ea, deus das águas (afirmação sem nota no artigo).
- No MUL.APIN: (LÚ.)ḪUN.GÁ, em acádio agru, “o Trabalhador Rural” (Aries); não está claro como o Trabalhador virou o Carneiro grego, talvez por trocadilho ou mal-entendido. UR.GU.LA (com UR.MAḪ, “o Leão”) corresponde a Leo. PA.BIL.SAG, o deus Pabilsag, “comparativamente obscuro”, depois identificado com Ninurta, corresponde a Sagittarius.
“Lugal-irra and Meslamta-ea”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- Lugal-irra e Meslamta-ea eram deuses gêmeos guerreiros e protetores de portas, ligados a Nergal, senhor do mundo dos mortos; textos astronômicos como o MUL.APIN os identificam com os “Grandes Gêmeos”, as estrelas α e β Geminorum (Lambert, 1987; Hunger, 1987); estatuetas suas eram enterradas sob entradas de edifícios para proteção.
- Higino II.22: “muitos astrônomos” chamam as estrelas de Castor e Pólux; eram os irmãos mais afetuosos, que não disputavam a liderança, e Zeus os pôs no céu; segundo Homero, Pólux deu ao irmão metade da própria vida, e por isso brilham em dias alternados.
- Píndaro (Nemeia 10) e os Cantos Cíprios: Castor era mortal; quando ele morreu, Polideuces escolheu dividir a imortalidade, e os dois passam dias alternados entre os deuses e sob a terra.
- Hino Homérico 32 e Ovídio: os gêmeos protegem os navios em tempestade.
Theoi Project, “Star Myths” (índice: Gêmeos, Libra e Aquário).
- Gêmeos: além dos Dióscuros, versões que veem no par Apolo e Héracles, ou Triptólemo e Iásion, favoritos de Deméter.
- Libra: a balança da Justiça (Astreia) ou do Destino (Tique), posta ao lado da Virgem; ou as garras do Escorpião.
- Aquário: Ganimedes, o copeiro de Zeus; Deucalião, que sobreviveu ao dilúvio; ou Cécrope, rei de Atenas que ofereceu as primeiras libações.
S. Carlson, “A double-blind test of astrology”, Nature, 318, p. 419–425, 1985. DOI 10.1038/318419a0.
- Em teste duplo-cego, astrólogos não associaram mapas natais aos perfis de personalidade corretos acima do acaso.
União Astronômica Internacional (IAU). The Constellations.
- As 88 constelações reconhecidas, com limites oficiais publicados pela IAU, entre elas as 12 do zodíaco (Capricornus, por exemplo, tem abreviatura Cap e genitivo Capricorni).
“Gemini (constellation)”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- 514 graus quadrados (30ª em tamanho); os babilônios chamavam Castor e Pólux de “Grandes Gêmeos” (White, 2008); Pólux é a mais brilhante, e Castor, um sistema de seis estrelas; a chuva de meteoros Geminídeas tem pico em 13–14 de dezembro.
- William Herschel descobriu Urano em 13 de março de 1781, quando o planeta estava perto de η Geminorum; hoje o Sol cruza a constelação de cerca de 21 de junho a 20 de julho.
- Posições (J2000) e magnitudes das estrelas das 12 constelações zodiacais usadas no Atlas Celeste e nos verbetes.
NASA, Goddard Space Flight Center. Uranus Fact Sheet (NSSDCA).
- Descoberto por William Herschel em 13 de março de 1781; período orbital de cerca de 84 anos; magnitude visual máxima de 5,38, no limite da visão a olho nu.
- O eixo da Terra oscila como um pião; o ciclo da precessão axial dura cerca de 25.771,5 anos (≈ 1° a cada 72 anos).
Dados das estrelas e figura da constelação: os mesmos do Atlas Celeste (Bright Star Catalogue; traçado próprio do Arcanista). Créditos e licenças das ilustrações.
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