ENCICLOPÉDIA ASTROLÓGICA · SIGNO
Peixes
Peixes é o décimo segundo e último signo do zodíaco tropical e ocupa os 30 graus que antecedem o equinócio de março. Na astrologia, é o signo da sensibilidade, da imaginação e do que dissolve fronteiras: associado ao elemento Água, a Júpiter, seu regente tradicional, e a Netuno, que a astrologia moderna passou a ligar a ele.
A imagem de Peixes como signo místico, sonhador e artístico parece muito antiga, mas é em boa parte uma construção dos séculos XIX e XX. Este verbete mostra o que os textos antigos dizem do signo, como Netuno chegou a ele e o que fica de Júpiter quando se tira o que é moderno.

- Símbolo
- Glifo de Peixes
- Elemento
- Água
- Modalidade
- Mutável
- Polaridade
- Feminina (noturna), na classificação clássica
- Regente tradicional
- Júpiter
- Posição
- 12º signo do zodíaco tropical (330°–360°)
- Período solar
- Por volta de 19 de fevereiro a 20 de março, conforme o ano.
Neste verbete
01Tradição astrológica · História · Interpretação simbólica
O que Peixes significa e de onde vêm essas ideias
Na astrologia de hoje, Peixes é o signo da empatia e da imaginação: sonhos, arte, compaixão, espiritualidade, a capacidade de se pôr no lugar do outro. Como sombra, fala de dificuldade com limites, de fuga da realidade e de idealização.1
Essas ideias vêm de camadas diferentes:
- Júpiter, o regente antigo, planeta da generosidade, da confiança e da abundância (seção “Júpiter e Netuno”).
- A Água e a posição mutável, no fim do inverno do hemisfério norte (seção “Mutável e Água”).
- Netuno, descoberto em 1846 e associado ao signo a partir do fim do século XIX, de onde vêm as ideias de inspiração, ilusão e transcendência (seção “Júpiter e Netuno”).
- A figura dos dois peixes presos por uma corda, que vem da Babilônia e da Grécia (seção “História e mito”).
Astrólogos contemporâneos contestam os estereótipos do pisciano “distraído” ou “ingênuo”: na leitura atual, o que parece dispersão é a capacidade de ampliar o foco e ver o conjunto.1
02Astronomia · História · Tradição astrológica · Interpretação simbólica
Por que Peixes é mutável e de Água
Por que mutável?
Peixes encerra o inverno do hemisfério norte: quando o Sol sai dele, chega o equinócio de março e recomeça o zodíaco. Ptolomeu chama os signos que fecham as estações de “bicorpóreos”, porque participam de duas estações.2
Em Peixes, a ideia ganha uma imagem perfeita: dois corpos que nadam em direções diferentes, presos um ao outro. Valens chama o signo de “bicorpóreo” e “de duas formas”, e diz que ele está “em conflito consigo mesmo, porque um Peixe é do norte e o outro do sul”. Também o descreve como “causa de errância” e “variado”.3
Água mutável
Peixes fecha o triângulo de Água, com Câncer e Escorpião. Valens o chama de “úmido” e “bastante molhado”, e os nativos, de prolíficos. (A história completa do elemento Água, da filosofia grega à leitura emocional moderna, está no verbete de Câncer.)3
A astrologia moderna lê a água mutável como a que se espalha, se mistura e muda de forma, e daí tira a imagem de um signo permeável ao ambiente. É uma metáfora construída sobre a classificação antiga, não uma conclusão sobre pessoas.1
03Astronomia · História · Tradição astrológica · Interpretação simbólica
Júpiter e Netuno, os regentes de Peixes
Por que Júpiter rege Peixes?
No sistema de Ptolomeu, Júpiter recebe os dois signos em trígono com as casas do Sol e da Lua, Sagitário e Peixes, porque o trígono era um aspecto harmonioso, como o planeta benéfico. Ptolomeu ainda chama os dois signos de “ventosos e fecundos”. A explicação completa está no verbete de Sagitário.2
O Júpiter de Peixes é o mesmo planeta, mas noutra casa: feminino, noturno e de Água, em vez de masculino, diurno e de Fogo. Para Valens, Júpiter indica, entre outras coisas, prosperidade, presentes, confiança, beneficência e “alívio dos problemas, libertação das amarras”.3
Vênus exaltada em Peixes
Peixes é também a exaltação de Vênus. A razão de Ptolomeu é de qualidade: Vênus é úmida por natureza e aumenta seu poder “ainda mais em Peixes”, signo da primavera úmida que se aproxima. Mercúrio, mais seco, tem ali a sua depressão. O outro lado dessa história está no verbete de Virgem.2
A chegada de Netuno
Netuno foi o primeiro planeta encontrado pela matemática antes de ser visto. Urbain Le Verrier calculou sua posição a partir das irregularidades na órbita de Urano, e Johann Galle o localizou em 1846. É o único planeta invisível a olho nu, leva 165 anos para dar a volta ao Sol e recebeu o nome do deus romano do mar.4
Como Netuno chegou a Peixes?
A história é menos documentada do que a de Urano e Plutão. O que se sabe:
- Antes de 1930, revistas britânicas de astrologia registram um debate acirrado sobre o signo de Netuno.
- Um dos argumentos era o da sequência: Urano tinha ficado com Aquário, e o signo seguinte, Peixes, seria o próximo a receber um planeta novo.
- Ao longo do século XX, a associação se firmou. Muitos autores tratam Netuno como corregente de Peixes, mantendo Júpiter como regente tradicional.
- Fontes: 5,6
Quem propôs primeiro Peixes como signo de Netuno, e em que ano, é um ponto que este verbete ainda não conseguiu documentar. Fica registrado como incerto.
De onde vieram imaginação, ilusão e transcendência?
Os autores do século II não tinham como falar de Netuno: o planeta só seria visto 1.700 anos depois. Seus significados foram construídos pelos astrólogos a partir de 1846, a partir do mito do deus do mar e da época da descoberta. Joanna Watters liga esses significados a acontecimentos do período: a primeira fotografia, em 1827, os brinquedos de ilusão de ótica dos anos 1830 e o uso do éter em cirurgia, em 1846. Daí a associação de Netuno com imagem, ilusão, anestesia e evasão.6
Hoje, Netuno costuma significar ilusão, misticismo, evasão, espiritualismo, confusão, romantismo, compaixão e experiências de transcendência.7
A astrologia tradicional, que segue Ptolomeu e Valens, mantém Júpiter como único regente de Peixes. A astrologia moderna costuma dar o signo a Netuno, como regente principal ou como corregente ao lado de Júpiter. Os significados netunianos (sonho, ilusão, misticismo) não devem ser atribuídos aos autores antigos.1,2,6
04História · Tradição astrológica · Interpretação simbólica
O Peixes de Júpiter e o Peixes de Netuno
As duas regências produzem leituras diferentes do mesmo signo, e vale compará-las.
O Peixes jupiteriano. Generoso, confiante, protetor dos que precisam, ligado à fé e à abundância. Astrólogos contemporâneos falam de um “otimismo do campo”, a vontade de entender o quadro geral e de acreditar que há sentido nele.1,3
O Peixes netuniano. Sonhador, inspirado, permeável, voltado ao invisível; também confuso, evasivo, dado a ilusões. É o Peixes da arte, do misticismo e da fuga, e é o mais presente nos horóscopos populares.6,7
O que os antigos diziam. Nada de misticismo. Valens descreve um signo úmido, fecundo, instável e errante, de nativos populares, cuja sorte muda da má para a boa. A ideia de espiritualidade aparece, na melhor das hipóteses, de forma indireta, pela confiança e pela beneficência de Júpiter.3
A compaixão, a empatia e a imaginação artística que hoje definem o signo são, portanto, sobretudo modernas: vêm do encontro entre a Água lida como emoção, a posição de último signo, que fecha o ciclo, e Netuno. Astrólogos atuais reconhecem que essa sensibilidade pode ser um dom e um risco, quando a idealização torna o real insuficiente.1
05História · Mitologia
História e mitologia dos peixes
A andorinha, a deusa e a corda
Os babilônios não viam dois peixes nessa região, pelo menos não de início. No catálogo MUL.APIN, a parte sudoeste de Pisces, com uma estrela de Pegasus, formava a Grande Andorinha, ŠIM.MAḪ; a parte nordeste, com estrelas de Andromeda, era Anunitu, uma deusa chamada “Senhora do Céu”. Entre as duas havia KUN.MEŠ, “as Caudas”.8,9
Em textos babilônicos tardios, como os Diários Astronômicos, aparece o nome DU.NU.NU, “a corda dos peixes”. Segundo Ridpath, que segue o historiador Paul Kunitzsch, os babilônios já visualizavam ali um par de peixes ligados por uma corda.8,9,10
Afrodite e Eros
O mito grego mais citado se passa às margens do Eufrates, o que sugere uma herança da Mesopotâmia. Fugindo do monstro Tifão, Afrodite e seu filho Eros se lançaram ao rio. Higino, citando um autor chamado Diogneto de Eritreia, diz que eles se transformaram em peixes; Ovídio conta que foram levados por dois peixes, que por isso ganharam lugar no céu.9,10
Há outras versões. Eratóstenes diz que os dois peixes descendem do grande Peixe Austral, a constelação ao sul; outra história fala da deusa síria Derceto, que caiu num lago perto de Bambice e foi salva por um peixe.10
06Interpretação simbólica · História · Ciência
Do Peixes antigo ao pisciano dos horóscopos
O retrato antigo é o de um signo móvel e dividido: “instável”, “causa de errância”, de sorte que vira, “em conflito consigo mesmo”. É uma descrição de variação, não de mística. Os nativos são populares e têm muitos filhos.3
O pisciano de hoje foi construído no século XX, com a Água como emoção, a posição de último signo como síntese e dissolução, e Netuno como imaginação e transcendência. Astrólogos contemporâneos o descrevem como o mais empático dos signos de Água, que se aproxima dos outros e depois precisa se retirar, ligado aos sonhos e à arte; e, como sombra, à evasão e a um idealismo que pode tornar a realidade decepcionante.1
É o que se costuma chamar de “ser de Peixes”: o Sol estava no signo no nascimento, por volta de 19 de fevereiro a 20 de março. Na própria astrologia, o signo solar é só uma parte do mapa natal, que inclui a Lua, o ascendente, os planetas e as relações entre eles.
07Astronomia · História
A constelação Pisces
Pisces é uma das 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional, a 14ª em tamanho, mas é apagada: nenhuma de suas estrelas é mais brilhante que a magnitude 3,6. O peixe do oeste forma um pequeno anel de estrelas, o Círculo, ao sul do Quadrado de Pégaso; o do norte sobe em direção a Andromeda.9,10,12
Estrelas principais
As posições abaixo vêm do mesmo catálogo usado no Atlas Celeste. Alrescha, do árabe al-rishā, “a corda”, marca o nó que une os dois peixes.10,13
| Designação | Nome | Ascensão reta | Declinação | Magnitude |
|---|---|---|---|---|
| η Psc | Alpherg | 01h 31m 29.0s | +15° 20′ 45″ | 3,62 |
| γ Psc | — | 23h 17m 09.9s | +03° 16′ 56″ | 3,69 |
| ω Psc | — | 23h 59m 18.7s | +06° 51′ 48″ | 4,01 |
| ι Psc | — | 23h 39m 57.0s | +05° 37′ 35″ | 4,13 |
| ο Psc | Torcular | 01h 45m 23.6s | +09° 09′ 28″ | 4,26 |
| ε Psc | — | 01h 02m 56.6s | +07° 53′ 24″ | 4,28 |
| θ Psc | — | 23h 27m 58.1s | +06° 22′ 44″ | 4,28 |
| α Psc | Alrescha | 02h 02m 02.8s | +02° 45′ 49″ | 4,33 |
| δ Psc | — | 00h 48m 41.0s | +07° 35′ 06″ | 4,43 |
| ν Psc | — | 01h 41m 25.9s | +05° 29′ 15″ | 4,44 |
| λ Psc | — | 23h 42m 02.8s | +01° 46′ 48″ | 4,50 |
| τ Psc | — | 01h 11m 39.6s | +30° 05′ 24″ | 4,51 |
| β Psc | — | 23h 03m 52.6s | +03° 49′ 12″ | 4,53 |
| ξ Psc | — | 01h 53m 33.3s | +03° 11′ 15″ | 4,62 |
| φ Psc | — | 01h 13m 44.9s | +24° 35′ 01″ | 4,65 |
| χ Psc | — | 01h 11m 27.1s | +21° 02′ 06″ | 4,66 |
| υ Psc | — | 01h 19m 28.0s | +27° 15′ 51″ | 4,76 |
O zodíaco tropical começa no equinócio de março, o ponto em que o Sol cruza o equador celeste rumo ao norte. Há cerca de dois mil anos, esse ponto ficava na constelação Aries; por causa da precessão, hoje fica em Pisces. É por isso que o signo de Áries começa, no céu atual, sobre as estrelas dos Peixes.9,10,14
08Respostas breves
Perguntas frequentes
O que significa ser de Peixes?
Na linguagem da astrologia, é ter nascido com o Sol no signo, aproximadamente entre 19 de fevereiro e 20 de março. O signo é associado à sensibilidade, à imaginação, à empatia e à dificuldade com limites.
São associações simbólicas, e mesmo dentro da astrologia o signo solar é só uma parte do mapa natal.
Quem rege Peixes, Júpiter ou Netuno?
Depende da escola. Na astrologia tradicional, Júpiter, que recebeu Sagitário e Peixes no sistema de Ptolomeu. Na astrologia moderna, Netuno, descoberto em 1846, como regente ou corregente ao lado de Júpiter.2,6
Os antigos já viam Peixes como signo místico?
Não nas fontes consultadas. Valens descreve um signo úmido, fecundo, instável e dividido. Imaginação, misticismo e ilusão são significados construídos depois de 1846, ligados a Netuno.3,6
Por que são dois peixes?
No mito grego, são Afrodite e Eros, que se transformaram em peixes, ou foram levados por eles, para fugir de Tifão. Na Babilônia, textos tardios já falam de uma “corda dos peixes”. Valens lê os dois peixes como um signo em conflito consigo mesmo, um do norte e outro do sul.3,9
O equinócio de março fica em Peixes?
Na constelação Pisces, sim, por causa da precessão. No zodíaco tropical, o equinócio é, por definição, o início do signo de Áries, e Peixes é o setor imediatamente anterior a ele.9,14
Netuno pode ser visto a olho nu?
Não. É o único planeta do sistema solar invisível a olho nu, e só foi encontrado em 1846, depois de ter sua posição calculada.4
Qual é o período de Peixes?
No zodíaco tropical, o Sol percorre Peixes aproximadamente de 19 de fevereiro a 20 de março. As datas variam um pouco de ano para ano.
09Fontes e aprofundamento
Referências
Cada referência indica o que ela sustenta no texto. Interpretações contemporâneas sem fonte indicada são redação do Arcanista, apresentadas como leitura simbólica.
- Discussão contemporânea: Júpiter como regente tradicional e Netuno como reatribuição do último século; Vênus exaltada; Peixes como o mais empático dos signos de água, que se aproxima e se retira; imaginação, sonhos, desejo de compreender o quadro geral, “otimismo do campo”, idealismo que pode tornar o real insuficiente; a evasão como cura ou risco; os dois peixes como lado profundo e lado brincalhão.
- Os estereótipos de distraído, ingênuo ou desleixado são discutidos e contestados (“Peixes é bom em ampliar o foco”).
Ptolomeu, Tetrabiblos. Trad. F. E. Robbins. Cambridge (MA): Harvard University Press, Loeb Classical Library, 1940. Livro I, caps. 2, 4, 5, 10, 11, 12, 13, 17, 18 e 19; Livro IV, cap. 10.
- I.2: um poder vindo da substância etérea se espalha pela região da Terra; o Sol produz as estações, a Lua afeta marés e seres vivos; a previsão é possível, mas falível, como a medicina e a navegação.
- I.10: as estações têm qualidades (primavera úmida, verão quente, outono seco, inverno frio), começando pelo equinócio de março, em Áries.
- I.11: nos signos solsticiais e equinociais o Sol “se volta”, invertendo seu movimento em latitude; seguem-se os signos sólidos e os bicorpóreos.
- I.17: Câncer e Leão vão aos luminares por serem os mais setentrionais e próximos do zênite; os demais planetas recebem pares de signos por ordem de esfera (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter) e Saturno, o mais alto e frio, os signos opostos.
- I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam um triângulo de signos femininos, predominantemente do sul (vento Noto), governado pela Lua e por Vênus; os triângulos são descritos por ventos e qualidades, não pelos nomes dos elementos.
- I.4: Vênus tem a natureza temperada de Júpiter; aquece moderadamente, por estar perto do Sol, mas sobretudo umedece. Mercúrio ora seca, por estar perto do Sol, ora umedece, por estar logo acima da esfera da Lua.
- I.11: os signos sólidos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) são assim chamados porque, quando o Sol está neles, os efeitos da estação “nos tocam mais firmemente”; os bicorpóreos (Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes) compartilham, no fim e no começo, as propriedades de duas estações.
- I.17: Vênus recebe Libra e Touro, signos “extremamente férteis” em sextil com as casas dos luminares, porque nunca se afasta mais de dois signos do Sol; Mercúrio recebe Gêmeos e Virgem, porque nunca se afasta mais de um signo do Sol.
- I.19: a Lua tem em Touro sua exaltação, por ali começar a crescer em luz; Mercúrio tem em Virgem sua exaltação, por ser mais seco, como o outono, e sua depressão em Peixes; Vênus tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem.
- IV.10: a Saturno cabe a última idade, a velhice, quando movimentos e desejos se tornam mais lentos.
- I.4: Saturno tem por qualidade sobretudo esfriar e, moderadamente, secar, por estar longe do calor do Sol e das exalações úmidas da Terra.
- I.5: Saturno e Marte são classificados como planetas de efeito oposto ao dos benéficos (maléficos); em Saturno, pelo excesso de frio.
- I.11: Capricórnio é signo solsticial, o primeiro a partir do solstício de inverno (do ponto de vista do Mediterrâneo).
- I.12: os signos alternam masculino e feminino a partir de Áries; Capricórnio, o décimo, cai entre os femininos (por dedução da regra; o capítulo não o nomeia).
- I.17: Câncer e Leão aos luminares; Saturno, o mais frio e o mais distante, recebe os signos opostos a eles, Capricórnio e Aquário, frios e invernais.
- I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam o segundo triângulo, de signos femininos, governado pela Lua (de noite) e por Vênus (de dia). Ptolomeu não chama esse triângulo de 'terra'.
- I.13: trígono e sextil são aspectos harmônicos, por unirem signos do mesmo tipo; quadratura e oposição, desarmônicos.
- I.19: Marte tem em Capricórnio sua exaltação, por estar ali mais ao sul; Câncer é sua depressão. Júpiter, exaltado em Câncer, tem em Capricórnio sua depressão.
- I.4: o Sol aquece e, em certo grau, seca; Marte “sobretudo seca e queima, conforme sua cor ígnea”, por estar perto do Sol; Júpiter tem força temperada, entre o frio de Saturno e o calor de Marte, aquece e umedece e produz ventos fertilizantes.
- I.10: embora o zodíaco, sendo um círculo, não tenha começo natural, toma-se como ponto de partida o signo que começa no equinócio de primavera, Áries, porque a primavera, como a infância, é úmida.
- I.11: Áries é equinocial, o primeiro a partir do equinócio de primavera; Leão é sólido; Sagitário é bicorpóreo.
- I.12: os signos alternam masculino (diurno) e feminino (noturno) a partir de Áries, que é masculino.
- I.17: Leão, masculino, cabe ao Sol, e Câncer, feminino, à Lua, por serem os mais setentrionais e próximos do zênite, os que mais produzem calor; Marte, seco, recebe Escorpião e Áries, em quadratura com as casas dos luminares, de acordo com sua qualidade “destrutiva e desarmônica”; Júpiter, temperado, recebe Sagitário e Peixes, ventosos e férteis, em trígono com as casas dos luminares, configuração “harmoniosa e benéfica”.
- I.18: Áries, Leão e Sagitário formam o primeiro triângulo, de três signos masculinos, que contém as casas do Sol, de Marte e de Júpiter; é governado pelo Sol de dia e por Júpiter de noite (Marte fica de fora por não ser da seita solar); é predominantemente do norte, por causa de Júpiter, fecundo e ventoso.
- I.19: o Sol tem em Áries sua exaltação, porque ali começa a subir para o hemisfério norte e os dias e o calor aumentam; Saturno, por isso, tem em Áries sua depressão: “onde o calor aumenta, o frio diminui”.
- I.11: Libra é o signo equinocial que começa no equinócio de outono (do hemisfério norte); Gêmeos é bicorpóreo; Aquário é sólido.
- I.18: Gêmeos, Libra e Aquário formam o terceiro triângulo, de três signos masculinos, sem relação com Marte, mas com Saturno e Mercúrio, por suas casas; Saturno o governa de dia, por sua seita, e Mercúrio de noite; o triângulo é sobretudo de constituição oriental (do leste).
- I.19: Saturno tem em Libra sua exaltação e em Áries sua depressão, o inverso do Sol, porque “onde o calor aumenta, o frio diminui” e vice-versa: em Libra o Sol começa a descer para o sul e os dias encurtam.
- I.9 (nota do tradutor 47): “as Garras do Escorpião” é o nome antigo de Libra (em grego, Zygós, “a balança”); Ptolomeu usa os dois nomes.
- I.4: “a maior parte do poder da Lua consiste em umedecer”, por sua proximidade da Terra e das exalações úmidas que sobem dela.
- I.11: Câncer é solsticial, o primeiro intervalo de 30° a partir do solstício de verão; Escorpião é sólido; Peixes é bicorpóreo.
- I.17: Câncer, feminino, é dado à Lua (e Leão, masculino, ao Sol); Escorpião e Áries, contíguos às casas dos luminares, a Marte; Sagitário e Peixes, “ventosos e fecundos”, a Júpiter.
- I.18: Câncer, Escorpião e Peixes formam o quarto triângulo, de signos femininos; Marte participa dele por sua casa, Escorpião; a Lua o governa de noite e Vênus de dia, como corregentes de Marte; o triângulo é sobretudo ocidental.
- I.19: Júpiter tem em Câncer sua exaltação, porque ali chega ao ponto mais setentrional e completa seu poder; Marte, exaltado em Capricórnio, tem em Câncer sua depressão. Vênus, úmida por natureza, tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem; Mercúrio, mais seco, tem a depressão em Peixes. A Lua tem a depressão em Escorpião, oposto de sua exaltação em Touro.
Vettius Valens, Antologia (séc. II). Trad. inglesa de Mark T. Riley. Livro I, cap. 2 (a natureza dos doze signos).
- Capricórnio é “casa de Saturno, feminino, trópico, terroso”; Touro e Virgem também são descritos como terrosos; Áries, Leão e Sagitário, como ígneos.
- Testemunho antigo, contemporâneo de Ptolomeu, do esquema de domicílios e da associação dos signos aos elementos.
- Touro: feminino, sólido, “no trópico de primavera do Sol”; terroso, rústico, ligado à agricultura e à ordem.
- Virgem: “casa de Mercúrio, feminino, alado, de forma humana”, “de pé como a figura da Justiça”; bicorpóreo, terroso; nativos ligados à administração, às contas e à gestão de bens alheios.
- I.1: Vênus é “desejo e amor”, indica a mãe e a nutrição, amizade, música, pintura e beleza; Mercúrio indica educação, letras, argumentação, raciocínio, interpretação, número, contas, geometria e mercados.
- Áries: “casa de Marte, signo masculino, trópico, terrestre, governante, ígneo, livre”; “meio do céu do universo”; nativos “brilhantes, ilustres”, “ousados no pensamento”, “de grande coração”, “inquietos, instáveis”, “orgulhosos”; quanto ao clima, “por natureza úmido, com trovões e granizo”.
- Leão: “masculino, casa do Sol, livre, ígneo, temperado, intelectual, régio, estável, nobre”, “sólido”, “irascível”; nativos “ilustres, nobres, firmes, justos, inimigos do mal, independentes, inimigos da bajulação, benfeitores, inflados por seus pensamentos elevados”; “Leão é quente: a estrela brilhante do peito [Regulus] é ígnea e sufocante”.
- Sagitário: “casa de Júpiter, masculino, ígneo”, “nobre, alado, mutável, bicorpóreo, de duas naturezas, misterioso”, “governante, régio”; nativos “nobres, justos, de grande coração, juízes, generosos, que amam os irmãos e os amigos”, que “perdem muito do que tinham, mas recuperam”, “buscam uma reputação nobre”.
- Câncer: “casa da Lua, feminino, solsticial, o Ascendente do universo”, “aquoso, nobre, mutável”, “prolífico, anfíbio”; nativos ambiciosos, populares, “sempre mudando”, teatrais, alegres e “facilmente abatidos”, amantes da festa, que se tornam viajantes.
- Escorpião: “casa de Marte, feminino, sólido, chuvoso, fecundo, destrutivo”, “imutável”; o retrato dos nativos é extremamente duro (ladrões, traidores, envenenadores, “que odeiam a própria família”).
- Peixes: “feminino, úmido, bastante molhado, bicorpóreo”, “de duas formas”, “em conflito consigo mesmo, porque um Peixe é do norte e o outro do sul”, “mutável”, “causa de errância, variado”; nativos “instáveis”, que mudam “da má para a boa sorte”, populares.
- I.1: a Lua, de luz emprestada do Sol, indica a vida, o corpo, a mãe, a concepção, a aparência, a vida em comum (o casamento legítimo), a nutrição, o cuidado da casa, a senhora da casa, os bens, a cidade e o povo, as viagens e errâncias; rege o estômago, os seios e a prata.
- Gêmeos: “masculino, bicorpóreo, articulado, casa de Mercúrio”; sob ele nascem “estudiosos, os que trabalham com educação e letras, poetas”, amantes da música, oradores, administradores, tradutores, comerciantes, “pessoas sensatas”, praticantes de “artes curiosas” e buscadores de saberes místicos.
- Libra: “casa de Vênus, masculino, equinocial, de forma humana”, “aéreo”, “vocal, nobre, mutável”, supervisor das colheitas, das vinhas, dos olivais, das medidas e dos artesãos; nativos “nobres e justos”, mas também invejosos dos bens alheios, de sorte mediana, que vivem “altos e baixos” e cuidam das medidas e do abastecimento de grãos.
- Aquário: “masculino, sólido, de forma humana, um tanto úmido”, “bastante frio, livre”, “imutável”; o retrato dos nativos é duro (“maliciosos”, “obstinados”, “misantropos”, “às vezes generosos”).
- I.1: Saturno faz os nativos mesquinhos, preocupados, solitários e austeros; indica obstáculos, demoras, prisões e luto, mas também grandes cargos, supervisões e a gestão de bens alheios; rege o chumbo, a madeira e a pedra.
- I.1: o Sol, “fogo da natureza e luz intelectual”, indica realeza, comando, inteligência, beleza, julgamento, reputação pública, o pai, a amizade, honras; rege o coração e o ouro. Marte indica força, guerras, violência, raiva, brigas, mas também “comandos, campanhas e liderança”, caça, trabalhos com fogo ou ferro; é “vermelho”. Júpiter indica geração, desejo, amizades com os grandes, prosperidade, presentes, justiça, cargos, arbitragens, confiança, herança, fraternidade, beneficência, “alívio dos problemas, libertação das amarras, liberdade”.
NASA Science, “Neptune: Facts”.
- Primeiro planeta localizado por previsão matemática: Urbain Le Verrier calculou sua posição a partir das irregularidades de Urano, e Johann Galle o encontrou em 1846, na primeira noite de busca; é o único planeta invisível a olho nu; recebeu o nome do deus romano do mar; completa a órbita em 165 anos.
- Pesquisa de Kenneth Miller: em meados do século XX, astrólogos debatiam se Plutão regia Escorpião ou Áries; até meados dos anos 1970, os significados de Plutão eram pouco consistentes; a convergência veio com obras como Planets in Transit, de Robert Hand (1976), quando Plutão, Escorpião e a casa 8 passaram a ser lidos juntos.
- A equivalência entre signos e casas (Escorpião = casa 8, tradicionalmente ligada à morte) é atribuída a Alan Leo e ao “alfabeto de doze letras” da astrologia do século XX; antes de Plutão, revistas britânicas debatiam onde Netuno deveria reger, e uma lógica de sequência apontava Peixes como o próximo signo.
- Netuno é apresentado como “corregente de Peixes, cujo regente tradicional é Júpiter”; seus significados modernos (ilusão, cinema, anestesia, evasão, fantasia, amor idealizado, o mar) são ligados a acontecimentos da época da descoberta, como a primeira fotografia (1827) e o primeiro uso do éter em cirurgia (1846).
- Netuno, descoberto em 1846, costuma significar ilusão, misticismo, evasão, espiritualismo, confusão, romantismo, compaixão e experiências de transcendência; seus significados foram firmados pelos astrólogos em quase dois séculos de prática.
“Babylonian star catalogues”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- No MUL.APIN: MUL.GU4.AN.NA, “o Touro do Céu” (Taurus e as Híades); MUL.MUL, “o aglomerado” (as Plêiades); MUL.ABSIN, “o Sulco” (Virgo), associado à deusa Šala, representada segurando grãos.
- O caminho da Lua no MUL.APIN tem 17 ou 18 constelações, antecessoras diretas do zodíaco de doze signos.
- No MUL.APIN: AL.LUL, em acádio alluttu, “o Lagostim” (Cancer); GIR.TAB, em acádio zuqaqīpu, “o Cortador”, isto é, o escorpião (Scorpius); ŠIM.MAḪ, “a Grande Andorinha” (sudoeste de Pisces e parte de Pegasus); Anunitu, “a deusa Anunitu” (nordeste de Pisces e parte de Andromeda); KUN.MEŠ, “as Caudas” (Pisces); em fonte babilônica tardia, DU.NU.NU, “a Corda dos Peixes”.
- No MUL.APIN: MAŠ.TAB.BA(.GAL.GAL), “os (Grandes) Gêmeos” (Gemini); ZI.BA.AN.NA, em acádio zibānītu, “a Balança” (Libra); GU.LA, “o Grande” (Aquarius), que o artigo diz representar Ea, deus das águas (afirmação sem nota no artigo).
- No MUL.APIN: (LÚ.)ḪUN.GÁ, em acádio agru, “o Trabalhador Rural” (Aries); não está claro como o Trabalhador virou o Carneiro grego, talvez por trocadilho ou mal-entendido. UR.GU.LA (com UR.MAḪ, “o Leão”) corresponde a Leo. PA.BIL.SAG, o deus Pabilsag, “comparativamente obscuro”, depois identificado com Ninurta, corresponde a Sagittarius.
“Pisces (constellation)”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- A constelação herda figuras babilônias: a Grande Andorinha a oeste e Anunitum, a “Senhora do Céu”; textos dos Diários Astronômicos chamam parte dela de DU.NU.NU, “a corda dos peixes” (Rogers, 1998).
- Higino (II.30, citando Diogneto de Eritreia) conta que Afrodite e Eros fugiram de Tifão saltando no Eufrates e virando peixes; em Ovídio (Fastos II.457 ss.), Vênus e Cupido são levados por dois peixes. 889 graus quadrados (14ª em tamanho); o equinócio de março está hoje em Pisces.
I. Ridpath, “Pisces”. Star Tales (versão online), s.d.
- Os babilônios visualizavam nessa região um par de peixes ligados por uma corda (segundo Kunitzsch); o cenário do mito grego, junto ao Eufrates, indica herança babilônica.
- Afrodite e Eros, fugindo de Tifão, foram levados por dois peixes ou viraram peixes; numa outra história, a deusa síria Derceto, caída num lago perto de Bambice, foi salva por um grande peixe; Eratóstenes diz que os dois peixes são descendentes do Peixe Austral.
- Alrescha vem do árabe al-rishā, “a corda”, no nó que une os dois peixes; o equinócio de março está hoje em Pisces, ao sul do Quadrado de Pégaso, perto do Círculo; a constelação é apagada.
S. Carlson, “A double-blind test of astrology”, Nature, 318, p. 419–425, 1985. DOI 10.1038/318419a0.
- Em teste duplo-cego, astrólogos não associaram mapas natais aos perfis de personalidade corretos acima do acaso.
União Astronômica Internacional (IAU). The Constellations.
- As 88 constelações reconhecidas, com limites oficiais publicados pela IAU, entre elas as 12 do zodíaco (Capricornus, por exemplo, tem abreviatura Cap e genitivo Capricorni).
- Posições (J2000) e magnitudes das estrelas das 12 constelações zodiacais usadas no Atlas Celeste e nos verbetes.
- O eixo da Terra oscila como um pião; o ciclo da precessão axial dura cerca de 25.771,5 anos (≈ 1° a cada 72 anos).
Dados das estrelas e figura da constelação: os mesmos do Atlas Celeste (Bright Star Catalogue; traçado próprio do Arcanista). Créditos e licenças das ilustrações.
Versão preliminar, em revisão editorial · Atualizado em