ENCICLOPÉDIA ASTROLÓGICA · SIGNO

Libra

Libra é o sétimo signo do zodíaco tropical e começa no equinócio de setembro, quando o dia e a noite têm a mesma duração. Na astrologia, é o signo da relação, da medida e da harmonia: associado a Vênus, ao elemento Ar e, no hemisfério norte, ao início do outono.

É também o único signo representado por um objeto, e esse objeto tem uma história curiosa. A mesma região do céu foi uma balança para os babilônios, as garras de um escorpião para os gregos e de novo uma balança para os romanos, com as duas leituras convivendo por séculos. Este verbete conta essa história e explica de onde vêm Vênus, a exaltação de Saturno e a ideia de equilíbrio.

A balança, figura mitológica de Libra. Ilustração: arte do Arcanista, gerada com IA sob direção e curadoria humana (2026).
Símbolo
Glifo de Libra
Elemento
Ar
Modalidade
Cardinal
Polaridade
Masculina (diurna), na classificação clássica
Regente tradicional
Vênus
Posição
7º signo do zodíaco tropical (180°–210°)
Período solar
Por volta de 22–23 de setembro a 22–23 de outubro, conforme o ano.
Neste verbete

O que Libra significa e de onde vêm essas ideias

Na astrologia, Libra é o signo do outro: a parceria, a convivência, a negociação, o cuidado com o que é justo e com o que é belo. É associado à diplomacia, ao senso estético, à busca de equilíbrio e, como sombra, à dificuldade de decidir e ao medo de desagradar.

Essas ideias vêm de três peças:

  • O equinócio: quando o Sol entra em Libra, dia e noite ficam iguais, uma imagem de equilíbrio que a balança traduz (seção “Cardinal e Ar”).
  • Vênus, o planeta do desejo e da beleza, que aqui ganha uma face social (seção “Vênus”).
  • A balança, um objeto de medida e de justiça, com uma história que não é uma linha reta (seção “História e mito”).

O retrato do libriano indeciso e preocupado só com a aparência é uma caricatura popular. Os textos antigos falam de nobreza, de justiça e de medidas; astrólogos de hoje, de relação, equilíbrio e diplomacia, com a indecisão como uma das sombras.1,2

Por que Libra é cardinal e de Ar

Por que cardinal?

Libra abre uma estação. Ptolomeu a chama de signo “equinocial”, o que começa “no equinócio de outono”: o momento em que o Sol cruza o equador celeste rumo ao sul e o dia e a noite se igualam.3

Muitos autores veem nesse fenômeno a origem mais provável da ideia de equilíbrio: a balança pendurada no ponto em que luz e escuridão pesam o mesmo. É uma explicação plausível e antiga, mas uma explicação proposta, e não uma afirmação das fontes mais antigas sobre a constelação.4

Por que Ar?

Libra forma com Gêmeos e Aquário o triângulo de signos masculinos que Ptolomeu deu a Saturno, de dia, e a Mercúrio, de noite. Valens é explícito: chama Libra de “aéreo” e de “forma humana”. A história completa do elemento Ar, e de como ele virou sinônimo de pensamento, está no verbete de Gêmeos.1,3

Cardinal

Signo que abre uma estação: Áries, Câncer, Libra e Capricórnio. Ptolomeu chamava Libra e Áries de equinociais, e Câncer e Capricórnio de solsticiais.3

Vênus, regente de Libra

Por que Vênus rege Libra e Touro?

Vênus nunca se afasta muito do Sol: no céu, chega no máximo a uns 47° dele. Ptolomeu traduz isso em regra: como ela não passa de dois signos de distância do Sol, recebe os dois signos que estão a dois passos das casas do Sol e da Lua. De um lado, Touro; do outro, Libra.3,5

Uma Vênus de terra, uma Vênus de ar

O sistema coloca a mesma Vênus em casas muito diferentes. Touro é feminino, de Terra, fixo, no auge da primavera; Libra é masculina, de Ar, cardinal, no equinócio. Daí duas faces do mesmo planeta.3

Valens já aponta o caminho: em Libra, o signo supervisiona as colheitas, as vinhas, os olivais, as medidas e os artesãos, e seus nativos são “nobres e justos”. Astrólogos contemporâneos resumem a diferença com uma imagem: a Vênus de Touro é um jardim, sensorial e física; a de Libra, uma galeria de arte, social e conceitual.1,2

Domicílio

Signo em que um planeta é considerado “em casa”. Os dois domicílios de Vênus, Touro e Libra, ficam a dois signos de distância das casas dos luminares, como manda a regra de Ptolomeu.3

Por que Saturno se exalta em Libra?

Aqui a lógica é sazonal. Ptolomeu dá ao Sol a exaltação em Áries, onde os dias começam a crescer no hemisfério norte, e a Saturno, o astro frio, o lugar oposto: Libra, onde os dias começam a encurtar. A frase dele resume o raciocínio: “onde o calor aumenta, o frio diminui”, e vice-versa.3

As leituras de hoje, que ligam a exaltação de Saturno à justiça, às regras, ao senso de tempo e de estrutura, são posteriores. Elas dialogam com a imagem da balança, mas não são o argumento de Ptolomeu.2

Exaltação

Signo em que um planeta é considerado especialmente forte. Em Libra, Saturno se exalta e o Sol fica em queda, porque ali, no hemisfério norte, o calor começa a perder para o frio.3

Balança ou garras: a história da figura

A balança da Babilônia

A balança é muito antiga. No catálogo babilônio MUL.APIN, essa região do céu já se chama ZI.BA.AN.NA, em acádio zibānītu, “a Balança”. Segundo Ridpath, o nome circulava por volta de 1000 a.C.; segundo obras de assiriologia citadas por fontes secundárias, ela era sagrada a Šamaš, o deus-sol da verdade e da justiça.4,6,7

As garras do Escorpião

Os gregos, porém, viam ali outra coisa. Para eles, aquelas estrelas eram as Chelai, “as garras”, os braços abertos do Escorpião vizinho. Eudoxo e Arato não contam Libra como constelação própria.4,7

Balança e garras ao mesmo tempo

A balança não “substituiu” as garras de uma vez. Ela já é mencionada por autores do século III a.C., como Manetão, e por Gêmino, no século I a.C. Segundo Ridpath, firmou-se entre os romanos no século I a.C., mas não se sabe exatamente quando nem por quem foi introduzida. Higino registra a convivência: o Escorpião se divide em duas partes por causa das grandes garras, e “uma parte dele nossos escritores chamaram de Balança”.4,7,8

Ptolomeu usava os dois nomes. No Almagesto, o catálogo de estrelas, continuou a falar das Garras; no Tetrabiblos, aparece também a Balança. E os nomes árabes das duas estrelas principais, Zubenelgenubi e Zubeneschamali, querem dizer “a garra do sul” e “a garra do norte”. As garras nunca saíram completamente do céu.3,7

A balança de quem?

Quando a balança se firmou, os mitógrafos lhe deram dona. Em uma versão, é a balança da Justiça, Astreia, identificada com a Virgem que fica ao lado; em outra, a balança do Destino, Tique.7,9

Da Libra antiga ao libriano dos horóscopos

Valens descreve Libra como “casa de Vênus, masculino, equinocial, de forma humana”, “aéreo”, “nobre”, “mutável”. Os nativos seriam “nobres e justos”, mas também invejosos dos bens alheios, de sorte mediana, vivendo “altos e baixos” e cuidando das medidas e do abastecimento de grãos.1

Repare na balança literal: medidas, pesos, grãos. A Libra antiga é também a do mercado e da administração, e não só a das relações.

Astrólogos contemporâneos descrevem Libra pelos relacionamentos, pelo equilíbrio, pela justiça e pela ordem, pelo senso estético e pela diplomacia. Como sombra, a indecisão, a vontade de agradar e o risco de diluir a própria identidade para manter a paz.2

Sol em Libra

É o que se costuma chamar de “ser de Libra”: o Sol estava no signo no nascimento, por volta de 22 de setembro a 22 de outubro. Na própria astrologia, o signo solar é só uma parte do mapa natal, que inclui a Lua, o ascendente, os planetas e as relações entre eles.

A constelação Libra

Libra é uma das 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional, a 29ª em tamanho. É discreta: um pequeno quadrilátero de estrelas medianas entre Virgo e Scorpius.4,11

Mapa da constelação LibraEstrelas de Libra ligadas pela convenção ilustrativa do Atlas, com a eclíptica e o trecho do signo tropical de Libra (180° a 210°). Norte para cima, leste à esquerda.210°ZubeneschamaliZubenelgenubiBrachiumZubenelhakrabi
Figura de Libra (convenção ilustrativa) · Signo tropical de Libra na eclíptica (180°–210°) · Norte para cima, leste à esquerda. Posições J2000.

Estrelas principais

As posições abaixo vêm do mesmo catálogo usado no Atlas Celeste. Os nomes árabes das mais brilhantes ainda guardam as garras do Escorpião.7,12

Estrelas da figura de Libra, posições J2000 (Bright Star Catalogue)
DesignaçãoNomeAscensão retaDeclinaçãoMagnitude
β LibZubeneschamali15h 17m 00.4s-09° 22′ 59″2,61
α² LibZubenelgenubi14h 50m 52.7s-16° 02′ 30″2,75
σ LibBrachium15h 04m 04.2s-25° 16′ 55″3,29
υ Lib—15h 37m 01.4s-28° 08′ 06″3,58
τ Lib—15h 38m 39.4s-29° 46′ 41″3,66
γ LibZubenelhakrabi15h 35m 31.6s-14° 47′ 22″3,91
θ Lib—15h 53m 49.5s-16° 43′ 46″4,15
Signo e constelação não são a mesma coisa

O signo de Libra é o setor de 180° a 210° da eclíptica, que começa no equinócio de setembro. A constelação Libra é uma região do céu com limites fixados pela IAU. O ponto do equinócio saiu da constelação por volta de 730 a.C. e hoje está em Virgo; o Sol só atravessa Libra de cerca de 31 de outubro a 22 de novembro.4,7,11,13

Perguntas frequentes

O que significa ser de Libra?

Na linguagem da astrologia, é ter nascido com o Sol no signo, aproximadamente entre 22 de setembro e 22 de outubro. O signo é associado às relações, ao equilíbrio, à justiça, à beleza e à diplomacia.

São associações simbólicas, e mesmo dentro da astrologia o signo solar é só uma parte do mapa natal.

Qual é o planeta regente de Libra?

Vênus, que também rege Touro. Como nunca se afasta mais de dois signos do Sol, ela recebeu os dois signos a essa distância das casas do Sol e da Lua.3

Por que o símbolo de Libra é uma balança?

A balança já existia na astronomia babilônia. Os gregos viam na mesma região as garras do Escorpião, e os romanos voltaram à balança no século I a.C. A ligação com o equinócio, quando dia e noite se equilibram, é uma explicação antiga e plausível, mas não documentada como origem.6,7

Por que Saturno é exaltado em Libra?

Porque, para Ptolomeu, Libra é o oposto de Áries: ali o Sol começa a perder força no hemisfério norte, e o astro frio, Saturno, ganha. As leituras sobre justiça e estrutura vieram depois.3

Libra é signo de outono ou de primavera?

Depende do hemisfério. A astrologia ocidental o descreve como signo do início do outono, a estação do Mediterrâneo. No Brasil, o Sol entra em Libra no início da primavera.

Qual é o período de Libra?

No zodíaco tropical, o Sol percorre Libra aproximadamente de 22–23 de setembro a 22–23 de outubro. As datas variam um pouco de ano para ano.

Referências

Cada referência indica o que ela sustenta no texto. Interpretações contemporâneas sem fonte indicada são redação do Arcanista, apresentadas como leitura simbólica.

  1. Vettius Valens, Antologia (séc. II). Trad. inglesa de Mark T. Riley. Livro I, cap. 2 (a natureza dos doze signos).

    • Capricórnio é “casa de Saturno, feminino, trópico, terroso”; Touro e Virgem também são descritos como terrosos; Áries, Leão e Sagitário, como ígneos.
    • Testemunho antigo, contemporâneo de Ptolomeu, do esquema de domicílios e da associação dos signos aos elementos.
    • Touro: feminino, sólido, “no trópico de primavera do Sol”; terroso, rústico, ligado à agricultura e à ordem.
    • Virgem: “casa de Mercúrio, feminino, alado, de forma humana”, “de pé como a figura da Justiça”; bicorpóreo, terroso; nativos ligados à administração, às contas e à gestão de bens alheios.
    • I.1: Vênus é “desejo e amor”, indica a mãe e a nutrição, amizade, música, pintura e beleza; Mercúrio indica educação, letras, argumentação, raciocínio, interpretação, número, contas, geometria e mercados.
    • Áries: “casa de Marte, signo masculino, trópico, terrestre, governante, ígneo, livre”; “meio do céu do universo”; nativos “brilhantes, ilustres”, “ousados no pensamento”, “de grande coração”, “inquietos, instáveis”, “orgulhosos”; quanto ao clima, “por natureza úmido, com trovões e granizo”.
    • Leão: “masculino, casa do Sol, livre, ígneo, temperado, intelectual, régio, estável, nobre”, “sólido”, “irascível”; nativos “ilustres, nobres, firmes, justos, inimigos do mal, independentes, inimigos da bajulação, benfeitores, inflados por seus pensamentos elevados”; “Leão é quente: a estrela brilhante do peito [Regulus] é ígnea e sufocante”.
    • Sagitário: “casa de Júpiter, masculino, ígneo”, “nobre, alado, mutável, bicorpóreo, de duas naturezas, misterioso”, “governante, régio”; nativos “nobres, justos, de grande coração, juízes, generosos, que amam os irmãos e os amigos”, que “perdem muito do que tinham, mas recuperam”, “buscam uma reputação nobre”.
    • Câncer: “casa da Lua, feminino, solsticial, o Ascendente do universo”, “aquoso, nobre, mutável”, “prolífico, anfíbio”; nativos ambiciosos, populares, “sempre mudando”, teatrais, alegres e “facilmente abatidos”, amantes da festa, que se tornam viajantes.
    • Escorpião: “casa de Marte, feminino, sólido, chuvoso, fecundo, destrutivo”, “imutável”; o retrato dos nativos é extremamente duro (ladrões, traidores, envenenadores, “que odeiam a própria família”).
    • Peixes: “feminino, úmido, bastante molhado, bicorpóreo”, “de duas formas”, “em conflito consigo mesmo, porque um Peixe é do norte e o outro do sul”, “mutável”, “causa de errância, variado”; nativos “instáveis”, que mudam “da má para a boa sorte”, populares.
    • I.1: a Lua, de luz emprestada do Sol, indica a vida, o corpo, a mãe, a concepção, a aparência, a vida em comum (o casamento legítimo), a nutrição, o cuidado da casa, a senhora da casa, os bens, a cidade e o povo, as viagens e errâncias; rege o estômago, os seios e a prata.
    • Gêmeos: “masculino, bicorpóreo, articulado, casa de Mercúrio”; sob ele nascem “estudiosos, os que trabalham com educação e letras, poetas”, amantes da música, oradores, administradores, tradutores, comerciantes, “pessoas sensatas”, praticantes de “artes curiosas” e buscadores de saberes místicos.
    • Libra: “casa de Vênus, masculino, equinocial, de forma humana”, “aéreo”, “vocal, nobre, mutável”, supervisor das colheitas, das vinhas, dos olivais, das medidas e dos artesãos; nativos “nobres e justos”, mas também invejosos dos bens alheios, de sorte mediana, que vivem “altos e baixos” e cuidam das medidas e do abastecimento de grãos.
    • Aquário: “masculino, sólido, de forma humana, um tanto úmido”, “bastante frio, livre”, “imutável”; o retrato dos nativos é duro (“maliciosos”, “obstinados”, “misantropos”, “às vezes generosos”).
    • I.1: Saturno faz os nativos mesquinhos, preocupados, solitários e austeros; indica obstáculos, demoras, prisões e luto, mas também grandes cargos, supervisões e a gestão de bens alheios; rege o chumbo, a madeira e a pedra.
    • I.1: o Sol, “fogo da natureza e luz intelectual”, indica realeza, comando, inteligência, beleza, julgamento, reputação pública, o pai, a amizade, honras; rege o coração e o ouro. Marte indica força, guerras, violência, raiva, brigas, mas também “comandos, campanhas e liderança”, caça, trabalhos com fogo ou ferro; é “vermelho”. Júpiter indica geração, desejo, amizades com os grandes, prosperidade, presentes, justiça, cargos, arbitragens, confiança, herança, fraternidade, beneficência, “alívio dos problemas, libertação das amarras, liberdade”.
  2. C. Brennan, com Catherine Urban e Randon Rosenbohm, “Libra in Astrology: Meaning and Traits”. The Astrology Podcast, episódio 373, 22 out. 2022.

    • Discussão contemporânea: Libra como signo dos relacionamentos, do equilíbrio, da justiça e da ordem, da estética e da diplomacia; fama de indecisão e de vontade de agradar, que pode diluir a própria identidade.
    • A Vênus de Touro é sensorial (“um jardim”), a de Libra é social e conceitual (“uma galeria de arte”); Saturno exaltado em Libra ligado ao senso de tempo e estrutura.
  3. Ptolomeu, Tetrabiblos. Trad. F. E. Robbins. Cambridge (MA): Harvard University Press, Loeb Classical Library, 1940. Livro I, caps. 2, 4, 5, 10, 11, 12, 13, 17, 18 e 19; Livro IV, cap. 10.

    • I.2: um poder vindo da substância etérea se espalha pela região da Terra; o Sol produz as estações, a Lua afeta marés e seres vivos; a previsão é possível, mas falível, como a medicina e a navegação.
    • I.10: as estações têm qualidades (primavera úmida, verão quente, outono seco, inverno frio), começando pelo equinócio de março, em Áries.
    • I.11: nos signos solsticiais e equinociais o Sol “se volta”, invertendo seu movimento em latitude; seguem-se os signos sólidos e os bicorpóreos.
    • I.17: Câncer e Leão vão aos luminares por serem os mais setentrionais e próximos do zênite; os demais planetas recebem pares de signos por ordem de esfera (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter) e Saturno, o mais alto e frio, os signos opostos.
    • I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam um triângulo de signos femininos, predominantemente do sul (vento Noto), governado pela Lua e por Vênus; os triângulos são descritos por ventos e qualidades, não pelos nomes dos elementos.
    • I.4: Vênus tem a natureza temperada de Júpiter; aquece moderadamente, por estar perto do Sol, mas sobretudo umedece. Mercúrio ora seca, por estar perto do Sol, ora umedece, por estar logo acima da esfera da Lua.
    • I.11: os signos sólidos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) são assim chamados porque, quando o Sol está neles, os efeitos da estação “nos tocam mais firmemente”; os bicorpóreos (Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes) compartilham, no fim e no começo, as propriedades de duas estações.
    • I.17: Vênus recebe Libra e Touro, signos “extremamente férteis” em sextil com as casas dos luminares, porque nunca se afasta mais de dois signos do Sol; Mercúrio recebe Gêmeos e Virgem, porque nunca se afasta mais de um signo do Sol.
    • I.19: a Lua tem em Touro sua exaltação, por ali começar a crescer em luz; Mercúrio tem em Virgem sua exaltação, por ser mais seco, como o outono, e sua depressão em Peixes; Vênus tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem.
    • IV.10: a Saturno cabe a última idade, a velhice, quando movimentos e desejos se tornam mais lentos.
    • I.4: Saturno tem por qualidade sobretudo esfriar e, moderadamente, secar, por estar longe do calor do Sol e das exalações úmidas da Terra.
    • I.5: Saturno e Marte são classificados como planetas de efeito oposto ao dos benéficos (maléficos); em Saturno, pelo excesso de frio.
    • I.11: Capricórnio é signo solsticial, o primeiro a partir do solstício de inverno (do ponto de vista do Mediterrâneo).
    • I.12: os signos alternam masculino e feminino a partir de Áries; Capricórnio, o décimo, cai entre os femininos (por dedução da regra; o capítulo não o nomeia).
    • I.17: Câncer e Leão aos luminares; Saturno, o mais frio e o mais distante, recebe os signos opostos a eles, Capricórnio e Aquário, frios e invernais.
    • I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam o segundo triângulo, de signos femininos, governado pela Lua (de noite) e por Vênus (de dia). Ptolomeu não chama esse triângulo de 'terra'.
    • I.13: trígono e sextil são aspectos harmônicos, por unirem signos do mesmo tipo; quadratura e oposição, desarmônicos.
    • I.19: Marte tem em Capricórnio sua exaltação, por estar ali mais ao sul; Câncer é sua depressão. Júpiter, exaltado em Câncer, tem em Capricórnio sua depressão.
    • I.4: o Sol aquece e, em certo grau, seca; Marte “sobretudo seca e queima, conforme sua cor ígnea”, por estar perto do Sol; Júpiter tem força temperada, entre o frio de Saturno e o calor de Marte, aquece e umedece e produz ventos fertilizantes.
    • I.10: embora o zodíaco, sendo um círculo, não tenha começo natural, toma-se como ponto de partida o signo que começa no equinócio de primavera, Áries, porque a primavera, como a infância, é úmida.
    • I.11: Áries é equinocial, o primeiro a partir do equinócio de primavera; Leão é sólido; Sagitário é bicorpóreo.
    • I.12: os signos alternam masculino (diurno) e feminino (noturno) a partir de Áries, que é masculino.
    • I.17: Leão, masculino, cabe ao Sol, e Câncer, feminino, à Lua, por serem os mais setentrionais e próximos do zênite, os que mais produzem calor; Marte, seco, recebe Escorpião e Áries, em quadratura com as casas dos luminares, de acordo com sua qualidade “destrutiva e desarmônica”; Júpiter, temperado, recebe Sagitário e Peixes, ventosos e férteis, em trígono com as casas dos luminares, configuração “harmoniosa e benéfica”.
    • I.18: Áries, Leão e Sagitário formam o primeiro triângulo, de três signos masculinos, que contém as casas do Sol, de Marte e de Júpiter; é governado pelo Sol de dia e por Júpiter de noite (Marte fica de fora por não ser da seita solar); é predominantemente do norte, por causa de Júpiter, fecundo e ventoso.
    • I.19: o Sol tem em Áries sua exaltação, porque ali começa a subir para o hemisfério norte e os dias e o calor aumentam; Saturno, por isso, tem em Áries sua depressão: “onde o calor aumenta, o frio diminui”.
    • I.11: Libra é o signo equinocial que começa no equinócio de outono (do hemisfério norte); Gêmeos é bicorpóreo; Aquário é sólido.
    • I.18: Gêmeos, Libra e Aquário formam o terceiro triângulo, de três signos masculinos, sem relação com Marte, mas com Saturno e Mercúrio, por suas casas; Saturno o governa de dia, por sua seita, e Mercúrio de noite; o triângulo é sobretudo de constituição oriental (do leste).
    • I.19: Saturno tem em Libra sua exaltação e em Áries sua depressão, o inverso do Sol, porque “onde o calor aumenta, o frio diminui” e vice-versa: em Libra o Sol começa a descer para o sul e os dias encurtam.
    • I.9 (nota do tradutor 47): “as Garras do Escorpião” é o nome antigo de Libra (em grego, Zygós, “a balança”); Ptolomeu usa os dois nomes.
    • I.4: “a maior parte do poder da Lua consiste em umedecer”, por sua proximidade da Terra e das exalações úmidas que sobem dela.
    • I.11: Câncer é solsticial, o primeiro intervalo de 30° a partir do solstício de verão; Escorpião é sólido; Peixes é bicorpóreo.
    • I.17: Câncer, feminino, é dado à Lua (e Leão, masculino, ao Sol); Escorpião e Áries, contíguos às casas dos luminares, a Marte; Sagitário e Peixes, “ventosos e fecundos”, a Júpiter.
    • I.18: Câncer, Escorpião e Peixes formam o quarto triângulo, de signos femininos; Marte participa dele por sua casa, Escorpião; a Lua o governa de noite e Vênus de dia, como corregentes de Marte; o triângulo é sobretudo ocidental.
    • I.19: Júpiter tem em Câncer sua exaltação, porque ali chega ao ponto mais setentrional e completa seu poder; Marte, exaltado em Capricórnio, tem em Câncer sua depressão. Vênus, úmida por natureza, tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem; Mercúrio, mais seco, tem a depressão em Peixes. A Lua tem a depressão em Escorpião, oposto de sua exaltação em Touro.
  4. “Libra (constellation)”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.

    • 538 graus quadrados (29ª em tamanho); Eudoxo e Arato não listam Libra como constelação; Manetão (séc. III a.C.) e Gêmino (séc. I a.C.) a mencionam; a balança era, para os babilônios, sagrada ao deus-sol Šamaš, patrono da verdade e da justiça (White, 2008).
    • Hoje o Sol cruza a constelação de cerca de 31 de outubro a 22 de novembro.
  5. “Elongation (astronomy)”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.

    • Afastamento máximo do Sol: Mercúrio, de 18° a 28°; Vênus, de 45° a 47°.
  6. “Babylonian star catalogues”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.

    • No MUL.APIN: MUL.GU4.AN.NA, “o Touro do Céu” (Taurus e as Híades); MUL.MUL, “o aglomerado” (as Plêiades); MUL.ABSIN, “o Sulco” (Virgo), associado à deusa Šala, representada segurando grãos.
    • O caminho da Lua no MUL.APIN tem 17 ou 18 constelações, antecessoras diretas do zodíaco de doze signos.
    • No MUL.APIN: AL.LUL, em acádio alluttu, “o Lagostim” (Cancer); GIR.TAB, em acádio zuqaqīpu, “o Cortador”, isto é, o escorpião (Scorpius); ŠIM.MAḪ, “a Grande Andorinha” (sudoeste de Pisces e parte de Pegasus); Anunitu, “a deusa Anunitu” (nordeste de Pisces e parte de Andromeda); KUN.MEŠ, “as Caudas” (Pisces); em fonte babilônica tardia, DU.NU.NU, “a Corda dos Peixes”.
    • No MUL.APIN: MAŠ.TAB.BA(.GAL.GAL), “os (Grandes) Gêmeos” (Gemini); ZI.BA.AN.NA, em acádio zibānītu, “a Balança” (Libra); GU.LA, “o Grande” (Aquarius), que o artigo diz representar Ea, deus das águas (afirmação sem nota no artigo).
    • No MUL.APIN: (LÚ.)ḪUN.GÁ, em acádio agru, “o Trabalhador Rural” (Aries); não está claro como o Trabalhador virou o Carneiro grego, talvez por trocadilho ou mal-entendido. UR.GU.LA (com UR.MAḪ, “o Leão”) corresponde a Leo. PA.BIL.SAG, o deus Pabilsag, “comparativamente obscuro”, depois identificado com Ninurta, corresponde a Sagittarius.
  7. I. Ridpath, “Libra”. Star Tales (versão online), s.d.

    • Os babilônios conheciam a região como ZIB.BA.AN.NA, “a balança do céu”, por volta de 1000 a.C.; os gregos a chamavam de Chelai, “as garras” (do Escorpião).
    • A identificação como balança “firmou-se no século I a.C. entre os romanos”, mas não se sabe exatamente quando nem por quem; Ptolomeu, no Almagesto, continuou a chamá-la de Garras; a balança foi lida como a da deusa da justiça, identificada com a Virgem.
    • O equinócio de setembro saiu da constelação por volta de 730 a.C. e passou para Virgo; Zubenelgenubi e Zubeneschamali significam, em árabe, “a garra do sul” e “a garra do norte”.
  8. Theoi Project, “Skorpios” (compilação de fontes: Pseudo-Higino, Astronomia II.26).

    • Higino II.26: o signo do Escorpião “é dividido em duas partes por causa da grande extensão das garras”, e “uma parte dele nossos escritores chamaram de Balança (Libra)”.
  9. Theoi Project, “Star Myths” (índice: Gêmeos, Libra e Aquário).

    • Gêmeos: além dos Dióscuros, versões que veem no par Apolo e Héracles, ou Triptólemo e Iásion, favoritos de Deméter.
    • Libra: a balança da Justiça (Astreia) ou do Destino (Tique), posta ao lado da Virgem; ou as garras do Escorpião.
    • Aquário: Ganimedes, o copeiro de Zeus; Deucalião, que sobreviveu ao dilúvio; ou Cécrope, rei de Atenas que ofereceu as primeiras libações.
  10. S. Carlson, “A double-blind test of astrology”, Nature, 318, p. 419–425, 1985. DOI 10.1038/318419a0.

    • Em teste duplo-cego, astrólogos não associaram mapas natais aos perfis de personalidade corretos acima do acaso.
  11. União Astronômica Internacional (IAU). The Constellations.

    • As 88 constelações reconhecidas, com limites oficiais publicados pela IAU, entre elas as 12 do zodíaco (Capricornus, por exemplo, tem abreviatura Cap e genitivo Capricorni).
  12. D. Hoffleit e W. H. Warren Jr., The Bright Star Catalogue, 5ª ed. revisada. New Haven: Yale University Observatory, 1991.

    • Posições (J2000) e magnitudes das estrelas das 12 constelações zodiacais usadas no Atlas Celeste e nos verbetes.
  13. NASA Science, “Milankovitch (Orbital) Cycles and Their Role in Earth’s Climate”, 2020 (atualizado em 2024).

    • O eixo da Terra oscila como um pião; o ciclo da precessão axial dura cerca de 25.771,5 anos (≈ 1° a cada 72 anos).

Dados das estrelas e figura da constelação: os mesmos do Atlas Celeste (Bright Star Catalogue; traçado próprio do Arcanista). Créditos e licenças das ilustrações.

Versão preliminar, em revisão editorial · Atualizado em

Descubra Libra Voltar à exploração do céu