ENCICLOPÉDIA ASTROLÓGICA · SIGNO
Virgem
Virgem é o sexto signo do zodíaco tropical e ocupa os 30 graus da eclíptica que terminam no equinócio de setembro. Na astrologia, é o signo do discernimento, do ofício e do cuidado com os detalhes: associado a Mercúrio, à terra e ao fim do verão do hemisfério norte, fala do trabalho de separar, ordenar e aproveitar o que foi colhido.
Sua figura, uma jovem com uma espiga na mão, recebeu muitos nomes ao longo da história: foi uma deusa dos grãos na Mesopotâmia, a Justiça para os poetas gregos, Deméter para outros. Este verbete explica de onde vieram essas ideias e o que, nelas, é astronomia e o que é construção simbólica.

- Símbolo
- Glifo de Virgem
- Elemento
- Terra
- Modalidade
- Mutável
- Polaridade
- Feminina (noturna), na classificação clássica
- Regente tradicional
- Mercúrio
- Posição
- 6º signo do zodíaco tropical (150°–180°)
- Período solar
- Por volta de 22–23 de agosto a 22–23 de setembro, conforme o ano.
Neste verbete
01Tradição astrológica · História · Interpretação simbólica
O que Virgem significa e de onde vêm essas ideias
Na astrologia, Virgem é o signo da análise, da utilidade e do trabalho bem-feito. É associado à organização, à saúde, ao serviço, à precisão e à capacidade de perceber o que está fora do lugar.
Essas associações vêm, sobretudo, de três peças do sistema astrológico:
- Mercúrio, planeta da razão, da linguagem e das contas, que rege Virgem e, caso raro, também se exalta nele (seção “Mercúrio”).
- A posição do signo no fim do verão do hemisfério norte, entre duas estações, na época da colheita (seção “Terra e mutável”).
- A figura da jovem com a espiga, ligada à colheita e, para alguns poetas antigos, à Justiça (seção “História e mito”).
Fama de perfeccionista, crítica ou preocupada com a saúde? Boa parte desse retrato vem da astrologia popular e psicológica do século XX, construída sobre aqueles símbolos antigos. O verbete separa uma camada da outra.1,2
02Astronomia · História · Tradição astrológica
Por que Virgem é mutável e de Terra
Por que mutável?
Virgem é o último signo do verão do hemisfério norte. Quando o Sol sai dele, chega o equinócio de setembro e começa o outono. É um signo de passagem: o verão ainda está ali, mas já se despede.
Ptolomeu chamava esses signos de passagem de “bicorpóreos”, de dois corpos, e explica por quê: eles compartilham, no fim e no começo, as propriedades de duas estações. Os outros três são Gêmeos, Sagitário e Peixes.3
Da estação dupla vieram, mais tarde, as leituras de personalidade: signos mutáveis seriam adaptáveis, versáteis, dispostos a revisar e a refazer. É uma metáfora moderna sobre uma classificação antiga, e o nome “mutável” só se firmou depois.2
Signo que fecha uma estação e prepara a seguinte: Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes. Ptolomeu os chamava de bicorpóreos.3
Por que Terra?
Virgem completa, com Touro e Capricórnio, o grupo de signos que hoje chamamos de terra. Ptolomeu descreve os três como um “triângulo” de signos femininos, sem usar o nome do elemento; o adjetivo “terroso” para Virgem aparece em Vettius Valens, no século II.3,4
A ligação com a terra, aqui, é a da lavoura que já deu fruto. A figura do signo segura uma espiga, e o fim do verão é o tempo de colher. A leitura de Virgem como signo “prático” e “metódico” é uma elaboração moderna sobre esse fundo antigo. (A história dos quatro elementos na astrologia está no verbete de Capricórnio.)5
Na alternância de Ptolomeu, os signos pares são femininos e noturnos. Virgem, o sexto, é feminino e noturno.3
03Astronomia · História · Tradição astrológica
Mercúrio, regente de Virgem
O planeta
Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol e o mais rápido: dá uma volta em 88 dias. Visto da Terra, nunca se afasta mais de uns 28° do Sol, por isso só aparece baixo no horizonte, logo antes do nascer ou logo depois do pôr do Sol, e por pouco tempo.6,7
Por que Mercúrio rege Virgem?
Na astrologia clássica, o Sol e a Lua ficam com Leão e Câncer, e os planetas recebem os signos seguintes, um de cada lado, conforme a distância que alcançam em relação ao Sol. Mercúrio, explica Ptolomeu, “nunca se afasta mais de um signo do Sol”. Por isso fica com os vizinhos imediatos das casas dos luminares: Gêmeos, ao lado de Câncer, e Virgem, ao lado de Leão.3
A observação por trás é verdadeira: Mercúrio de fato vive colado ao Sol no céu. O passo seguinte, ligar isso a Virgem, é uma construção do sistema astrológico.7
Virgem tem uma particularidade: Mercúrio é ao mesmo tempo seu regente e exaltado nele, o único planeta com casa e exaltação no mesmo signo. Ptolomeu justifica a exaltação pela secura: Mercúrio, diz ele, é “mais seco”, e Virgem anuncia o outono, a estação seca.3
Signo em que um planeta é considerado “em casa”. Mercúrio tem dois: Gêmeos, de ar, e Virgem, de terra. A astrologia costuma ler o primeiro como o Mercúrio da conversa e da curiosidade, e o segundo como o Mercúrio da análise e do método; essa divisão é uma leitura moderna.
Por que Mercúrio significa razão e ofício?
O deus mensageiro. O planeta recebeu o nome de Hermes, o mensageiro dos deuses gregos, e depois de Mercúrio. Um astro rápido, que aparece e some perto do Sol, combinava com um deus que vai e vem entre mundos.
Nos textos astrológicos. Para Valens, no século II, Mercúrio indica a educação, as letras, a argumentação, o raciocínio, a interpretação, o número, as contas, a geometria e os mercados.4
A natureza instável. Para Ptolomeu, Mercúrio ora seca, por estar perto do Sol, ora umedece, por estar logo acima da Lua. Um planeta que muda de natureza conforme a companhia ajuda a entender sua fama de versátil.3
A rapidez de Mercúrio e sua proximidade do Sol são verificáveis. Que ele represente a razão, a linguagem e o ofício é uma construção simbólica, herdada do mito e desenvolvida pelos astrólogos.
E por que Vênus fica “fraca” em Virgem?
Na lógica de Ptolomeu, Vênus é úmida e se fortalece em Peixes, signo da primavera úmida. O signo oposto, Virgem, ligado ao outono seco, torna-se sua “depressão”. É por isso que a astrologia diz que Vênus está em queda em Virgem, uma ideia que alimenta, até hoje, leituras sobre o jeito contido de amar atribuído ao signo.3
04História · Mitologia
História e mitologia da Virgem
O Sulco e a deusa dos grãos
Nas listas de estrelas babilônias, como o MUL.APIN, essa região do céu era MUL.ABSIN, “o Sulco”, o rego aberto pelo arado onde se planta. O texto a associa à deusa Šala, que aparece em marcos de pedra segurando grãos.8,9
Essa é, provavelmente, a raiz mais antiga da espiga que a figura carrega até hoje. A estrela mais brilhante da constelação chama-se Spica, palavra latina para “espiga”.10
Muitas virgens para uma constelação
Com a Virgem aconteceu algo diferente do que se deu com o touro ou a cabra-peixe: ela recebeu várias identidades ao mesmo tempo, sem que nenhuma vencesse.
- Para o poeta Arato, no século III a.C., é a Justiça, Dike: leva nas mãos “a espiga reluzente”, viveu entre os homens na idade de ouro e subiu ao céu quando a humanidade se corrompeu.
- A Astronomia atribuída a Higino reúne outras versões: Deméter, deusa da agricultura; Erígone, filha de Icário; e Tique, a Fortuna.
- Essa Justiça celeste também ficou conhecida pelo nome de Astreia.
- Fontes: 11,12
A Justiça explica um detalhe curioso: Valens descreve Virgem “de pé como a figura da Justiça”, e o signo seguinte, Libra, é a balança. A ideia de Virgem como signo do discernimento, de separar o certo do errado e o útil do inútil, tem aqui uma das suas raízes simbólicas.4,12
05Interpretação simbólica · História · Ciência
Da Virgem antiga à virginiana dos horóscopos
Valens descreve os nativos de Virgem como modestos, religiosos e cheios de preocupações, muitas vezes administradores, contadores ou gestores de bens alheios. É um retrato surpreendentemente próximo do atual, mas vem de outro raciocínio: Mercúrio, planeta das contas, em um signo de terra.4
A Virgem dos horóscopos de hoje, perfeccionista, crítica, preocupada com a saúde e com a organização, foi desenhada sobretudo no século XX, quando a astrologia popular passou a descrever as pessoas pelo signo solar.1
Astrólogos contemporâneos costumam falar de discernimento, análise, serviço, ofício e cuidado com o corpo, e de uma sombra de autocrítica, preocupação e excesso de ajuda. São leituras atuais, construídas sobre os símbolos antigos de Mercúrio, da colheita e da estação de passagem.2
É o que se costuma chamar de “ser de Virgem”: o Sol estava no signo no nascimento, por volta de 22–23 de agosto a 22–23 de setembro. Na própria astrologia, o signo solar é só uma parte do mapa natal.
06Astronomia · História
A constelação Virgo
Virgo é uma das 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional e a segunda maior de todas, a maior do zodíaco. Apesar do tamanho, é discreta: além de Spica, tem poucas estrelas brilhantes. No Brasil, é bem visível nas noites de abril a junho.10,14
Estrelas principais
As posições abaixo vêm do mesmo catálogo usado no Atlas Celeste. Spica, a espiga, é a mais brilhante, e fica bem perto da eclíptica, o caminho do Sol.10,15
| Designação | Nome | Ascensão reta | Declinação | Magnitude |
|---|---|---|---|---|
| α Vir | Spica | 13h 25m 11.6s | -11° 09′ 41″ | 0,98 |
| ε Vir | Vindemiatrix | 13h 02m 10.6s | +10° 57′ 33″ | 2,83 |
| ζ Vir | Heze | 13h 34m 41.6s | -00° 35′ 45″ | 3,37 |
| δ Vir | Minelauva | 12h 55m 36.2s | +03° 23′ 51″ | 3,38 |
| β Vir | Zavijava | 11h 50m 41.8s | +01° 45′ 54″ | 3,61 |
| γ Vir | Porrima | 12h 41m 39.6s | -01° 26′ 58″ | 3,65 |
| 109 Vir | — | 14h 46m 14.9s | +01° 53′ 34″ | 3,72 |
| μ Vir | Rijl al Awwa | 14h 43m 03.6s | -05° 39′ 30″ | 3,88 |
| η Vir | Zaniah | 12h 19m 54.4s | -00° 40′ 01″ | 3,89 |
| ν Vir | — | 11h 45m 51.6s | +06° 31′ 46″ | 4,03 |
| ι Vir | Syrma | 14h 16m 00.9s | -06° 00′ 02″ | 4,08 |
| ο Vir | — | 12h 05m 12.5s | +08° 43′ 59″ | 4,12 |
| κ Vir | Kang | 14h 12m 53.8s | -10° 16′ 25″ | 4,19 |
| τ Vir | — | 14h 01m 38.8s | +01° 32′ 40″ | 4,26 |
O signo de Virgem é o setor de 150° a 180° da eclíptica e termina no equinócio de setembro. A constelação Virgo é uma região do céu com limites fixados pela IAU. Por causa da precessão dos equinócios, o ponto do equinócio de setembro está hoje dentro da constelação, e o Sol a atravessa de 16 de setembro a 30 de outubro: 44 dias, a passagem mais longa do zodíaco.10,14,16
07Respostas breves
Perguntas frequentes
O que significa ser de Virgem?
Na linguagem da astrologia, é ter nascido com o Sol no signo, aproximadamente entre 22–23 de agosto e 22–23 de setembro. O signo é associado ao discernimento, à organização, ao ofício e ao cuidado com os detalhes.
São associações simbólicas, e mesmo dentro da astrologia o signo solar é só uma parte do mapa natal.
Qual é o planeta regente de Virgem?
Mercúrio. Na distribuição clássica, Mercúrio, que nunca se afasta mais de um signo do Sol, ficou com os vizinhos imediatos das casas do Sol e da Lua: Virgem e Gêmeos. Em Virgem ele também é exaltado.3
Por que Virgem é um signo mutável?
Porque fecha uma estação, o verão do hemisfério norte, e prepara a seguinte. Ptolomeu chamava esses signos de “bicorpóreos”, por compartilharem as propriedades de duas estações. A associação com adaptabilidade é uma leitura moderna.3
Quem é a virgem do signo de Virgem?
Depende da tradição. Na Mesopotâmia, a região era “o Sulco”, ligado à deusa dos grãos Šala. Para o poeta grego Arato, é a Justiça que deixou a Terra; outros autores a identificaram com Deméter, Erígone ou a Fortuna. Em todas, ela segura uma espiga, a estrela Spica.8,11,12
Virgem é uma constelação ou um signo?
As duas coisas, com definições diferentes. O signo é um setor de 30° do zodíaco tropical; a constelação Virgo é uma região do céu delimitada pela União Astronômica Internacional e hoje contém o ponto do equinócio de setembro.10,14
Qual é o período de Virgem?
No zodíaco tropical, o Sol percorre Virgem aproximadamente de 22–23 de agosto a 22–23 de setembro. As datas variam um pouco de ano para ano.
08Fontes e aprofundamento
Referências
Cada referência indica o que ela sustenta no texto. Interpretações contemporâneas sem fonte indicada são redação do Arcanista, apresentadas como leitura simbólica.
L. Goodman, Linda Goodman’s Sun Signs. 1968; ed. Pan Macmillan (Bluebird), 2019.
- Marco da astrologia popular de signo solar no século XX, que difundiu os retratos de personalidade por signo.
- Discussão contemporânea: Virgem como signo de discernimento, análise, atenção aos detalhes, serviço, ofício, saúde e organização; sombra de autocrítica, perfeccionismo, preocupação, crítica aos outros e excesso de ajuda.
- Mercúrio regente e exaltado, Vênus em queda; fim do verão e colheita no hemisfério norte, “separar o trigo do joio”; a mutabilidade como adaptação e revisão.
Ptolomeu, Tetrabiblos. Trad. F. E. Robbins. Cambridge (MA): Harvard University Press, Loeb Classical Library, 1940. Livro I, caps. 2, 4, 5, 10, 11, 12, 13, 17, 18 e 19; Livro IV, cap. 10.
- I.2: um poder vindo da substância etérea se espalha pela região da Terra; o Sol produz as estações, a Lua afeta marés e seres vivos; a previsão é possível, mas falível, como a medicina e a navegação.
- I.10: as estações têm qualidades (primavera úmida, verão quente, outono seco, inverno frio), começando pelo equinócio de março, em Áries.
- I.11: nos signos solsticiais e equinociais o Sol “se volta”, invertendo seu movimento em latitude; seguem-se os signos sólidos e os bicorpóreos.
- I.17: Câncer e Leão vão aos luminares por serem os mais setentrionais e próximos do zênite; os demais planetas recebem pares de signos por ordem de esfera (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter) e Saturno, o mais alto e frio, os signos opostos.
- I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam um triângulo de signos femininos, predominantemente do sul (vento Noto), governado pela Lua e por Vênus; os triângulos são descritos por ventos e qualidades, não pelos nomes dos elementos.
- I.4: Vênus tem a natureza temperada de Júpiter; aquece moderadamente, por estar perto do Sol, mas sobretudo umedece. Mercúrio ora seca, por estar perto do Sol, ora umedece, por estar logo acima da esfera da Lua.
- I.11: os signos sólidos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) são assim chamados porque, quando o Sol está neles, os efeitos da estação “nos tocam mais firmemente”; os bicorpóreos (Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes) compartilham, no fim e no começo, as propriedades de duas estações.
- I.17: Vênus recebe Libra e Touro, signos “extremamente férteis” em sextil com as casas dos luminares, porque nunca se afasta mais de dois signos do Sol; Mercúrio recebe Gêmeos e Virgem, porque nunca se afasta mais de um signo do Sol.
- I.19: a Lua tem em Touro sua exaltação, por ali começar a crescer em luz; Mercúrio tem em Virgem sua exaltação, por ser mais seco, como o outono, e sua depressão em Peixes; Vênus tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem.
- IV.10: a Saturno cabe a última idade, a velhice, quando movimentos e desejos se tornam mais lentos.
- I.4: Saturno tem por qualidade sobretudo esfriar e, moderadamente, secar, por estar longe do calor do Sol e das exalações úmidas da Terra.
- I.5: Saturno e Marte são classificados como planetas de efeito oposto ao dos benéficos (maléficos); em Saturno, pelo excesso de frio.
- I.11: Capricórnio é signo solsticial, o primeiro a partir do solstício de inverno (do ponto de vista do Mediterrâneo).
- I.12: os signos alternam masculino e feminino a partir de Áries; Capricórnio, o décimo, cai entre os femininos (por dedução da regra; o capítulo não o nomeia).
- I.17: Câncer e Leão aos luminares; Saturno, o mais frio e o mais distante, recebe os signos opostos a eles, Capricórnio e Aquário, frios e invernais.
- I.18: Touro, Virgem e Capricórnio formam o segundo triângulo, de signos femininos, governado pela Lua (de noite) e por Vênus (de dia). Ptolomeu não chama esse triângulo de 'terra'.
- I.13: trígono e sextil são aspectos harmônicos, por unirem signos do mesmo tipo; quadratura e oposição, desarmônicos.
- I.19: Marte tem em Capricórnio sua exaltação, por estar ali mais ao sul; Câncer é sua depressão. Júpiter, exaltado em Câncer, tem em Capricórnio sua depressão.
- I.4: o Sol aquece e, em certo grau, seca; Marte “sobretudo seca e queima, conforme sua cor ígnea”, por estar perto do Sol; Júpiter tem força temperada, entre o frio de Saturno e o calor de Marte, aquece e umedece e produz ventos fertilizantes.
- I.10: embora o zodíaco, sendo um círculo, não tenha começo natural, toma-se como ponto de partida o signo que começa no equinócio de primavera, Áries, porque a primavera, como a infância, é úmida.
- I.11: Áries é equinocial, o primeiro a partir do equinócio de primavera; Leão é sólido; Sagitário é bicorpóreo.
- I.12: os signos alternam masculino (diurno) e feminino (noturno) a partir de Áries, que é masculino.
- I.17: Leão, masculino, cabe ao Sol, e Câncer, feminino, à Lua, por serem os mais setentrionais e próximos do zênite, os que mais produzem calor; Marte, seco, recebe Escorpião e Áries, em quadratura com as casas dos luminares, de acordo com sua qualidade “destrutiva e desarmônica”; Júpiter, temperado, recebe Sagitário e Peixes, ventosos e férteis, em trígono com as casas dos luminares, configuração “harmoniosa e benéfica”.
- I.18: Áries, Leão e Sagitário formam o primeiro triângulo, de três signos masculinos, que contém as casas do Sol, de Marte e de Júpiter; é governado pelo Sol de dia e por Júpiter de noite (Marte fica de fora por não ser da seita solar); é predominantemente do norte, por causa de Júpiter, fecundo e ventoso.
- I.19: o Sol tem em Áries sua exaltação, porque ali começa a subir para o hemisfério norte e os dias e o calor aumentam; Saturno, por isso, tem em Áries sua depressão: “onde o calor aumenta, o frio diminui”.
- I.11: Libra é o signo equinocial que começa no equinócio de outono (do hemisfério norte); Gêmeos é bicorpóreo; Aquário é sólido.
- I.18: Gêmeos, Libra e Aquário formam o terceiro triângulo, de três signos masculinos, sem relação com Marte, mas com Saturno e Mercúrio, por suas casas; Saturno o governa de dia, por sua seita, e Mercúrio de noite; o triângulo é sobretudo de constituição oriental (do leste).
- I.19: Saturno tem em Libra sua exaltação e em Áries sua depressão, o inverso do Sol, porque “onde o calor aumenta, o frio diminui” e vice-versa: em Libra o Sol começa a descer para o sul e os dias encurtam.
- I.9 (nota do tradutor 47): “as Garras do Escorpião” é o nome antigo de Libra (em grego, Zygós, “a balança”); Ptolomeu usa os dois nomes.
- I.4: “a maior parte do poder da Lua consiste em umedecer”, por sua proximidade da Terra e das exalações úmidas que sobem dela.
- I.11: Câncer é solsticial, o primeiro intervalo de 30° a partir do solstício de verão; Escorpião é sólido; Peixes é bicorpóreo.
- I.17: Câncer, feminino, é dado à Lua (e Leão, masculino, ao Sol); Escorpião e Áries, contíguos às casas dos luminares, a Marte; Sagitário e Peixes, “ventosos e fecundos”, a Júpiter.
- I.18: Câncer, Escorpião e Peixes formam o quarto triângulo, de signos femininos; Marte participa dele por sua casa, Escorpião; a Lua o governa de noite e Vênus de dia, como corregentes de Marte; o triângulo é sobretudo ocidental.
- I.19: Júpiter tem em Câncer sua exaltação, porque ali chega ao ponto mais setentrional e completa seu poder; Marte, exaltado em Capricórnio, tem em Câncer sua depressão. Vênus, úmida por natureza, tem a exaltação em Peixes e a depressão em Virgem; Mercúrio, mais seco, tem a depressão em Peixes. A Lua tem a depressão em Escorpião, oposto de sua exaltação em Touro.
Vettius Valens, Antologia (séc. II). Trad. inglesa de Mark T. Riley. Livro I, cap. 2 (a natureza dos doze signos).
- Capricórnio é “casa de Saturno, feminino, trópico, terroso”; Touro e Virgem também são descritos como terrosos; Áries, Leão e Sagitário, como ígneos.
- Testemunho antigo, contemporâneo de Ptolomeu, do esquema de domicílios e da associação dos signos aos elementos.
- Touro: feminino, sólido, “no trópico de primavera do Sol”; terroso, rústico, ligado à agricultura e à ordem.
- Virgem: “casa de Mercúrio, feminino, alado, de forma humana”, “de pé como a figura da Justiça”; bicorpóreo, terroso; nativos ligados à administração, às contas e à gestão de bens alheios.
- I.1: Vênus é “desejo e amor”, indica a mãe e a nutrição, amizade, música, pintura e beleza; Mercúrio indica educação, letras, argumentação, raciocínio, interpretação, número, contas, geometria e mercados.
- Áries: “casa de Marte, signo masculino, trópico, terrestre, governante, ígneo, livre”; “meio do céu do universo”; nativos “brilhantes, ilustres”, “ousados no pensamento”, “de grande coração”, “inquietos, instáveis”, “orgulhosos”; quanto ao clima, “por natureza úmido, com trovões e granizo”.
- Leão: “masculino, casa do Sol, livre, ígneo, temperado, intelectual, régio, estável, nobre”, “sólido”, “irascível”; nativos “ilustres, nobres, firmes, justos, inimigos do mal, independentes, inimigos da bajulação, benfeitores, inflados por seus pensamentos elevados”; “Leão é quente: a estrela brilhante do peito [Regulus] é ígnea e sufocante”.
- Sagitário: “casa de Júpiter, masculino, ígneo”, “nobre, alado, mutável, bicorpóreo, de duas naturezas, misterioso”, “governante, régio”; nativos “nobres, justos, de grande coração, juízes, generosos, que amam os irmãos e os amigos”, que “perdem muito do que tinham, mas recuperam”, “buscam uma reputação nobre”.
- Câncer: “casa da Lua, feminino, solsticial, o Ascendente do universo”, “aquoso, nobre, mutável”, “prolífico, anfíbio”; nativos ambiciosos, populares, “sempre mudando”, teatrais, alegres e “facilmente abatidos”, amantes da festa, que se tornam viajantes.
- Escorpião: “casa de Marte, feminino, sólido, chuvoso, fecundo, destrutivo”, “imutável”; o retrato dos nativos é extremamente duro (ladrões, traidores, envenenadores, “que odeiam a própria família”).
- Peixes: “feminino, úmido, bastante molhado, bicorpóreo”, “de duas formas”, “em conflito consigo mesmo, porque um Peixe é do norte e o outro do sul”, “mutável”, “causa de errância, variado”; nativos “instáveis”, que mudam “da má para a boa sorte”, populares.
- I.1: a Lua, de luz emprestada do Sol, indica a vida, o corpo, a mãe, a concepção, a aparência, a vida em comum (o casamento legítimo), a nutrição, o cuidado da casa, a senhora da casa, os bens, a cidade e o povo, as viagens e errâncias; rege o estômago, os seios e a prata.
- Gêmeos: “masculino, bicorpóreo, articulado, casa de Mercúrio”; sob ele nascem “estudiosos, os que trabalham com educação e letras, poetas”, amantes da música, oradores, administradores, tradutores, comerciantes, “pessoas sensatas”, praticantes de “artes curiosas” e buscadores de saberes místicos.
- Libra: “casa de Vênus, masculino, equinocial, de forma humana”, “aéreo”, “vocal, nobre, mutável”, supervisor das colheitas, das vinhas, dos olivais, das medidas e dos artesãos; nativos “nobres e justos”, mas também invejosos dos bens alheios, de sorte mediana, que vivem “altos e baixos” e cuidam das medidas e do abastecimento de grãos.
- Aquário: “masculino, sólido, de forma humana, um tanto úmido”, “bastante frio, livre”, “imutável”; o retrato dos nativos é duro (“maliciosos”, “obstinados”, “misantropos”, “às vezes generosos”).
- I.1: Saturno faz os nativos mesquinhos, preocupados, solitários e austeros; indica obstáculos, demoras, prisões e luto, mas também grandes cargos, supervisões e a gestão de bens alheios; rege o chumbo, a madeira e a pedra.
- I.1: o Sol, “fogo da natureza e luz intelectual”, indica realeza, comando, inteligência, beleza, julgamento, reputação pública, o pai, a amizade, honras; rege o coração e o ouro. Marte indica força, guerras, violência, raiva, brigas, mas também “comandos, campanhas e liderança”, caça, trabalhos com fogo ou ferro; é “vermelho”. Júpiter indica geração, desejo, amizades com os grandes, prosperidade, presentes, justiça, cargos, arbitragens, confiança, herança, fraternidade, beneficência, “alívio dos problemas, libertação das amarras, liberdade”.
- Representa a leitura psicológica dos elementos (fogo, terra, ar e água) como linguagens de temperamento, contrária ao fatalismo.
NASA, Goddard Space Flight Center. Mercury Fact Sheet (NSSDCA).
- Período orbital de 88 dias.
“Elongation (astronomy)”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- Afastamento máximo do Sol: Mercúrio, de 18° a 28°; Vênus, de 45° a 47°.
“Babylonian star catalogues”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- No MUL.APIN: MUL.GU4.AN.NA, “o Touro do Céu” (Taurus e as Híades); MUL.MUL, “o aglomerado” (as Plêiades); MUL.ABSIN, “o Sulco” (Virgo), associado à deusa Šala, representada segurando grãos.
- O caminho da Lua no MUL.APIN tem 17 ou 18 constelações, antecessoras diretas do zodíaco de doze signos.
- No MUL.APIN: AL.LUL, em acádio alluttu, “o Lagostim” (Cancer); GIR.TAB, em acádio zuqaqīpu, “o Cortador”, isto é, o escorpião (Scorpius); ŠIM.MAḪ, “a Grande Andorinha” (sudoeste de Pisces e parte de Pegasus); Anunitu, “a deusa Anunitu” (nordeste de Pisces e parte de Andromeda); KUN.MEŠ, “as Caudas” (Pisces); em fonte babilônica tardia, DU.NU.NU, “a Corda dos Peixes”.
- No MUL.APIN: MAŠ.TAB.BA(.GAL.GAL), “os (Grandes) Gêmeos” (Gemini); ZI.BA.AN.NA, em acádio zibānītu, “a Balança” (Libra); GU.LA, “o Grande” (Aquarius), que o artigo diz representar Ea, deus das águas (afirmação sem nota no artigo).
- No MUL.APIN: (LÚ.)ḪUN.GÁ, em acádio agru, “o Trabalhador Rural” (Aries); não está claro como o Trabalhador virou o Carneiro grego, talvez por trocadilho ou mal-entendido. UR.GU.LA (com UR.MAḪ, “o Leão”) corresponde a Leo. PA.BIL.SAG, o deus Pabilsag, “comparativamente obscuro”, depois identificado com Ninurta, corresponde a Sagittarius.
- MUL.APIN é um compêndio astronômico mesopotâmico redigido antes do século VIII a.C., com listas de estrelas e constelações.
“Virgo (constellation)”. Wikipedia, a enciclopédia livre (em inglês). Consultado em 21/10/2026.
- Segunda maior constelação do céu (1.294 graus quadrados); o Sol leva 44 dias para cruzá-la (16 de setembro a 30 de outubro, entre 1990 e 2062); o ponto do equinócio de setembro está hoje dentro de Virgo.
- Spica é a palavra latina para “espiga”.
- A Virgem leva nas mãos a “Espiga reluzente”; viveu entre os homens enquanto a Terra nutria a raça de ouro e, como Dike (Justiça), subiu ao céu quando a humanidade se corrompeu.
- Touro: o touro em que Zeus raptou Europa (Higino II.21); em outra versão, Io transformada em novilha (Higino II.21).
- Virgem: Astreia, a deusa da justiça que deixou a Terra na Idade do Bronze; Deméter; Erígone, filha de Icário; Tique (Higino II.25; Arato 96).
S. Carlson, “A double-blind test of astrology”, Nature, 318, p. 419–425, 1985. DOI 10.1038/318419a0.
- Em teste duplo-cego, astrólogos não associaram mapas natais aos perfis de personalidade corretos acima do acaso.
União Astronômica Internacional (IAU). The Constellations.
- As 88 constelações reconhecidas, com limites oficiais publicados pela IAU, entre elas as 12 do zodíaco (Capricornus, por exemplo, tem abreviatura Cap e genitivo Capricorni).
- Posições (J2000) e magnitudes das estrelas das 12 constelações zodiacais usadas no Atlas Celeste e nos verbetes.
- O eixo da Terra oscila como um pião; o ciclo da precessão axial dura cerca de 25.771,5 anos (≈ 1° a cada 72 anos).
Dados das estrelas e figura da constelação: os mesmos do Atlas Celeste (Bright Star Catalogue; traçado próprio do Arcanista). Créditos e licenças das ilustrações.
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