ENCICLOPÉDIA ASTROLÓGICA · SIGNO

Touro

Touro é o segundo signo do zodíaco tropical e ocupa os 30 graus da eclíptica que começam um mês depois do equinócio de março. Na astrologia, é o signo da constância, do corpo e dos prazeres simples: associado a Vênus, à terra e ao meio da primavera do hemisfério norte, fala daquilo que se cultiva e se quer manter.

O touro é uma das figuras mais antigas do céu. Já era o “Touro do Céu” na Mesopotâmia e virou, para os gregos, o animal em que Zeus raptou Europa. Este verbete explica de onde vieram essas ideias, qual raciocínio estava por trás delas e o que, nelas, é astronomia e o que é construção simbólica.

O touro, figura mitológica de Taurus. Ilustração: arte do Arcanista, gerada com IA sob direção e curadoria humana (2026).
Símbolo
Glifo de Touro
Elemento
Terra
Modalidade
Fixo
Polaridade
Feminina (noturna), na classificação clássica
Regente tradicional
Vênus
Posição
2º signo do zodíaco tropical (30°–60°)
Período solar
Por volta de 20 de abril a 20–21 de maio, conforme o ano.
Neste verbete

O que Touro significa e de onde vêm essas ideias

Na astrologia, Touro é o signo da estabilidade, da paciência e do prazer de estar no próprio corpo. É associado à comida, à música, à beleza, aos bens que se acumulam com trabalho e à vontade de que as coisas boas durem.

Essas associações não caíram do céu. Elas vêm de três peças do sistema astrológico, que este verbete explica:

  • Vênus, o planeta regente, ligado ao desejo, ao afeto e à beleza (seção “Vênus”).
  • A posição de Touro no meio da primavera do hemisfério norte, quando a estação já está firme (seção “Terra e fixo”).
  • A imagem do touro: o animal que puxa o arado e, nos mitos, uma figura de força e fertilidade (seção “História e mito”).

Há ainda uma camada mais recente. Muitas descrições atuais de Touro, como “possessivo” ou “materialista”, vêm da astrologia popular do século XX, que transformou os signos em retratos de personalidade. Elas não estão nos textos antigos, e o verbete as trata como leituras modernas.1

Por que Touro é fixo e de Terra

Por que fixo?

Cada estação do ano tem três signos. O primeiro começa num equinócio ou num solstício; o segundo ocupa o meio da estação; o terceiro faz a passagem para a seguinte. Touro é o signo do meio da primavera do hemisfério norte: o Sol entra nele cerca de um mês depois do equinócio de março.

Ptolomeu chamava esses signos do meio de “sólidos”. A explicação dele é simples: quando o Sol está neles, os efeitos da estação “nos tocam mais firmemente”. A primavera, em Touro, já não está começando nem acabando. Está instalada.2

Da estação firme veio, muito depois, a leitura de personalidade: signos fixos seriam constantes, persistentes e resistentes à mudança. É uma metáfora moderna construída sobre a classificação antiga. O próprio nome “fixo” só se firmou mais tarde na tradição.

Fixo

Signo do meio de uma estação: Touro, Leão, Escorpião e Aquário. Ptolomeu os chamava de sólidos.2

Por que Terra?

Touro faz parte do grupo de três signos que hoje chamamos de terra, com Virgem e Capricórnio. A ideia dos quatro elementos vem da filosofia grega, mas Ptolomeu não usa esses nomes: ele descreve os três signos como um “triângulo” de signos femininos, governado por Vênus de dia e pela Lua de noite.2

O nome “terroso” aparece em Vettius Valens, também do século II. Na descrição de Touro, Valens junta à terra outras palavras que ajudam a entender o imaginário do signo: “rústico”, “ligado à agricultura”, “produtor de ordem”. O touro de Valens é o do campo, não o da arena.3

A ideia de que signos de terra são práticos e materiais é uma metáfora desenvolvida sobretudo pela astrologia psicológica do século XX, que tratou os elementos como tipos de temperamento. (A história completa dos quatro elementos na astrologia está no verbete de Capricórnio.)4

Polaridade

Na alternância de Ptolomeu, os signos ímpares são masculinos e diurnos; os pares, femininos e noturnos. Touro, o segundo, é feminino e noturno.2

Vênus, regente de Touro

O planeta

Vênus é o astro mais brilhante do céu depois do Sol e da Lua. Leva cerca de 225 dias para dar a volta ao Sol e, vista da Terra, nunca se afasta muito dele: aparece como estrela da manhã, antes do nascer do Sol, ou como estrela da tarde, depois do pôr do Sol.5,6

Por que Vênus rege Touro?

Na astrologia clássica, cada astro visível “mora” em um ou dois signos. A distribuição começa pelo Sol e pela Lua, que ficam com Leão e Câncer, e segue para fora, planeta por planeta, de acordo com a distância que cada um pode alcançar em relação ao Sol.2

Ptolomeu dá o motivo de Vênus ficar com Touro e Libra: ela “nunca se afasta mais de dois signos do Sol”, e esses dois signos estão justamente a dois signos de distância das casas do Sol e da Lua. Ele ainda os descreve como signos “extremamente férteis”, combinando com a natureza de Vênus, que para ele aquece de leve e umedece.2

A observação por trás é real: Vênus de fato nunca passa de uns 47° do Sol, um pouco mais de um signo e meio. O raciocínio que liga isso a Touro, porém, é uma construção do sistema, e não uma consequência física.6

Domicílio

Signo em que um planeta é considerado “em casa”. Vênus tem dois: Touro, de terra, e Libra, de ar. A astrologia costuma ler o primeiro como a Vênus do corpo e do prazer, e o segundo como a Vênus da convivência e da harmonia; essa divisão é uma leitura moderna.

Por que Vênus significa amor e prazer?

Na Mesopotâmia. O planeta era a própria deusa Inana, ou Ištar, estrela da manhã e da tarde. Ela era sobretudo a deusa do amor sexual, mas também da guerra.7

Na Grécia e em Roma. O planeta recebeu o nome da deusa do amor, Afrodite, e depois Vênus. A astrologia herdou esse vínculo com o desejo e a beleza.

Nos textos astrológicos. Para Valens, no século II, Vênus é “desejo e amor”: indica a mãe e a nutrição, a amizade, a música, a pintura e a beleza. Ptolomeu a classifica como benéfica, de natureza temperada.2,3

Perceba a diferença: o brilho de Vênus e seu vaivém em torno do Sol são verificáveis. Que ela represente o amor e o prazer é uma herança mitológica que a astrologia transformou em linguagem simbólica.

A Lua exaltada em Touro

Além da casa, cada planeta tem um signo em que é considerado especialmente forte. Para Ptolomeu, a Lua se exalta em Touro, porque é ali que, depois de encontrar o Sol em Áries, ela “começa a crescer em luz”. Por isso a astrologia liga Touro também à nutrição, ao conforto e à segurança.2

História e mitologia do touro

O Touro do Céu

Nas listas de estrelas babilônias, como o MUL.APIN, a constelação já se chamava MUL.GU4.AN.NA, “o Touro do Céu”. Bem ao lado ficava MUL.MUL, “o aglomerado”: as Plêiades. As duas estavam entre as constelações do caminho da Lua, as antecessoras do zodíaco.8,9

Na Epopeia de Gilgamesh, a deusa Ištar manda um “Touro do Céu” contra o herói. É tentador ligar o mito à constelação, e muitos autores fazem isso, mas a ligação é uma interpretação, e não um fato estabelecido pelas fontes.10

Por que um touro? As fontes não explicam. Uma pista astronômica é que, entre cerca de 4000 e 1700 a.C., o equinócio de março acontecia com o Sol em Taurus: a constelação marcava a chegada da primavera. É uma coincidência interessante, mas não prova que tenha sido o motivo do nome.10

Europa e Io

Os gregos herdaram a figura e lhe deram histórias. Não há um mito único: a Astronomia atribuída a Higino registra duas versões.

  • O touro branco em que Zeus se transformou para raptar Europa, princesa fenícia, e levá-la nas costas até Creta.
  • Io, transformada em novilha por Zeus para escondê-la do ciúme de Hera, que depois de vagar até o Egito voltou à forma humana.
  • Fontes: 11

Do Touro antigo ao taurino dos horóscopos

Compare duas descrições. Valens, no século II, fala de um signo feminino, sólido, terroso, rústico, ligado à agricultura e à ordem. Uma descrição popular de hoje fala de alguém calmo, sensual, apegado ao conforto, teimoso e às vezes possessivo.3

As duas conversam, mas não são a mesma coisa. Os antigos classificavam o signo pelas estações, pelos regentes e pela figura do céu, e usavam essas qualidades para julgar mapas. Os retratos de personalidade por signo solar se popularizaram no século XX, com livros como os de Linda Goodman e as colunas de horóscopo.1

Astrólogos contemporâneos costumam descrever Touro pela constância, pela paciência, pelo prazer dos sentidos e pelo cultivo, e sua sombra pela teimosia, pela resistência à mudança e pela acomodação. São leituras atuais, construídas sobre os símbolos antigos de Vênus, da terra e da estação firme.12

Sol em Touro

É o que se costuma chamar de “ser de Touro”: o Sol estava no signo no nascimento, por volta de 20 de abril a 20 de maio. Na própria astrologia, o signo solar é só uma parte do mapa natal, que inclui a Lua, o ascendente, os planetas e as relações entre eles.

A constelação Taurus

Taurus é uma das 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional. É uma das mais fáceis de reconhecer: a estrela alaranjada Aldebaran marca o olho do touro, as Híades formam seu rosto em forma de V e as Plêiades brilham sobre o seu dorso. No Brasil, é bem visível nas noites de dezembro a fevereiro, perto de Órion.14,15

Mapa da constelação TaurusEstrelas de Taurus ligadas pela convenção ilustrativa do Atlas, com a eclíptica e o trecho do signo tropical de Touro (30° a 60°). Norte para cima, leste à esquerda.60°AldebaranElnathAlcyoneTianguanChamukuyAinPrima HyadumSecunda Hyadum
Figura de Taurus (convenção ilustrativa) · Signo tropical de Touro na eclíptica (30°–60°) · Norte para cima, leste à esquerda. Posições J2000.

Estrelas principais

As posições abaixo vêm do mesmo catálogo usado no Atlas Celeste. Aldebaran vem do árabe e significa “a que segue”, provavelmente porque nasce depois das Plêiades.10,15

Estrelas da figura de Taurus, posições J2000 (Bright Star Catalogue)
DesignaçãoNomeAscensão retaDeclinaçãoMagnitude
α TauAldebaran04h 35m 55.2s+16° 30′ 33″0,85
β TauElnath05h 26m 17.5s+28° 36′ 27″1,65
η TauAlcyone03h 47m 29.0s+24° 06′ 18″2,87
ζ TauTianguan05h 37m 38.7s+21° 08′ 33″3,00
θ² TauChamukuy04h 28m 39.7s+15° 52′ 15″3,40
λ Tau—04h 00m 40.8s+12° 29′ 25″3,47
ε TauAin04h 28m 37.0s+19° 10′ 49″3,53
ο Tau—03h 24m 48.8s+09° 01′ 44″3,60
γ TauPrima Hyadum04h 19m 47.6s+15° 37′ 39″3,65
ξ Tau—03h 27m 10.3s+09° 43′ 59″3,74
δ¹ TauSecunda Hyadum04h 22m 56.1s+17° 32′ 33″3,76
ν Tau—04h 03m 09.4s+05° 59′ 20″3,91
Plêiades e Híades

Dois aglomerados abertos, grupos de estrelas que nasceram juntas. As Plêiades, as “Sete Irmãs”, aparecem a olho nu como um pequeno grupo azulado sobre o dorso do touro; as Híades formam o seu rosto.10

Signo e constelação não são a mesma coisa

O signo de Touro é o setor de 30° a 60° da eclíptica, contado a partir do equinócio de março. A constelação Taurus é uma região do céu com limites fixados pela IAU. Por causa da precessão dos equinócios, hoje o Sol só passa por ela de meados de maio a cerca de 21 de junho, quase um mês depois do signo.10,14,16

Perguntas frequentes

O que significa ser de Touro?

Na linguagem da astrologia, é ter nascido com o Sol no signo, aproximadamente entre 20 de abril e 20 de maio. O signo é associado à estabilidade, à paciência, aos prazeres simples e à vontade de manter o que é bom.

São associações simbólicas, e mesmo dentro da astrologia o signo solar é só uma parte do mapa natal.

Qual é o planeta regente de Touro?

Vênus. Na distribuição clássica, Vênus, que nunca se afasta mais de dois signos do Sol, ficou com os dois signos a essa distância das casas do Sol e da Lua: Touro e Libra.2

Por que Touro é um signo fixo?

Porque ocupa o meio de uma estação, a primavera do hemisfério norte. Ptolomeu chamava esses signos de “sólidos”: quando o Sol está neles, a estação já está firme. A associação com constância e teimosia é uma leitura moderna dessa classificação.2

Por que o símbolo de Touro é um touro?

A figura vem da Mesopotâmia, onde a constelação já se chamava “Touro do Céu”. As fontes não explicam a escolha do animal. Os gregos depois a ligaram ao touro de Zeus no mito de Europa.8,11

Touro é uma constelação ou um signo?

As duas coisas, com definições diferentes. O signo é um setor de 30° do zodíaco tropical; a constelação Taurus é uma região do céu delimitada pela União Astronômica Internacional. Por causa da precessão, hoje o Sol entra na constelação quase um mês depois de entrar no signo.14

Qual é o período de Touro?

No zodíaco tropical, o Sol percorre Touro aproximadamente de 20 de abril a 20–21 de maio. As datas variam um pouco de ano para ano.

Referências

Cada referência indica o que ela sustenta no texto. Interpretações contemporâneas sem fonte indicada são redação do Arcanista, apresentadas como leitura simbólica.

  1. L. Goodman, Linda Goodman’s Sun Signs. 1968; ed. Pan Macmillan (Bluebird), 2019.

    • Marco da astrologia popular de signo solar no século XX, que difundiu os retratos de personalidade por signo.
  2. Ptolomeu, Tetrabiblos. Trad. F. E. Robbins. Cambridge (MA): Harvard University Press, Loeb Classical Library, 1940. Livro I, caps. 2, 4, 5, 10, 11, 12, 13, 17, 18 e 19; Livro IV, cap. 10.

    • I.2: um poder vindo da substância etérea se espalha pela região da Terra; o Sol produz as estações, a Lua afeta marés e seres vivos; a previsão é possível, mas falível, como a medicina e a navegação.
    • I.10: as estações têm qualidades (primavera úmida, verão quente, outono seco, inverno frio), começando pelo equinócio de março, em Áries.
    • I.11: nos signos solsticiais e equinociais o Sol “se volta”, invertendo seu movimento em latitude; seguem-se os signos sólidos e os bicorpóreos.
    • I.17: Câncer e Leão vão aos luminares por serem os mais setentrionais e próximos do zênite; os demais planetas recebem pares de signos por ordem de esfera (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter) e Saturno, o mais alto e frio, os signos opostos.
    • I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam um triângulo de signos femininos, predominantemente do sul (vento Noto), governado pela Lua e por Vênus; os triângulos são descritos por ventos e qualidades, não pelos nomes dos elementos.
    • I.4: Vênus tem a natureza temperada de Júpiter; aquece moderadamente, por estar perto do Sol, mas sobretudo umedece. Mercúrio ora seca, por estar perto do Sol, ora umedece, por estar logo acima da esfera da Lua.
    • I.11: os signos sólidos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) são assim chamados porque, quando o Sol está neles, os efeitos da estação “nos tocam mais firmemente”; os bicorpóreos (Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes) compartilham, no fim e no começo, as propriedades de duas estações.
    • I.17: Vênus recebe Libra e Touro, signos “extremamente férteis” em sextil com as casas dos luminares, porque nunca se afasta mais de dois signos do Sol; Mercúrio recebe Gêmeos e Virgem, porque nunca se afasta mais de um signo do Sol.
    • I.19: a Lua tem em Touro sua exaltação, por ali começar a crescer em luz; Mercúrio tem em Virgem sua exaltação, por ser mais seco, como o outono, e sua depressão em Peixes; Vênus tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem.
    • IV.10: a Saturno cabe a última idade, a velhice, quando movimentos e desejos se tornam mais lentos.
    • I.4: Saturno tem por qualidade sobretudo esfriar e, moderadamente, secar, por estar longe do calor do Sol e das exalações úmidas da Terra.
    • I.5: Saturno e Marte são classificados como planetas de efeito oposto ao dos benéficos (maléficos); em Saturno, pelo excesso de frio.
    • I.11: Capricórnio é signo solsticial, o primeiro a partir do solstício de inverno (do ponto de vista do Mediterrâneo).
    • I.12: os signos alternam masculino e feminino a partir de Áries; Capricórnio, o décimo, cai entre os femininos (por dedução da regra; o capítulo não o nomeia).
    • I.17: Câncer e Leão aos luminares; Saturno, o mais frio e o mais distante, recebe os signos opostos a eles, Capricórnio e Aquário, frios e invernais.
    • I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam o segundo triângulo, de signos femininos, governado pela Lua (de noite) e por Vênus (de dia). Ptolomeu não chama esse triângulo de 'terra'.
    • I.13: trígono e sextil são aspectos harmônicos, por unirem signos do mesmo tipo; quadratura e oposição, desarmônicos.
    • I.19: Marte tem em Capricórnio sua exaltação, por estar ali mais ao sul; Câncer é sua depressão. Júpiter, exaltado em Câncer, tem em Capricórnio sua depressão.
    • I.4: o Sol aquece e, em certo grau, seca; Marte “sobretudo seca e queima, conforme sua cor ígnea”, por estar perto do Sol; Júpiter tem força temperada, entre o frio de Saturno e o calor de Marte, aquece e umedece e produz ventos fertilizantes.
    • I.10: embora o zodíaco, sendo um círculo, não tenha começo natural, toma-se como ponto de partida o signo que começa no equinócio de primavera, Áries, porque a primavera, como a infância, é úmida.
    • I.11: Áries é equinocial, o primeiro a partir do equinócio de primavera; Leão é sólido; Sagitário é bicorpóreo.
    • I.12: os signos alternam masculino (diurno) e feminino (noturno) a partir de Áries, que é masculino.
    • I.17: Leão, masculino, cabe ao Sol, e Câncer, feminino, à Lua, por serem os mais setentrionais e próximos do zênite, os que mais produzem calor; Marte, seco, recebe Escorpião e Áries, em quadratura com as casas dos luminares, de acordo com sua qualidade “destrutiva e desarmônica”; Júpiter, temperado, recebe Sagitário e Peixes, ventosos e férteis, em trígono com as casas dos luminares, configuração “harmoniosa e benéfica”.
    • I.18: Áries, Leão e Sagitário formam o primeiro triângulo, de três signos masculinos, que contém as casas do Sol, de Marte e de Júpiter; é governado pelo Sol de dia e por Júpiter de noite (Marte fica de fora por não ser da seita solar); é predominantemente do norte, por causa de Júpiter, fecundo e ventoso.
    • I.19: o Sol tem em Áries sua exaltação, porque ali começa a subir para o hemisfério norte e os dias e o calor aumentam; Saturno, por isso, tem em Áries sua depressão: “onde o calor aumenta, o frio diminui”.
    • I.11: Libra é o signo equinocial que começa no equinócio de outono (do hemisfério norte); Gêmeos é bicorpóreo; Aquário é sólido.
    • I.18: Gêmeos, Libra e Aquário formam o terceiro triângulo, de três signos masculinos, sem relação com Marte, mas com Saturno e Mercúrio, por suas casas; Saturno o governa de dia, por sua seita, e Mercúrio de noite; o triângulo é sobretudo de constituição oriental (do leste).
    • I.19: Saturno tem em Libra sua exaltação e em Áries sua depressão, o inverso do Sol, porque “onde o calor aumenta, o frio diminui” e vice-versa: em Libra o Sol começa a descer para o sul e os dias encurtam.
    • I.9 (nota do tradutor 47): “as Garras do Escorpião” é o nome antigo de Libra (em grego, Zygós, “a balança”); Ptolomeu usa os dois nomes.
    • I.4: “a maior parte do poder da Lua consiste em umedecer”, por sua proximidade da Terra e das exalações úmidas que sobem dela.
    • I.11: Câncer é solsticial, o primeiro intervalo de 30° a partir do solstício de verão; Escorpião é sólido; Peixes é bicorpóreo.
    • I.17: Câncer, feminino, é dado à Lua (e Leão, masculino, ao Sol); Escorpião e Áries, contíguos às casas dos luminares, a Marte; Sagitário e Peixes, “ventosos e fecundos”, a Júpiter.
    • I.18: Câncer, Escorpião e Peixes formam o quarto triângulo, de signos femininos; Marte participa dele por sua casa, Escorpião; a Lua o governa de noite e Vênus de dia, como corregentes de Marte; o triângulo é sobretudo ocidental.
    • I.19: Júpiter tem em Câncer sua exaltação, porque ali chega ao ponto mais setentrional e completa seu poder; Marte, exaltado em Capricórnio, tem em Câncer sua depressão. Vênus, úmida por natureza, tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem; Mercúrio, mais seco, tem a depressão em Peixes. A Lua tem a depressão em Escorpião, oposto de sua exaltação em Touro.
  3. Vettius Valens, Antologia (séc. II). Trad. inglesa de Mark T. Riley. Livro I, cap. 2 (a natureza dos doze signos).

    • Capricórnio é “casa de Saturno, feminino, trópico, terroso”; Touro e Virgem também são descritos como terrosos; Áries, Leão e Sagitário, como ígneos.
    • Testemunho antigo, contemporâneo de Ptolomeu, do esquema de domicílios e da associação dos signos aos elementos.
    • Touro: feminino, sólido, “no trópico de primavera do Sol”; terroso, rústico, ligado à agricultura e à ordem.
    • Virgem: “casa de Mercúrio, feminino, alado, de forma humana”, “de pé como a figura da Justiça”; bicorpóreo, terroso; nativos ligados à administração, às contas e à gestão de bens alheios.
    • I.1: Vênus é “desejo e amor”, indica a mãe e a nutrição, amizade, música, pintura e beleza; Mercúrio indica educação, letras, argumentação, raciocínio, interpretação, número, contas, geometria e mercados.
    • Áries: “casa de Marte, signo masculino, trópico, terrestre, governante, ígneo, livre”; “meio do céu do universo”; nativos “brilhantes, ilustres”, “ousados no pensamento”, “de grande coração”, “inquietos, instáveis”, “orgulhosos”; quanto ao clima, “por natureza úmido, com trovões e granizo”.
    • Leão: “masculino, casa do Sol, livre, ígneo, temperado, intelectual, régio, estável, nobre”, “sólido”, “irascível”; nativos “ilustres, nobres, firmes, justos, inimigos do mal, independentes, inimigos da bajulação, benfeitores, inflados por seus pensamentos elevados”; “Leão é quente: a estrela brilhante do peito [Regulus] é ígnea e sufocante”.
    • Sagitário: “casa de Júpiter, masculino, ígneo”, “nobre, alado, mutável, bicorpóreo, de duas naturezas, misterioso”, “governante, régio”; nativos “nobres, justos, de grande coração, juízes, generosos, que amam os irmãos e os amigos”, que “perdem muito do que tinham, mas recuperam”, “buscam uma reputação nobre”.
    • Câncer: “casa da Lua, feminino, solsticial, o Ascendente do universo”, “aquoso, nobre, mutável”, “prolífico, anfíbio”; nativos ambiciosos, populares, “sempre mudando”, teatrais, alegres e “facilmente abatidos”, amantes da festa, que se tornam viajantes.
    • Escorpião: “casa de Marte, feminino, sólido, chuvoso, fecundo, destrutivo”, “imutável”; o retrato dos nativos é extremamente duro (ladrões, traidores, envenenadores, “que odeiam a própria família”).
    • Peixes: “feminino, úmido, bastante molhado, bicorpóreo”, “de duas formas”, “em conflito consigo mesmo, porque um Peixe é do norte e o outro do sul”, “mutável”, “causa de errância, variado”; nativos “instáveis”, que mudam “da má para a boa sorte”, populares.
    • I.1: a Lua, de luz emprestada do Sol, indica a vida, o corpo, a mãe, a concepção, a aparência, a vida em comum (o casamento legítimo), a nutrição, o cuidado da casa, a senhora da casa, os bens, a cidade e o povo, as viagens e errâncias; rege o estômago, os seios e a prata.
    • Gêmeos: “masculino, bicorpóreo, articulado, casa de Mercúrio”; sob ele nascem “estudiosos, os que trabalham com educação e letras, poetas”, amantes da música, oradores, administradores, tradutores, comerciantes, “pessoas sensatas”, praticantes de “artes curiosas” e buscadores de saberes místicos.
    • Libra: “casa de Vênus, masculino, equinocial, de forma humana”, “aéreo”, “vocal, nobre, mutável”, supervisor das colheitas, das vinhas, dos olivais, das medidas e dos artesãos; nativos “nobres e justos”, mas também invejosos dos bens alheios, de sorte mediana, que vivem “altos e baixos” e cuidam das medidas e do abastecimento de grãos.
    • Aquário: “masculino, sólido, de forma humana, um tanto úmido”, “bastante frio, livre”, “imutável”; o retrato dos nativos é duro (“maliciosos”, “obstinados”, “misantropos”, “às vezes generosos”).
    • I.1: Saturno faz os nativos mesquinhos, preocupados, solitários e austeros; indica obstáculos, demoras, prisões e luto, mas também grandes cargos, supervisões e a gestão de bens alheios; rege o chumbo, a madeira e a pedra.
    • I.1: o Sol, “fogo da natureza e luz intelectual”, indica realeza, comando, inteligência, beleza, julgamento, reputação pública, o pai, a amizade, honras; rege o coração e o ouro. Marte indica força, guerras, violência, raiva, brigas, mas também “comandos, campanhas e liderança”, caça, trabalhos com fogo ou ferro; é “vermelho”. Júpiter indica geração, desejo, amizades com os grandes, prosperidade, presentes, justiça, cargos, arbitragens, confiança, herança, fraternidade, beneficência, “alívio dos problemas, libertação das amarras, liberdade”.
  4. S. Arroyo, Astrology, Psychology and the Four Elements: An Energy Approach to Astrology and Its Use in the Counseling Arts. CRCS, 1975.

    • Representa a leitura psicológica dos elementos (fogo, terra, ar e água) como linguagens de temperamento, contrária ao fatalismo.
  5. NASA, Goddard Space Flight Center. Venus Fact Sheet (NSSDCA).

    • Período orbital de 224,7 dias; magnitude visual máxima de −4,8.
  6. “Elongation (astronomy)”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.

    • Afastamento máximo do Sol: Mercúrio, de 18° a 28°; Vênus, de 45° a 47°.
  7. Y. Heffron, “Inana/Ištar (goddess)”. Ancient Mesopotamian Gods and Goddesses, Oracc e UK Higher Education Academy, 2019.

    • Em seu aspecto astral, Inana/Ištar é o planeta Vênus, estrela da manhã e da tarde; deusa sobretudo do amor sexual e igualmente da guerra.
  8. “Babylonian star catalogues”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.

    • No MUL.APIN: MUL.GU4.AN.NA, “o Touro do Céu” (Taurus e as Híades); MUL.MUL, “o aglomerado” (as Plêiades); MUL.ABSIN, “o Sulco” (Virgo), associado à deusa Šala, representada segurando grãos.
    • O caminho da Lua no MUL.APIN tem 17 ou 18 constelações, antecessoras diretas do zodíaco de doze signos.
    • No MUL.APIN: AL.LUL, em acádio alluttu, “o Lagostim” (Cancer); GIR.TAB, em acádio zuqaqīpu, “o Cortador”, isto é, o escorpião (Scorpius); ŠIM.MAḪ, “a Grande Andorinha” (sudoeste de Pisces e parte de Pegasus); Anunitu, “a deusa Anunitu” (nordeste de Pisces e parte de Andromeda); KUN.MEŠ, “as Caudas” (Pisces); em fonte babilônica tardia, DU.NU.NU, “a Corda dos Peixes”.
    • No MUL.APIN: MAŠ.TAB.BA(.GAL.GAL), “os (Grandes) Gêmeos” (Gemini); ZI.BA.AN.NA, em acádio zibānītu, “a Balança” (Libra); GU.LA, “o Grande” (Aquarius), que o artigo diz representar Ea, deus das águas (afirmação sem nota no artigo).
    • No MUL.APIN: (LÚ.)ḪUN.GÁ, em acádio agru, “o Trabalhador Rural” (Aries); não está claro como o Trabalhador virou o Carneiro grego, talvez por trocadilho ou mal-entendido. UR.GU.LA (com UR.MAḪ, “o Leão”) corresponde a Leo. PA.BIL.SAG, o deus Pabilsag, “comparativamente obscuro”, depois identificado com Ninurta, corresponde a Sagittarius.
  9. H. Hunger e J. Steele, The Babylonian Astronomical Compendium MUL.APIN. Londres: Routledge, 2019 (Scientific Writings from the Ancient and Medieval World).

    • MUL.APIN é um compêndio astronômico mesopotâmico redigido antes do século VIII a.C., com listas de estrelas e constelações.
  10. “Taurus (constellation)”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.

    • O equinócio de março ficou em Taurus de cerca de 4000 a 1700 a.C.; a ligação da constelação com o Touro do Céu da Epopeia de Gilgamesh é uma interpretação, não um fato estabelecido.
    • Aldebaran vem do árabe, “a que segue” (as Plêiades); as Plêiades e as Híades são aglomerados abertos; hoje o Sol cruza a constelação de meados de maio a cerca de 21 de junho.
  11. Theoi Project, “Star Myths” (resumos de Pseudo-Higino, Astronomia II.21 e II.25, e Arato, Fenômenos 96 ss.).

    • Touro: o touro em que Zeus raptou Europa (Higino II.21); em outra versão, Io transformada em novilha (Higino II.21).
    • Virgem: Astreia, a deusa da justiça que deixou a Terra na Idade do Bronze; Deméter; Erígone, filha de Icário; Tique (Higino II.25; Arato 96).
  12. C. Brennan, com Mo e Pao, “Taurus in Astrology: Meaning and Traits”. The Astrology Podcast, episódio 353, 19 maio 2022.

    • Discussão contemporânea: Touro como signo de constância, paciência, persistência, sensorialidade, prazeres simples, cultivo e rotina; sombra de teimosia, resistência à mudança, acomodação e materialismo; o touro do arado e da agricultura.
    • Recursos, segurança e saber o próprio valor; Vênus como regente, a Lua exaltada e Marte em detrimento em Touro.
  13. S. Carlson, “A double-blind test of astrology”, Nature, 318, p. 419–425, 1985. DOI 10.1038/318419a0.

    • Em teste duplo-cego, astrólogos não associaram mapas natais aos perfis de personalidade corretos acima do acaso.
  14. União Astronômica Internacional (IAU). The Constellations.

    • As 88 constelações reconhecidas, com limites oficiais publicados pela IAU, entre elas as 12 do zodíaco (Capricornus, por exemplo, tem abreviatura Cap e genitivo Capricorni).
  15. D. Hoffleit e W. H. Warren Jr., The Bright Star Catalogue, 5ª ed. revisada. New Haven: Yale University Observatory, 1991.

    • Posições (J2000) e magnitudes das estrelas das 12 constelações zodiacais usadas no Atlas Celeste e nos verbetes.
  16. NASA Science, “Milankovitch (Orbital) Cycles and Their Role in Earth’s Climate”, 2020 (atualizado em 2024).

    • O eixo da Terra oscila como um pião; o ciclo da precessão axial dura cerca de 25.771,5 anos (≈ 1° a cada 72 anos).

Dados das estrelas e figura da constelação: os mesmos do Atlas Celeste (Bright Star Catalogue; traçado próprio do Arcanista). Créditos e licenças das ilustrações.

Versão preliminar, em revisão editorial · Atualizado em

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